Júpiter foi ATINGIDO, astrônomos amadores capturam impacto em vídeo

Por , em 29.03.2016

Júpiter tem um papel dúbio no nosso sistema solar. Alguns afirmam que ele absorve impactos protegendo a Terra, mas os astrônomos também sabem que ele arremessa na direção do sistema solar interior asteroides que ficariam tranquilos longe daqui sem a “ajudinha” desse planeta.

Esta é uma história sobre Júpiter bancando o bom mocinho. No dia 17 de março, o astrônomo amador Gerrit Kernbauer, de Mödling, Áustria, estava gravando imagens de Júpiter com seu telescópio de 20 cm.

Normalmente, ele capturaria milhares de imagens para depois colar a melhor parte de cada uma e fazer uma imagem de alta resolução, removendo os efeitos da turbulência da atmosfera.

Só que às 0:18:33 UTC, ele capturou um pequeno brilho na beiradinha de Júpiter. No vídeo abaixo, fique de olho no quadrante da direita, acima. Os pontos mais claros são as luas de Júpiter.

Parecia muito com um impacto, mas também poderia ser um defeito, como uma reflexão no interior do telescópio. Ou qualquer outra coisa. Seria legal se alguém, em outro lugar, tivesse filmado Júpiter ao mesmo tempo. Se aparecesse a mesma coisa, estava confirmado o impacto.

Eis que outro astrônomo amador, John McKeon, usando um telescópio de 28 cm, em Swords, um pouco ao norte de Dublin, estava filmando Júpiter ao mesmo tempo. E o que ele gravou você pode ver no vídeo a seguir.

Como disse o astrônomo Phil Plait, uma forte evidência de que realmente se trata de um impacto.

Mas o que atingiu Júpiter? Esta parte não está muito clara. Pode ser um pequeno asteroide ou um pequeno cometa. Como o brilho foi curto e não muito brilhante, o impacto não foi muio grande, indicando um objeto com algumas dezenas de metros de diâmetro.

Tiro ao alvo cósmico

Mas algumas dezenas de metros de diâmetro é o suficiente para causar um brilho na atmosfera de Júpiter? A resposta é “sim”, desde que a velocidade seja suficiente. E em Júpiter, não só os impactos acontecem a velocidades maiores, mas o próprio planeta tem uma gravidade tremenda, e deve acelerar mais ainda qualquer corpo em rota de colisão.

Em média, qualquer objeto atingindo Júpiter vai ter 25 vezes mais energia de impacto do que se fosse na Terra. Imagine o asteroide de Chelyabinsk, que tinha cerca de 19 metros, e que explodiu com a energia de 500.000 toneladas de TNT, fazendo a mesma coisa mas com 25 vezes mais energia.

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Outro efeito da alta velocidade é que atingir a atmosfera tem o mesmo efeito de atingir uma parede sólida. O asteroide acaba explodindo no ar, já que ar e rocha aquecem, a rocha se parte, as partes se aquecem, e se partem, e assim por diante, uma cascata de rupturas e aquecimentos que dissipa toda a energia cinética do asteroide em um ou dois segundos.

O resultado é um estrondo. Bem alto.

Mas Júpiter não é um estranho quando se trata de impactos. Os mais famosos foram a série de impactos do cometa Shoemaker-Levy 9 em 1994, um impacto de 2009 com alguma coisa relativamente grande, os dois impactos de 2010, um em julho e o outro em agosto, e o impacto de setembro de 2012.

Pelo jeito Júpiter sofre um impacto grande o suficiente para ser visto da Terra pelo menos uma vez por ano. Só não temos um vídeo por ano por que a maioria dos impactos não são vistos, ou por que acontecem no lado distante de Júpiter, ou por que Júpiter está muito próximo (aparentemente) do sol para poder ser observado.

Além disso, o impacto dura alguns segundos, o que dificulta sua identificação. [Bad AstronomyGizmodo]

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15 comentários

  • Ermindo Cecchetto Jr.:

    Sr. grossman,
    O sr. fala isso porque não é sagitário.

    • Cesar Grossmann:

      O que tem a ver uma superstição antiga com o que eu digo ou deixo de dizer?

    • Ermindo Cecchetto Jr.:

      Que bom que o sr me avisou que é uma superstição. Corria o risco de morrer sem saber.

    • Cesar Grossmann:

      Eu acho que não há necessidade de sarcasmo.

    • Ermindo Cecchetto Jr.:

      Concluo que além de teres um péssimo conceito de seus assinantes, não tem um mínimo de senso de humor.

    • Cesar Grossmann:

      Na verdade tenho senso de humor, mas às vezes ele dá uma voltinha. Por outro lado, tem também a Lei de Poe…

    • Ermindo Cecchetto Jr.:

      🙂 :-). Duas. Uma pela mensagem original e outra por essa. Quites?

    • Cesar Grossmann:

      Só se você pagar a cerveja.

    • Ermindo Cecchetto Jr.:

      A proposta parece sedutora. Se eu vencer um problema de saúde que ora me atormenta iremos combinar, se não a cerveja, pelo menos um café.

    • Flávio Lima:

      Se Júpiter, dizem, é um planeta gasoso, porque esse impacto dá a impressão de ser um choque entre dois corpos sólidos?

    • Cesar Grossmann:

      Júpiter é um planeta gasoso, mas o impacto com a atmosfera em alta velocidade é como se fosse um impacto com um sólido.

  • João Marcos S. Silva:

    Imagens impressionantes. Mas também discordo de que um objeto de dezenas de metros tenha o poder de causar um efeito sobre o planeta como o

    • Cesar Grossmann:

      Mas não causou um efeito. Não deixou sequer uma mancha. Foi só uma explosão, só para quem viu. Diferente daquele evento que deixou manchas sobre a superfície joviana, que duraram dias.

  • Tibulace:

    Poderiam por 3 ou mais câmeras, ligadas a telescópios, filmando Júpiter, 24h/dia.Imagens gravadas em pen drives, que podem ser reutilizados.

    • Cesar Grossmann:

      Não sei se é prático (custo/benefício) deixar três ou mais telescópios dedicados a Júpiter, só para capturar estes acontecimentos. Observar o Sol tem suas razões (SOHO e outras), já que o que acontece lá vai nos afetar, mas Júpiter?

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