Nossa vida social é substituta da vida noturna de nossos ancestrais

Por , em 10.11.2011

Muitos primatas são animais extraordinariamente sociais. É muito difícil que um ser humano (e vários outros animais) sejam vistos ou vivam sozinhos; estamos sempre acompanhados, não importa o que estejamos fazendo.

E como isso aconteceu? Segundo um novo estudo, nos tornamos criaturas sociais quando desistimos da vida noturna.

Os pesquisadores estudaram nossa história evolutiva, construindo uma árvore genealógica de 217 espécies de primatas cujos hábitos sociais são conhecidos.

Indo do presente ao passado, eles descobriram que os primatas primitivos eram animais noturnos que viviam uma vida solitária até cerca de 52 milhões de anos atrás.

Nossos ancestrais, aparentemente, mudaram para uma vida em grandes grupos ao mesmo em tempo que tornaram-se mais ativos durante o dia.

A partir disso, outras estruturas sociais evoluíram, como pares isolados e haréns, em que um único homem vive com várias mulheres (ou um macho com várias fêmeas).

Os primeiros primatas viviam cerca de 74 milhões de anos atrás e eram forrageiros solitários. Os pesquisadores concluíram que, quando nossos ancestrais primatas ficaram mais “parecidos com os macacos” (símios), eles começaram a viver em grupos grandes, incluindo ambos os sexos. Outras estruturas sociais surgiram mais tarde.

Entre os primatas vivos hoje, espécies estreitamente relacionadas normalmente têm o mesmo regime social. No entanto, com os grandes macacos – chimpanzés, gorilas, orangotangos e nós – é mais complicado, já que cada um se organiza de forma diferente.

Os seres humanos são os mais flexíveis de todos. Sociedades humanas têm estruturas sociais semelhantes, pelo menos em algum grau, com aquelas encontradas em todo o mundo de primatas, incluindo viver em pares ou haréns ou, em algumas sociedades tradicionais, em famílias estruturadas em torno de membros relacionados de um sexo – irmãs, mães e filhas, ou irmãos, pais e filhos.

Teorias alternativas sugerem que a estrutura social surgiu como resultado da disponibilidade de recursos, ou que a estrutura social registra aumentos em complexidade ao longo do tempo, a partir de indivíduos solitários a pares e pequenos grupos e assim por diante.

Os pesquisadores usaram modelos matemáticos destes cenários, bem como do cenário sugerido pela árvore genealógica, para testar a sua probabilidade. Os resultados suportam a ideia de que os primatas primitivos transitaram diretamente da vida solitária para viver em grandes grupos, apoiando o que eles encontraram em sua análise da árvore genealógica.

Eles também calcularam o ponto de inflexão nas estruturas sociais aconteceu cerca de 52 milhões de anos atrás – a transição para a vida social. Este momento é importante porque coincide com a transição para uma vida diurna.

Os primatas ancestrais eram pequenos, criaturas com olhos grandes que habitavam a floresta, o indicativo de animais ativos à noite. Esta vida ajudou-os a evitar os predadores, mas tornou mais difícil de encontrar comida. Esse foi provavelmente o motivo que levou alguns a se tornarem ativos durante o dia, cerca de 52 milhões de anos atrás.

A vida durante o dia, no entanto, era mais perigosa para eles, porque seus principais predadores, as águias, também estavam acordadas e com fome. A vida em grandes grupos fez assim sentido, já que os animais estariam mais seguros.[LiveScience]

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3 comentários

  • Lucyano Valdez:

    Havia Águias, como as de hoje, há cerca de 52 milhões de anos atrás, para caçar os primitivos primatas??

  • Luciano Pinheiro:

    Essa comparação entre as vidas sociais dos primatas é bem elástica, né não? “incluindo viver em pares ou haréns […]”

  • luciana:

    As redes sociais acabaram com a vida em sociedade e com relacionamentos sólidos.

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