Olhos azuis: de onde eles vêm? Descubra aqui!

Por , em 18.02.2014

Se você acha que os olhos azuis começaram a aparecer na época da idade média europeia, e que a intolerância à lactose é um mal do nosso tempo, está redondamente enganado. O gene para essas duas características é mais antigo do que eu, você e cientistas do mundo inteiro imaginavam.

A origem dos olhos azuis

O esqueleto de um homem espanhol da idade da pedra, com cerca de 7 mil anos, foi descoberto recentemente pela equipe internacional de pesquisadores do Instituto de Biociências Molecular da Universidade de Queensland (Austrália). Desde então, eles vêm desenvolvendo uma série de pesquisas com o objetivo de entender o impacto da evolução dos primeiros seres humanos caçadores para uma sociedade agrícola.

Segundo o professor Rick Sturm, um dos líderes da equipe que descobriu o esqueleto, os genes encontrados nele também deixaram boas dicas de como era a aparência dos homens da idade da pedra.

Ao analisar o genoma de um de seus dentes, os cientistas encontraram evidências incríveis: o homem tinha genes para pele e cabelo escuros, mas para olhos azuis. E como essa combinação de genes é única e não existe mais nos europeus hoje em dia, a conclusão é que o gene para olhos azuis pode ter se espalhado pela população europeia muito antes que o gene para pele clara.

E as descobertas não param por aí: uma equipe liderada por pesquisadores do Instituto de Biologia Evolutiva da Espanha e da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, também investigou genes associados à dieta e descobriu que esse caçador Mesolítico, de mais de 7 mil anos, carregava ainda o gene para intolerância à lactose.

Intolerância brasileira

Para quem não sabe, a intolerância à lactose consiste em uma incapacidade de digerir produtos lácteos como leite, queijo, manteiga, etc., e está cada vez mais presente na nossa sociedade.

No Brasil, 43% dos brancos e dos mulatos têm alelo de persistência da lactase, ou seja, são geneticamente predispostos a ter intolerância à lactose, dado mais frequente entre os negros e japoneses.

No entanto, tanto quanto 70% dos adultos brasileiros pode ter algum grau de intolerância a lactose, o que significa que ainda podem consumir laticínios, mas terão algum sintoma leve. Em países asiáticos, cerca de 90% da população chega a ter problemas com a lactase em algum grau.

Esses números parecem altos, mas a explicação é simples. De acordo com Rejane Mattar e Daniel Ferraz de Campos Mazo, do Departamento de Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), a atividade da enzima lactase diminui na parede intestinal após o desmame na maioria dos mamíferos, o que significa que logo que deixamos de ser bebês começamos a ter sintomas de intolerância à lactose.

A intensidade desses sintomas varia dependendo da quantidade de lactose ingerida, e pode aumentar com o passar da idade. Segundo Ricardo Barbuti, gastroenterologista membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia, todo mundo que tem geneticamente a intolerância tem uma má absorção de lactose, mas isso não causa sintomas sempre.

Outro estudo brasileiro, feito pela Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE), que queria correlacionar a prevalência da condição com faixa etária e sexo mostrou que, dos 1.088 indivíduos testados, 37,6% eram normais, 18,29% eram limítrofes (quase tinham intolerância), e 44,11% eram intolerantes a lactose. A incidência de intolerância mostrou-se crescente até a faixa dos 31 a 40 anos, e não teve diferenças significativas entre os sexos.

Como você pode ver, apesar de parecer um mal recente, o gene e a condição são de longa data. [ScienceAlert, Exame, G1, RevistadaAssociaçãoMédicaBrasileira, Alka]

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5 comentários

  • INCONFORMADO:

    Ñ entendi,,,,se o assunto era “olhos azuis….terminou ficando por leite…

    • Cesar Grossmann:

      São mutações, e estão correlacionadas.

  • Caio Morais:

    De onde vem essa informação de que 70% dos brasileiros têm intolerância a lactose? Parece bem exagerada.

    • Natasha Romanzoti:

      Oi Caio! A explicação foi mais elaborada, e as fontes foram colocadas no fim do texto, mas as informações vêm principalmente de dois estudos brasileiros. 🙂

    • Jéssica Stadella:

      Tbm estranhei..pq nunca conheci ngm com essa característica, a não ser o Leonard Hofstader! :p

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