Você não faz ideia por que o Polo Norte está se movendo

Por , em 12.04.2016

Encontrar o Polo Norte significa viajar para o norte, certo? Sim, mas com uma pequena ressalva: o polo norte da Terra está à deriva, indo rapidamente para o leste, e parece que a culpada é nossa velha conhecida mudança climática. A descoberta pode ter implicações importantes para estudos de perda de gelo e seca, melhorando potencialmente a nossa capacidade de prever tais mudanças no futuro.

A Terra gira em torno de um eixo como um pião gigante. Os lugares onde esse eixo invisível cruzam com a superfície do planeta são os polos norte e sul de rotação. Devido à oscilação da Terra sobre seu eixo, esses lugares derivam em ciclos de aproximadamente décadas de duração. (Este movimento é um mecanismo completamente separado do comportamento dos polos magnéticos do planeta, que também se invertem periodicamente ao longo de milhões de anos).

Os cientistas identificaram os polos norte e sul geográficos tomando as médias de longo prazo dessas posições de rotação.

Exploradores e cientistas têm medido de forma confiável as posições exatas dos polos de rotação desde 1899, por um lado pela medição das posições relativas das estrelas e, em seguida, usando telemetria de satélite. Ao longo do século passado, os polos tenderam a vaguear por apenas alguns centímetros por ano.

“Isso pode parecer uma pequena variação, mas há informações muito importantes embutidas nisso”, diz Surendra Adhikari, cientista da terra no Jet Propulsion Laboratory da NASA, na Califórnia.

O polo norte tinha se deslocado para trás e para frente na direção leste e oeste, com a tendência geral de se mover em direção ao Canadá. Mas desde 2000, a deriva típica do polo “fez uma mudança dramática”, diz Adhikari. Desde então, vem se movendo de forma constante para o leste por cerca de 75 graus, indo em direção ao meridiano que atravessa Greenwich, na Inglaterra.

Essa mudança foi na ordem de 10 centímetros por ano, por isso provavelmente não é o suficiente para justificar um novo cálculo do polo geográfico do planeta – embora as gerações posteriores possam ter que considerar fazer isso se as coisas continuarem mudando, observa Adhikari.

O que é mais excitante para os cientistas é que agora eles podem explicar o que está realmente causando a deriva, o que pode ter ramificações significativas sobre a ciência do clima.

Fluxo e refluxo

Há pelo menos uma década, os cientistas já suspeitavam que as quantidades maciças de fusão ocorrendo em geleiras ao redor do mundo poderiam redistribuir significativamente a massa da Terra. Isso é particularmente verdadeiro quando se trata de enormes camadas de gelo sobre a Groenlândia e na Antártica Ocidental.

Se o gelo desaparece de uma parte da Terra girando e se reinstala em outros lugares como a água, o planeta se desloca sobre o seu eixo em direção ao lugar onde perdeu massa.

Mas a física disso é tão complexa que os cientistas só podiam imaginar como realmente funcionaria no mundo real. Agora, Adhikari propôs uma maneira de explicar o processo. O segredo foi descobrir que não são apenas geleiras encolhendo que alteram a distribuição de massa da Terra, como alguns cientistas pensavam. Uma grande quantidade de massa também se desloca devido à perda em grande escala de água líquida da Terra.

Adhikari e seu colega e coautor Erik Ivins acreditam que o polo de rotação está se deslocando em direção à Europa porque tem havido uma enorme perda de água de lagos e aquíferos na Eurásia, em torno do Mar Cáspio e na Índia. Temperaturas globais mais quentes levaram a mais evaporação e menos precipitação em muitas áreas e populações humanas em expansão foram sugando água subterrânea de reservatórios e poços.

“O que temos mostrado é que o derretimento do gelo e um padrão de armazenamento de água continental estão combinando para provocar uma mudança dramática na direção do polo norte”, diz Adhikari.

Gavin Schmidt, cientista do clima no Instituto Goddard da NASA para Estudos Espaciais, em Nova York, louva os autores por ajudarem a discussão sobre a ciência do clima. Schmidt, que não esteve envolvido no estudo, concorda que a atividade humana causou “mudanças detectáveis ​​na massa através da fusão da camada de gelo e da extração de águas subterrâneas”.

Previsões para o Polo

Adhikari e Ivins esperam que a descoberta ajude outros pesquisadores do clima a melhorar a nossa compreensão das forças globais.

“Nós devemos ser capazes de utilizar os dados da movimentação polar para responder a algumas questões interessantes”, diz Adhikari. Os dados podem ajudar a tornar os modelos climáticos mais precisos, uma vez que os cientistas poderiam trabalhar para trás a partir do arquivo robusto na deriva polar para inferir as taxas de fusão e evaporação do passado.

“Temos dados muito melhores sobre a posição dos polos do que temos sobre o derretimento das geleiras ao longo da história”, observa Adhikari.

O resultado final poderia ser previsões mais precisas das mudanças no clima no futuro, bem como uma melhor compreensão de como nosso planeta gira através do espaço. [National Geographic]

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5 comentários

  • Antonio Medeiros:

    Interessante. Mas qual seria o impacto disto sobre a america do sul?

    • Cesar Grossmann:

      Boa pergunta, mas talvez seja uma pergunta errada, já que o problema maior é o derretimento das imensas massas de água. Este derretimento vai ter consequências, uma delas é a movimentação do polo.

  • Renan Altair Nardi:

    Não consigo imaginar o Polo Norte movendo-se para o Leste. Só consigo visualiza-lo movendo-se para o Sul, qualquer que seja o movimento.

    • Cesar Grossmann:

      Considerando a posição inicial. O primeiro movimento é para o sul, certamente, mas os outros movimentos são em direção ao leste ou ao oeste, ou mesmo norte e sul. Novamente, considerando a posição inicial.

    • Eduardo Silva de Oliveira:

      Boa esta! Realmente me deixastes confuso. Penso que a razão deles é de que arbitram um polo norte, que nao é o Polo Norte natural.

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