Superfície de Plutão talvez tenha moléculas orgânicas

Por , em 14.05.2012

O telescópio Hubble encontrou evidências de moléculas orgânicas complexas – os blocos de carbono que formam a vida como conhecemos – na superfície rígida de Plutão.

As observações revelaram que algumas substâncias na superfície de Plutão estão absorvendo mais luz ultravioleta do que o imaginado. De acordo com os pesquisadores, esses componentes podem ser complexos de hidrogênio e carbono ou moléculas com nitrogênio.

O planeta anão é conhecido por ter gelo de metano, monóxido de carbono e nitrogênio na superfície. Os químicos que absorvem a luz talvez sejam produzidos quando a luz solar ou partículas subatômicas muito rápidas (chamadas de raios cósmicos) interagem com esses compostos.

“É uma descoberta excitante porque os hidrocarbonetos complexos e outras moléculas de Plutão talvez sejam responsáveis pela cor avermelhada do planeta, entre outras coisas”, comenta o líder do estudo, Alan Stern.

Plutão circunda o sol em um anel distante de corpos gelados, conhecido como Cinturão de Kuiper. Vários objetos dessa região também são vermelhos, e astrônomos já haviam especulado que formas orgânicas fossem responsáveis por isso.

O grupo de pesquisadores também descobriu que o espectro ultravioleta do planeta mudou quando comparado com os dados dos anos 90.

Essa diferença talvez esteja relacionada com mudanças no terreno de Plutão. Para os pesquisadores, é possível que um leve acréscimo na pressão atmosférica tenha causado isso.

Mas, acima de tudo, as observações do Hubble são importantes para antecipar informações, já que daqui a alguns anos a primeira nave espacial vai visitar o distante corpo.

“A descoberta que fizemos com o Hubble me lembra de que temos muito mais coisas interessantes da composição e da evolução de Plutão para descobrir, antes da nave New Horizons, da NASA, chegar em 2015”, comenta Stern.

A nave foi lançada em janeiro de 2006, para uma jornada de 6,4 bilhões de quilômetros. A ideia é que ela atinja o máximo de proximidade com o planeta anão em 14 de julho de 2015. [LiveScience]

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6 comentários

  • Jonatas:

    Isso não seria uma novidade de Plutão. A assinatura orgânica já foi “pressentida” em outro Planeta Anão, Haumea. Parece que depois de ser rebaixado à uma subcategoria na corte solar é que Plutão resolveu atrair-nos como um mundo singular, cadeias orgânicas complexas são a base da química pré-biótica.
    Não quer dizer que há vida em Plutão, seria logicamente impensável a -220 °C, mais um pouco de frio e chegaríamos ao zero absoluto, a temperatura onde todo o movimento se detém. O universo surpreende sempre, também era impensável que uma química complexa se desenvolveria nessas condições.
    Plutão pode não ter vida, mas astrobiologicamente está entrando em cena porque nos mostra que essas naturezas vitais não são uma raridade no Universo, não são uma exclusividade de planetas terrestres como a Terra e Marte ou de luas planetárias atmosféricas como Titã, de Saturno. Mas aos pensadores mais ousados não é absurdo algum considerar um Plutão vivo, se considerar a soma das últimas notícias que vieram, de 2011 pra cá, lá desses gélidos confins do Sistema Solar:
    1 – Plutão tem assinatura espectral de compostos orgânicos;
    2 – Plutão pode ter um grande oceano líquido sob sua crosta;
    3 – e hoje: Superfície de Plutão talvez tenha moléculas orgânicas.

  • ira:

    Logo e nuito breve plutão será promovido novamente a planeta.

    Porem,se for comprovada vida em especie ainda rudimentar ele volta a ser um astro qualquer,sempre segundo os conceitos terrenos.

    E sabemos muito bem que a ciencia terrestre é perita em conceitos,conceitos e mais conceitos.

    • Jonatas:

      Plutão nunca deixou de ser um Planeta, só passou a ser entendido como um astro que não tem o domínio orbital de um Planeta Clássico, de grande porte. Plutão é pequeno demais pra que sua gravidade forme um domínio orbital, uma órbita limpa sem planetesimais e asteroides de tamanho significativo diante do seu. Mesmo assim continua sendo planeta, só que Anão. Já é um consenso científico que os Planetas Anões são os mais numerosos no sistema solar e possivelmente na galáxia, assim como as estrelas anãs são muito mais numerosas.

  • Andre Luis:

    Nunca dei muita importância a Plutão, pois parecia um pequeno planeta simples e sem curiosidades. Mas agora vejo que devem haver coisas muito interessantes para pesquisar por lá!

    • Jonatas:

      Pra Plutão tanto faz o jeito que vemos ele, ele é um mundo, um deserto gelado que está se tornando mais interessante. Cada mundo, planeta clássico, gigante, anão ou satélite, tem sua própria natureza, suas próprias atrações. Titã e Encélados são luas de Saturno, porém muito mais interessantes que o próprio Saturno e seus majestosos anéis, porque são bioticamente potenciais. O mesmo vale pra Europa e Ganímedes em relação à Júpiter e Tritão em relação à Netuno. Luas roubam o show de seu planeta, nada anormal um planetoide ou planeta anão fazer o mesmo.

  • Iago Pena:

    Meu Deus que ridículo eu só entrei aqui pra comentar que antes comentar pelo plugin direto do facebook era muito melhor..

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