Uso de computadores nas aulas precisa ser repensado, afirma estudo

Por , em 27.09.2015

De acordo com um estudo desenvolvido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), as escolas ainda não sabem aproveitar o potencial da tecnologia em sala de aula para combater a exclusão digital e dar a cada aluno as habilidades que eles precisam no mundo conectado de hoje. As conclusões vieram da análise do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, do inglês Programme for International Student Assessment), da OCDE.

Sob o título “Estudantes, Computadores e Aprendizagem: Fazendo a Conexão”, o artigo relata que mesmo os países que investiram pesadamente em tecnologias de informação e comunicação para a educação não tiveram nenhuma melhora notável em suas performances em resultados do Pisa em leitura, matemática ou ciência.

Participaram do estudo: Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, Chile, as cidades chinesas de Macau, Hong Kong, Xangai e a parte chinesa de Taipei, Colômbia, Dinamarca, Estônia, França, Hungria, Irlanda, Israel, Itália, Japão, Coreia, Noruega, Polônia, Portugal, Rússia, Cingapura, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia, Emirados Árabes Unidos e os Estados Unidos.

De acordo com a organização, garantir que cada criança alcance um nível básico de proficiência em leitura e matemática é mais eficiente para criar igualdade de oportunidades em um mundo digital do que apenas expandir ou subsidiar o acesso a dispositivos e serviços de alta tecnologia.

O excesso atrapalha

Em 2012, 96% dos estudantes de 15 anos de idade nos países que adotaram o sistema de avaliação da OCDE relataram ter um computador em casa, mas somente 72% relataram usar um na escola. No geral, os estudantes que usam computadores na escola moderadamente tendem a ter resultados de aprendizagem um pouco melhores do que os estudantes que usam computadores raramente. Mas os estudantes que usam computadores com muita frequência na escola vão muito pior, mesmo depois de levar em conta a origem social e a demografia do estudante.

“Os sistemas escolares precisam encontrar maneiras mais eficazes para integrar a tecnologia ao ensino e à aprendizagem para fornecer aos educadores ambientes de aprendizagem que suportem pedagogias do século XXI e ofereceram às crianças com as habilidades do século XXI o que elas precisam para ter sucesso no mundo de amanhã”, aponta Andreas Schleicher, Diretor de Educação e Habilidades da OCDE. “A tecnologia é a única maneira de expandir dramaticamente o acesso ao conhecimento. Para cumprir as promessas que a tecnologia faz, os países precisam investir de forma mais eficaz e garantir que os professores estejam na vanguarda da concepção e implementação dessa mudança”.

O relatório constatou que a diferença entre estudantes favorecidos e desfavorecidos no quesito leitura digital era muito semelhante às diferenças de desempenho no teste de leitura tradicional do Pisa, apesar de a grande maioria dos estudantes usar computadores independentemente de sua origem. Isto sugere que, para reduzir as desigualdades em competências digitais, os países primeiramente precisam melhorar a equidade na educação.

O teste

Para avaliar as suas competências digitais, o teste exigiu que os estudantes usassem um teclado e um mouse para navegar por textos usando ferramentas como hiperlinks, botões do navegador ou barra de rolagem para acessar informações, bem como fazer um gráfico a partir de dados ou usar calculadoras digitais.

Os que melhor se saíram foram estudantes de Cingapura, Coréia, Hong Kong, Japão, Canadá e Xangai. Isso reflete de perto seus desempenhos no teste de leitura impressa de 2012, o que sugere que muitas das habilidades essenciais para a navegação online também podem ser ensinadas e aprendidas usando técnicas padrão de leitura analógica.

Mas o relatório revela diferenças marcantes. Estudantes na Coréia e Cingapura têm um desempenho significativamente melhor online do que alunos de outros países com desempenho semelhante na leitura impressa, como Austrália, Canadá, Hong Kong, Japão e Estados Unidos. Em contraste, os estudantes na Polônia e em Xangai – com bons desempenhos na leitura impressa – vão pior quando precisam transferir as suas competências de leitura em papel para um ambiente online. [Phys.org, OECD]

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