10 teorias malucas sustentadas por fortes evidências

Na comunidade científica controvérsias são sempre bem-vindas. Quanto mais polêmica, melhor, principalmente quando hipóteses estão na fase de comprovação. É daí que vem a riqueza científica. De vez em quando isso também acontece com teorias já bem estabelecidas, quando novas tecnologias, conceitos e evidências jogam tudo o que eram considerados fatos comprovados para o alto e o processo de validação recomeça do início.

Veja 10 teorias malucas que podem não ser tão insanas assim:

10. Teoria de dispersão de Darwin


Um dos pontos mais controversos da teria evolutiva de Darwin é a explicação para a evolução semelhante de seres separados por enormes oceanos. Chamada de teoria de dispersão, ela sugere que alguns organismos – de bactérias a insetos e répteis – tenham ido de carona através dos oceanos. Isso pode ter acontecido em grandes blocos de gelo, em aglomerados de algas, em grandes troncos de árvore ou até em pedacinhos de tundra.

Outra teoria que era mais aceita para explicar este fenômeno é a da migração por antigas pontes. Mas um estudo publicado recentemente afirma que é mais provável que estes organismos tenham viajado de carona em objetos móveis do que atravessado pontes.

9. Como fulereno são formados


Fulerenos são uma forma alotrópica do Carbono também conhecidas como “bucky-bolas”. Eles são simétricos e com formato de bola de futebol formado por hexágonos interligados por pentágonos. Ele tem várias aplicações na bioquímica e medicina.

A teoria mais aceita sobre sua criação diz que a estrutura se forma naturalmente, um átomo de cada vez, como pecinhas de Lego. Já outra teoria mais controversa diz que ele resulta da quebra de estruturas atômicas maiores. Recentemente, alguns indícios de que a segunda teoria é mais provável foram observados. Foram descobertas versões ainda em formação e assimétricas das bucky-bolas a partir de estruturas maiores.

Isso é importante por causa da prevalência de bucky-bolas em pesquisas médicas. Por exemplo, íons radioativos presentes nos fulerenos já mostraram potencial para atacar tecido de câncer sem os danos associados aos tecidos saudáveis. A habilidade de produzir em grande número essas pequenas gaiolas de carbono pode revolucionar vários campos da medicina.

8. Homens evoluíram como presas


Em 2005, o professor de antropologia Robert Sussman publicou seu livro Man the Hunted (“Homem, a caça”, em tradução livre), que propôs que a humanidade se desenvolveu como presas, e não como caçadores. Nossos antepassados teriam se alimentado mais de vegetais e caçado apenas ocasionalmente, quando havia boas oportunidades.

O livro causou burburinho ao desafiar um paradigma antigo do desenvolvimento humano, mas sua teoria é apoiada pelo registro de fósseis e comportamento de animais modernos. Os dentes dos nossos ancestrais, por exemplo, eram retos e parecidos com os de animais herbívoros, e não pontudos como dentes de ursos, lobos e outros animais carnívoros.

O autor defende que começamos como herbívoros, mas que com a inteligência e cooperação do grupo conseguimos tapear os predadores. Para Sussman, a ideia de que sempre fomos caçadores foi disseminada pelo judaísmo e cristianismo, que retrata o homem como “assassino natural”.

7. Especiação simpátrica


Um dos pensamentos mais aceitos é que para que a especiação aconteça, é necessário haver uma separação geográfica entre membros de uma espécie. Com esta separação, cada uma segue o seu caminho na evolução, até que as diferenças são tantas que elas são consideradas espécies diferentes. Mas existe a teoria da Especiação Simpátrica, que é a separação genética de populações que habitam a mesma região geográfica. “Prátrica” vêm da palavra “pátria”, ou seja, “terra-mãe”.

Muitos cientistas não acreditam na possibilidade de duas espécies se diferenciarem no mesmo local, mas a descoberta de uma espécie de formigas brasileiras pode comprovar de uma vez por todas que a visão mais forte nem sempre é a correta.

Descoberta em um campus de uma universidade de São Paulo, essa espécie de formiga é irmã de outra que cultiva fungos para alimentação. Essa nova espécie é ligeiramente menor que a outra e desenvolveu asas. Um fato curioso sobre as novatas é que elas não gostam de trabalhar: ao invés de cultivar seus próprios fungos, elas roubam os cultivados pelas irmãs.

6. Pioneiros das Américas


De acordo com teorias tradicionais da ocupação das Américas, os primeiros seres humanos teriam atravessado o estreito de Bering, na ligação congelada entre a Rússia e Noroeste da América do Norte.

No entanto, uma descoberta arqueológica recente feita na costa leste do Canadá e EUA pode derrubar este conceito. Ferramentas de pedra foram encontradas na região, e além de serem milhares de anos mais antigas do que a suposta travessia, elas ainda são semelhantes às utilizadas pelos Solutreanos, habitantes da região em que hoje se encontra a Europa.

Os autores da “Teoria Solutreana” sugerem que os imigrantes europeus, e não os asiáticos, seguiram caminhos formados por gelo durante a Era do Gelo entre a Europa e o nordeste da América do Norte.

5. O olfato quântico


O pesquisador grego Luca Turin tenta convencer seus colegas há algum tempo de que o olfato humano é capaz de detectar átomos isótopos, aqueles cujos núcleos têm o mesmo número atômico mas diferentes números de massa. O nosso senso seria capaz de fazer tal coisa através das vibrações moleculares.

Um experimento conduzido em 2004 que envolveu acetofenona, um composto de oito átomos de hidrogênio que tem um cheiro adocicado e frutado, não obteve muito sucesso na missão de provar a hipótese. O mesmo experimento obteve um resultado melhor quando utilizou um composto diferente: ciclopentadecane.

O ciclopentadecane tem 28 moléculas de hidrogênio que podem ter diferentes localizações, e a equipe de Turin descobriu que os voluntários conseguiram identificar mudanças no cheio quando elas tinham localizações diferentes em mais da metade dos testes. A mudança molecular produziu um cheio de coisa queimada, segundo contaram os participantes.

Esta é a evidência mais forte até agora para apoiar a teoria de que o olfato não é apenas um fenômeno físico, mas também quântico, sendo que os receptores de odores não estão conectados ao formato da molécula, mas ao espectro vibracional dela.

4. Transferência de Alzheimer


A doença de Alzheimer é fortemente associada ao acúmulo de uma proteína no cérebro. Assim, pesquisadores têm teorizado sobre a possibilidade de se transferir a doença ao realizar um transplante de tecido de uma pessoa à outra. Isso significa que uma pessoa poderia “pegar” Alzheimer de um doador. Infelizmente, um estudo recente indica que isso é possível, e pede que exames mais rigorosos sejam feitos em doadores de órgãos.

O estudo examinou o tecido cerebral de oito pacientes que morreram de doença Creutzfeldt-Jakob, desordem rara e fatal que causa rápida degeneração com movimentos involuntários. Afeta um em um milhão de pessoas por ano, normalmente começando entre 50 e 70 anos. 90% das pessoas afetadas morrem em menos de um ano depois do diagnóstico. Os oito pacientes estudados haviam recebido doações de tecidos nervosos. Sete deles apresentaram a proteína associada ao Alzheimer em seus cérebros no momento da morte, independente da idade. Um deles tinha apenas 28 anos.

3. O oceano dentro da Terra


A descoberta de um pequeno minério chamado ringwoodita confirmou uma teoria popular, mas ridicularizada, de que existe um oceano abaixo da superfície da Terra. O único outro local que o minério já foi encontrado naturalmente foi em meteoritos.

Ostudos sugerem que o minério olivino se transforma no ringwoodita quando está sujeito a grande pressão do manto Terrestre. A água é 1,5% da composição do ringwoodita, no formato de íons de hidróxido, que é o resultado de intenso aquecimento e pressão e uma grande quantidade de água.

A descoberta de amostras naturais prova que não apenas o oceano abaixo da superfície da Terra existe, como seu volume pode ser o mesmo dos oceanos da superfície.

2. Teoria das cordas


Debatida frequentemente desde sua introdução na década de 1980, a teoria da corda diz que todo fenômeno natural, incluindo alguns que parecem incompatíveis, como gravidade e mecânica quântica, vêm das vibrações de minúsculas “cordas” que são energia pura.

Um grupo de pesquisadores está tentando provar a teoria por exclusão. Usando um tipo de tradutor de gravidade para mecânica quântica, eles conseguiram descobrir um conjunto de condições que toda teoria unificada deve ter – ou seja, que toda teoria que inclui tanto a mecânica quântica quanto a gravidade devem ter.

Eles descobriram que a única teoria quântica que produz o modelo de gravidade de Einstein envolve as cordas de energia. Apesar ser possível que nunca vejamos qualquer evidência física da comprovação da teoria das cordas, cientistas que a defendem dizem que a falta de outras alternativas significa que a teoria das cordas deve estar correta.

1. Multiverso


Este é um termo usado para descrever um hipotético grupo de universos, normalmente universos paralelos. Em 2014, o experimento feito no polo sul chamado Background of Cosmic Extragalactic Polarization 2 (BICEP2) parece ter confirmado a existência de ondas gravitacionais ao detectar pequenas ondulações no espaço-tempo.

Os pesquisadores propuseram então que se a existência de ondas gravitacionais poderia ser confirmada por estudos adicionais, isso poderia provar a teoria da inflação cósmica. Isso traz grande evidência para a existência do multiverso.

Quase todo modelo de inflação – a expansão gradual do universo – sugere que nosso universo observável é provavelmente apenas um pequeno bolsão de um espaço muito maior. Além disso, o Big Bang não teria sido um evento único, mas poderia ter acontecido repetidamente. As condições únicas que permitem a vida no nosso universo podem simplesmente ter surgido de infinitas chances. Universos infinitos se formariam dentro do multiverse, que podem ter leis de física completamente diferentes.

As ondas gravitacionais foram confirmadas em 2016. [Listverse]

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