Desvendando os segredos genéticos dos fungos

Publicado em 21.11.2011

Um dos reinos biológicos mais interessantes é o dos fungos, mas ainda assim sabemos muito pouco sobre ele. Talvez agora isso mude, com o esforço de cientistas para criar a primeira biblioteca genética de fungos ingleses.

Os fungos da Fazenda Deer Park, em Devon, promovem um evento de cores antes do inverno chegar. Eles existem em diversas formas: dos vermelhos, que parecem saídos direto de contos de fantasia, até os esguios, que parecem tentáculos saindo do solo.

Nos campos íngremes da fazenda inglesa, alguns fungos raros atraíram a atenção de cientistas do Jardim Botânico Real de Kew, em Londres, que estão coletando amostras de DNA para análise em laboratório. Com isso, vão fabricar uma biblioteca genética dos fungos do país, começando com esses espécimes raros.

O pesquisador de Kew, Martyn Ainsworth, afirma que “é um reino enorme, e relativamente pouco explorado e estudado”.

“Acredito que isso acontece porque, cientificamente, eles são muito difíceis de trabalhar. Podemos criar alguns em laboratório, mas há muito mais espalhados no campo, e alguns dos mais importantes comercialmente nós não podemos criar em laboratório”, comenta.

Mas os fungos, que estão entre as plantas e os animais na árvore da vida, são os ajudantes invisíveis do nosso ambiente: eles reciclam a matéria excretada e morta, e alimentam plantas com água e nutrientes.

Uma pergunta básica que a equipe está tentando resolver com a biblioteca genética é quantas espécies existem.

Atualmente, a Inglaterra deve conter entre 12 e 20 mil espécies, mas o micologista de Kew, Bryn Dentinger, está tentando encontrar a sequencia única de genes que vai ajudar os pesquisadores a obter um número mais correto.

“Por sua natureza disfarçada, os fungos são muito difíceis de identificar apenas pela morfologia. Mas agora, com as técnicas genéticas, nós finalmente temos as ferramentas para diagnosticar quantas espécies existem de maneira mais rápida”, comenta.

Pesquisas antigas já sugeriam que alguns cogumelos considerados espécies únicas eram na verdade duas ou mais espécies.

Mas, mesmo com a aparente abundância, cientistas estão preocupados com o futuro de algumas espécies de fungos. A destruição dos habitats e a poluição de nitrogênio oriunda dos fertilizantes estão causando sérios problemas.

Futuro dos fungos

Os donos da fazenda Deer Park, Audrey e John Compton, afirmam que quando compraram o local, há 10 anos, os campos eram cheios de fungos.

“Temos campos muito antigos por aqui; eles não foram arados, o terreno é ruim para um trator, não foram fertilizados, não há pesticidas… então, eles são mais ou menos como a natureza quis”, comenta John. “E, contanto que seja mexido apenas o suficiente, teremos lindas flores de verão e fungos de outono”.

Os pesquisadores de Kew afirmam que o aprofundamento do DNA vai ajudar a conservá-los – porque se não sabemos quantas espécies temos, como vamos acompanhar as que estão sumindo?

O Dr. Dentinger afirma que a biblioteca genética poderia levar décadas para ficar pronta, mas o esforço vale a pena. “A diversidade total dos cogumelos é um número difícil de se determinar – 700 mil até 5 milhões. E a biblioteca molecular moderna está indicando os números mais altos”, explica. “É muita coisa por aí, e o único modo de fazermos isso é com o mapeamento genético”.[BBC]

Autor: Bernardo Staut

é estudante de jornalismo e interessado por povos, culturas e artes.

Quer copiar nosso texto? Siga estas simples instruções e evite transtornos.
Compartilhe este artigo

2 Comentários

  1. Quando souber que tipo de vida são, me avise!

    Quanto a pesquisa,concordo plenamente contigo José.

    Thumb up 0
  2. É uma iniciativa muito importante,pois os fungos guardam segredos e possibilidades que poderão ser de grade utilidade para a medicina,a saúde e industria .Como sempre digo,precisamos aproveitar e principalmente,respeitar a natureza pois ela sabe e tem quase tudo que precisamos.

    Thumb up 3

Envie um comentário