Cientificamente, fantasmas podem ser reais?

Se você acredita em fantasmas, certamente não está sozinho. Eles estão entre os fenômenos paranormais mais bem aceitos, e existem em culturas de todo o mundo.

A ideia de que os mortos permanecem conosco em espírito é antiga, aparecendo em inúmeras histórias, da Bíblia a Shakespeare. Ela faz parte de uma teia maior de crenças paranormais, incluindo a experiência de quase-morte, a vida após a morte e a comunicação espiritual.

Talvez seja uma ideia tão amplamente difundida porque oferece conforto às pessoas: quem não quer acreditar que nossos amados falecidos estão olhando para nós, ou conosco em nossos momentos de necessidade?

O início da busca

A busca por fantasmas é antiga. Clubes dedicados à procura de evidências fantasmagóricas formaram-se em universidades de prestígio, incluindo Cambridge e Oxford, centenas de anos atrás.

Em 1882, a organização mais proeminente, a Society for Psychical Research, foi criada. Uma mulher chamada Eleanor Sidgwick se tornou uma investigadora (e mais tarde presidente) desse grupo, e pode ser considerada a “ghostbuster” original. Nos Estados Unidos, no final dos anos 1800, muitos médiuns psíquicos alegaram falar com os mortos – mas foram posteriormente expostos como fraudes por céticos como Harry Houdini.

Uma dificuldade em avaliar cientificamente fantasmas é que uma surpreendentemente ampla variedade de fenômenos é atribuída a eles, de uma porta fechando-se por conta própria a chaves perdidas a uma área fria em um corredor a uma visão de um parente morto.

Quando os sociólogos Dennis e Michele Waskul entrevistaram pessoas que supostamente “viram” fantasmas para seu livro de 2016 “Ghostly Encounters: The Hauntings of Everyday Life” (Temple University Press), eles descobriram que “muitos participantes não tinham certeza de terem encontrado um fantasma e permaneceram inseguros de que tais fenômenos fossem até mesmo possíveis, simplesmente porque não viram algo que se aproximasse da imagem convencional de um ‘fantasma’. Em vez disso, muitos dos nossos entrevistados estavam simplesmente convencidos de que haviam experimentado algo estranho – algo inexplicável, extraordinário, misterioso”.

A falta de definição

Experiência pessoal é uma coisa, evidência científica é outra. Parte da dificuldade em investigar fantasmas é que não há uma definição universalmente estabelecida do que é um fantasma.

Alguns acreditam que são os espíritos dos mortos que, por qualquer motivo, se “perderam” no caminho para o Outro Lado; outros afirmam que os fantasmas são, em vez disso, entidades telepáticas projetadas para o mundo por nossas mentes. Ainda outros criam suas próprias categorias especiais para diferentes tipos de fantasmas, como poltergeists, assombrações, espíritos inteligentes etc.

Isso é como especular sobre diferentes raças de fadas ou dragões: há tantos tipos de fantasmas quantos você quer que existam.

Existem muitas contradições inerentes às ideias sobre fantasmas. Por exemplo, eles são materiais ou não? Eles podem mover-se através de objetos sólidos sem perturbá-los, ou eles podem fechar portas e jogar objetos através da sala? De acordo com a lógica e as leis da física, é uma coisa ou outra.

Também, se os fantasmas são almas humanas, por que aparecem vestidos e com objetos inanimados (presumivelmente sem alma) como chapéus e bastões – para não mencionar os muitos relatos de trens, carros e carruagens fantasmas?

Não é ciência

Caçadores de fantasmas usam muitos métodos criativos (e duvidosos) para detectar presenças dos espíritos, muitas vezes incluindo psíquicos.

Praticamente todos os caçadores de fantasmas dizem ser científicos e a maioria dá essa aparência porque usa equipamentos de alta tecnologia como contadores Geiger, detectores de campos eletromagnéticos (EMF), detectores de íons, câmeras infravermelhas e microfones sensíveis.

No entanto, cientificamente, não está provado que nenhum destes equipamentos pode realmente detectar fantasmas. Durante séculos, as pessoas acreditavam que as chamas se tornavam azuis na presença de fantasmas. Hoje, poucas pessoas aceitam esse “fato”, de forma que é provável que muitos dos sinais tomados como evidência pelos caçadores de fantasmas de hoje sejam vistos como igualmente errados séculos depois.

Outros pesquisadores afirmam que a razão pela qual a existência de fantasmas não foi provada é que simplesmente não temos a tecnologia certa para detectar o mundo espiritual. Isso não parece ser correto: se os fantasmas existem e aparecem em nosso mundo físico, devem poder ser detectados nesse mesmo mundo. Se os fantasmas existem, mas não podem ser cientificamente detectados ou gravados, então todas as fotos, vídeos, áudios e outras gravações alegadas como evidência de fantasmas não podem ser fantasmas.

Com tantas teorias contraditórias básicas – e tão pouca ciência envolvida -, não é surpreendente que, apesar dos esforços de milhares de caçadores de fantasmas durante décadas, não tenha sido encontrada uma única boa evidência de fantasmas.

Mas também não é sobre ciência

Muitas pessoas acreditam em fantasmas por causa de alguma experiência pessoal, seja porque cresceram em uma casa onde a existência de espíritos (amigáveis) era considerada normal, seja porque tiveram alguma experiência estranha que não puderam explicar.

No entanto, também existem muitas pessoas que acreditam que a existência de fantasmas pode ser confirmada pela física moderna. É amplamente alegado que Albert Einstein sugeriu uma base científica para a realidade dos fantasmas, ligada à Primeira Lei da Termodinâmica: se a energia não pode ser criada ou destruída, pode apenas mudar de forma, o que acontece com a energia do nosso corpo quando morremos?

Parece uma suposição razoável, mas a resposta é mais simples que “viramos fantasmas”. Depois que uma pessoa morre, a energia de seu corpo vai para onde a energia de todos os organismos vai após a morte: para o ambiente. Ela é liberada sob a forma de calor, e transferida para os animais que nos comem (animais selvagens se nossos corpos não são sepultados, ou vermes e bactérias se formos enterrados) e as plantas que nos absorvem.

Enquanto os caçadores de fantasmas amadores gostam de se imaginar na vanguarda da pesquisa sobre fantasmas, eles estão realmente envolvidos no que os folcloristas chamam de ostensão, uma forma de representação em que as pessoas “encarnam” uma lenda.

Se os fantasmas forem reais, então sua existência será descoberta e verificada pelos cientistas por meio de experimentos controlados. Mas, em última análise, a caça aos fantasmas não é sobre evidências científicas (se fosse, a busca teria sido abandonada há muito tempo). Em vez disso, trata-se de se divertir com os amigos, contar histórias e procurar o desconhecido. [LiveScience]

Por: Natasha RomanzotiEm: 18.05.2017 | Em Mistérios, Principal  | Tags: , ,  
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