Mito: tomar óleo de peixe na gravidez torna os bebês mais espertos?

Publicado em 9.11.2010

Todo mundo já ouviu falar, alguma vez na vida, sobre os benefícios de comer peixe, especialmente pelos ácidos graxos ômega-3, que deixam as pessoas mais “inteligentes”.

Da mesma forma, muitas mulheres tomam suplementos de óleo de peixe durante a gravidez, incentivadas por médicos que, confirmando a visão popular, dizem que um ingrediente do óleo, um ácido graxo ômega-3 chamado ácido docosahexanóico, ou DHA, é benéfico para o desenvolvimento cognitivo do bebê.

Porém, um estudo com mais de 2.000 participantes não mostrou ligação nenhuma entre o óleo de peixe e alguma vantagem cognitiva para os bebês. O estudo também não encontrou provas de que o DHA possa reduzir a depressão pós-parto, exceto, talvez, para mulheres já com risco alto para a condição.

Os resultados contrariam estudos anteriores que afirmaram que o DHA podia ajudar no desenvolvimento cognitivo do bebê. Segundo os pesquisadores do estudo recente, as pesquisas passadas eram muito pequenas ou observaram pessoas que já ingeriam óleo de peixe, e que, portanto, poderiam ser mais preocupadas com a saúde.

Os cientistas concordam que o DHA, naturalmente transmitido ao feto através da placenta na última metade da gravidez, é importante, provavelmente para o desenvolvimento visual e cerebral das crianças. Vários estudos indicam que bebês nascidos prematuramente receberam pouco DHA, e alguns estudos descobriram que bebês prematuros alimentados com DHA após o nascimento mostraram um melhor desempenho cognitivo ou coordenação visual mais tarde.

Porém, os médicos não acreditam que o DHA seja milagroso. Não existe uma “pílula” para deixar as crianças mais espertas.

No novo estudo, que incidiu particularmente sobre bebês nascidos dentro do tempo normal, as mais de 2.000 participantes receberam ou óleo de peixe com DHA ou placebo, e os pesquisadores não encontraram nenhuma diferença cognitiva entre os bebês em 18 meses. Isso sugere que bebês não-prematuros já recebem DHA suficiente no útero, e que não há nenhuma “vantagem extra” ao ingerir mais óleo de peixe.

No entanto, vários especialistas disseram que vão continuar a apoiar a ingestão de DHA durante a gravidez, especialmente porque é segura e, aparentemente, tem poucas desvantagens.

Um estudo de 2003 descobriu que o DHA aumentou o QI de crianças de 4 anos, embora nenhum benefício cognitivo foi observado em recém-nascidos ou crianças com 7 anos de idade. O estudo sugeriu que talvez o benefício demonstrado na idade de 4 também existia na idade de 7, mas foi difícil de identificar em meio a outros fatores de desenvolvimento.

Ou seja, pode ser que a pesquisa recente não tenha mostrado nenhum benefício em 18 meses de idade porque os efeitos nas crianças são “difíceis de medir”, ou porque o benefício do DHA não é tão importante como quando a criança tem 4 anos. Dessa forma, a equipe do novo estudo tem planos para avaliar os bebês aos 4 e aos 7 anos.

Enquanto esse estudo não for finalizado, muitos médicos vão continuar recomendando o DHA, porque ainda não foi provado que ele não realmente não traz nenhum benefício aos bebês, e como não há desvantagens na sua ingestão, o óleo pode ser útil pelo menos para reduzir o risco de nascimentos prematuros e depressões pós-parto.

Ainda assim, muita coisa sobre o DHA é desconhecida. Seu efeito em suplementos para crianças e adultos está sendo estudado, bem como se os suplementos oferecem o mesmo benefício que as próprias fontes do DHA, por exemplo, peixes como o salmão. [NewYorkTimes]

Autor: Natasha Romanzoti

tem 24 anos, é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.

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