Música tribal em instrumentos exóticos: conheça o Gubal e o Hang

Eles parecem discos voadores, mas na verdade são instrumentos musicais. Com um som que mistura bateria, teclado e música indiana, estes são o Hang e o Gubal, dois instrumentos da classe idiofone (aqueles em que o instrumento é o próprio elemento vibratório que produz o som) criados na Suíça. A história e a música deles é a mistura da modernidade com o som das tribos orientais.

Tudo começou em novembro de 1999, quando o Ghatam, um instrumento musical do sul da Índia, encontrou a família de instrumentos de Pang da Panart, uma empresa suíça. O resultado foi um novo tipo de instrumento: o corpo elástico, cilíndrico e de ressonância metálica do Steelpan misturado com o vaso de argila dura do Ghatam.

A princípio, os sintonizadores da Panart chamaram este instrumento híbrido de Ghatpan, mas logo perceberam que ele era realmente algo inteiramente novo. Esta novidade foi chamada de Hang (“mão” no dialeto Bernese, falado na região oeste dos Alpes Suíços), porque este receptáculo altamente sensível tinha que ser tocado com as mãos para criar toda a gama de seu som.

Em um processo de desenvolvimento que durou 14 anos nasceu o Gubal, uma evolução do Hang, com uma espécie de caixa localizada em sua parte inferior capaz de produzir notas baixas. Hermann Helmholtz, renomado especialista em acústica, criou ressonadores esféricos com caixas parecidas para analisar e ajustar sons e instrumentos 150 anos atrás. O mecanismo físico é nomeado Ressonância de Helmholtz. Hoje ele é usado para amortecer os sons de baixa frequência indesejáveis nos ambientes.

O Gubal é uma extensão deste mecanismo usado para fins musicais. Seu “pescoço” é mais elástico – essencial para fazer o ar oscilar de forma eficiente. A diferença essencial entre o Gubal e o Hang, segundo os fabricantes, é que “o Hang não solicita nenhuma técnica para ser tocado. O Gubal, por outro lado, desafia o instrumentista a tirar a música da parte mais profunda de seu corpo”.

Severin Berz é um tocador de Hang e usa o instrumento para fins terapêuticos. Quando passou a tocar Gubal, teve dificuldades. “No início, foi bastante difícil. Percebi que eu estava tentando tocar o Gubal como se fosse um Hang. Eu não poderia fazê-lo ressoar e soar do jeito que eu tinha imaginado. Depois de um certo período de tempo, algo mudou. Isso aconteceu porque eu comecei a me aproximar do Gubal mais fisicamente. Eu já fiz isso com o Hang, mas não poderia transpor a energia. Eu tive que transformar e reduzir esta energia, assim como um transformador elétrico faz”, explica.

Mas valeu a pena. Segundo ele, o Gubal é capaz de levá-lo da extrema tranquilidade a um poder rítmico constante, desde a lentidão até a velocidade, sem perder a intensidade e a precisão.

Esta transmissão imediata e transferência direta de energia em som faz com que seja muito mais difícil de tocá-lo, “porque é uma verdadeira expressão daquilo que eu transmito”, conta Berz. “O Gubal é um instrumento que tem que ser tocado de forma integral, você tem que vivê-lo! Porque ele segue o instrumentista imediatamente onde quer que ele vá – seja em harmonia, beleza, virtuosismo, no poder ou na sutileza, mas também no caos, na dissonância ou na pressa, graças ao contraste dos baixos e às ressonâncias precisas e claras”.

O Gubal oferece uma ampla gama extraordinária de sons, em todas as direções, dos graves aos agudos. No vídeo abaixo, você pode ver os dois instrumentos sendo tocados. Primeiro o Hang, depois o Gubal. [Hang&Gubal]

Por: Jéssica MaesEm: 4.05.2014 | Em Principal  | Tags: ,  
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