Por que temos diferentes tipos sanguíneos?

Publicado em 4.10.2011

Os diferentes tipos sanguíneos humanos provavelmente surgiram para afastar as doenças infecciosas. A incompatibilidade de alguns tipos de sangue, no entanto, é apenas um “acidente” da evolução. Mas esse é um problema relativamente recente, já que a transfusão de sangue existe a apenas algumas centenas de anos.

Existem quatro tipos sanguíneos principais. O mais antigo é o B, que deve ter se originado há cerca de 3,5 milhões de anos – existia antes mesmo de a espécie humana ter evoluído de seus ancestrais hominídeos, a partir de uma mutação genética que modificou um dos açúcares que ficam na superfície das células vermelhas do sangue.

Aproximadamente 2,5 milhões de anos atrás, mutações inativaram o açúcar, originando o sangue do tipo O, que não tem nem o açúcar do tipo A nem do B. O sangue AB, como é fácil supor, é coberto tanto pelo açúcar A como pelo B.

Esses açúcares fazem com que alguns tipos de sangue sejam incompatíveis entre si. Se for feita uma transfusão de sangue com um doador de sangue do tipo A para uma pessoa com o tipo B, o sistema imunológico do receptor reconheceria o invasor e começaria um ataque – essa reação imunológica poderia matar o indivíduo.

O sangue do tipo O negativo é conhecido como o “doador universal” porque não tem as moléculas que podem provocar essa reação (o “negativo” significa que ele não tem outro tipo de molécula na superfície, conhecida como o fator Rh).

A principal causa evolucionária dos variados grupos sanguíneos parece ser as doenças. Por exemplo, a malária parece ser a principal força seletiva por trás do tipo O. Esse tipo sanguíneo é mais prevalente na África do que em outras partes do mundo, e se acredita que esse sangue carrega algum tipo de vantagem evolutiva.

A vantagem parece surgir no sentido de que as células infectadas com malária não aderem bem aos tipos sanguíneos O ou B. Células sanguíneas infectadas com malária são mais propensas a ficar nas células com o açúcar A, formando aglomerados conhecidos como “rosetas”, que podem ser fatais quando se originam em órgãos vitais, como o cérebro.

Por outro lado, as pessoas com sangue tipo O podem ser mais propensas a outras doenças. Por exemplo, essas pessoas são conhecidas por serem mais suscetíveis a serem atingidas pela bactéria Helicobacter pylori, que provoca úlceras.

Entretanto, os cientistas ainda não sabem se algum tipo de doença em específico provocou os diferentes tipos de sangue dos humanos. [Life'sLittleMysteries]

Autor: Stephanie D’Ornelas

É estudante de jornalismo, adora um café e um bom livro. Curte ciência, arte, culturas e escrever, mesmo que sejam poesias para guardar na gaveta.

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20 Comentários

  1. essa é uma explicação bem básica , devemos correr atras de mais informações sobre nosso tipo sanguineo…

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  2. Eu sei lá qual o meu tipo, talvez A.
    Pelo o que vejo desde a história eles dizem que o primeiro foi B.
    Bem então certamente deve ter avido outras evoluções em certos seres humanos que possam ter originado várias transformações.
    Por um lado isto é teoria minha, mas ou é evolução, ou mutação.

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  3. excelente matéria. Quem quer saber mais que vá pesquisar porque o básico ai está. Este espaço é jornalistico, não é para cientistas…Só senti falta de uma citação à tese de que a seleção do tipo sanguineo tem a ver com a alimentação dos primeiros povos…Os que logo se organizaram em colonias e plantaram teriam um perfil sanguineo que se ajustou ao consumo maior de carboidratos; ao contrário, os que privilegiavam a caça e rico consumo de proteinas, outro perfil, etc, etc

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    • ops positivo

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  4. Eu ainda não entendi a pertinência da discussão sobre acaso ou não, se o artigo, aparentemente, não traz isso. Ele se quer mencionou quem veio primeiro, se o açúcar do sangue tipo O ou o primeiro sangue infectado pelo Plasmodium. O interessante é que, de alguma forma, o sangue com tipo O, é mais prevalente na África, onde existem índices altíssimos de malária. E a isso não cabe discussão porque é evidência. É necessário, dentre outros estudos, fazer estudos populacionais longitudinais para que se ajude a responder perguntas sobre o acaso.
    1. Na África existem altos índices de malária devido a alta prevalência de sangue tipo O? Nesse caso, sabe-se que apenas um tipo de Plasmodium existe por lá. Este, por sua vez, pode muito bem ter sobrevivido por ser o único a conseguir contaminar células de sangue tipo O!!! O autor da reportagem não mencionou em nenhum momento o tipo de Plasmodium utilizado no experimento. E aí, cabe a pergunta acima.
    2. Ou o sangue tipo O é mais prevalente nesse continente porque constitui um fator protetor contra a doença, se tornando um fator positivo de seleção natural?
    Reflitam!

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    • A questão do “acaso” surgiu em sequencia de um comentário que fiz.
      Conversa puxa conversa e …

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  5. Como é que a ciência monta uma teoria da evolução tão complexa e tão taxativa e não sabe explicar porque temos diferentes tipos de sangue?

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    • Bem, isso partindo por principio de que a explicação para a teoria da evolução é a correcta…

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  6. Esta explicação dos vários tipos de sangue é interessante.
    Mas… e se os tipos de sangue não tiverem origem num sistema de protecção contra doenças e sim… no acaso?

    É que nós, Humanos, temos a mania de arranjar explicações para tudo e por vezes pode não haver uma explicação lógica. Pode ser tudo obra do acaso.

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    • ACASO é sempre a desculpa que arranjamos quando não sabemos explicar alguma coisa.
      Mas no mundo, nada acontece por acaso.
      Todo EFEITO tem uma CAUSA e toda CAUSA tem seu EFEITO.

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    • Eu não estou a usar o acaso como desculpa.
      Naturalmente que para um efeito há uma causa… ou não LOL.
      Quero dizer que nem sempre aquilo que julgamos ser é. Nem todas as respostas que temos para explicar algo são a resposta certa.
      Naturalmente que as diferenças sanguíneas têm uma origem. Um motivo.
      E se esse motivo tem a ver com a origem de cada linhagem Humana e não, por exemplo, com as protecções contra doenças?

      Será que podemos ir por essa linha de raciocínio ou temos de nos cingir aos dogmas da ciência (e dos cientistas)?

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    • Fernando Ramos
      Opto por sua consideração acerca das linhagens humanas, por entendê-las com um viés mais científico, e que converge com a correta menção de Bovidino, sobre causas e efeitos, pois ciência não pode lidar com “acaso”. Concordo com Bovidino, pois eis que alguns pesquisadores, sem nem ao menos ficarem vermelhos, diante de algo que não consigam explicar, lançam mão do impossível acaso.
      Não coincidentemente, creio na existência de três linhagens básicas, todas igualmente importantes, mas deixo bem claro que sou criacionista, ou seja, creio no que está escrito no Gênesis, sobre a criação de Adão, que procriou com Eva, dois FILHOS.
      Se me permite sugerir, siga em sua tese das linhagens diferentes, ela é bem mais interessante. Realmente não existe acaso, talvez nem mesmo em relação a uma folha que neste momento esteja rumo ao solo, após ter sido solta do galho de uma árvore.
      Tudo de bom para vocês.

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    • Caro Dorival, respeito a sua ideologia, mas devo-lhe dizer que esta minha opinião não se baseia em questões religiosas mas sim em alguma lógica.

      Por outro lado custa-me a acreditar, com todo o respeito, que o senhor acredite na questão de Adão e Eva.
      A história de Adão e Eva é uma imagem figurativa que a Igreja encontrou para “explicar” a origem do Homem. Isso mesmo foi já esclarecido à tempos pela Igreja.

      Quando me referi a várias linhagens queria dizer que a partir de uma origem (do Homem) houve uma ramificação genética, por algum motivo e esse motivo pode ter sido o acaso.

      Essa sua característica sanguínea protegeu-os de algumas “doenças” e não as doenças terem originado o tipo sanguíneo.

      Mas isto é apenas uma opinião que vale o que vale, como a sua.

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    • Fernando, provavelmente foi por acaso que surgiu um ou outro tipo sanguíneo, mas a predominância dele não é casual, é resultado da seleção natural. E é aí que reside a explicação “isto é assim por este motivo”. Não é que o sangue sofreu mutação para dar conta da doença que havia, mas que a mutação surgiu e quem a possuía tinha vantagem na luta contra a doença, e acabou tendo mais descendentes, o que aumentou a frequência daquele gene na população ou “pool genético” da espécie.

      O problema maior é que as palavras escolhidas nos artigos de divulgação científica são muito infelizes, as descrições que dão dos fenômenos também são infelizes, faz parecer que a espécie reagiu de propósito contra a doença, e criou uma adaptação para ela, quando na verdade o que aconteceu foi que, entre as mutações que aconteceram (cada pessoa nasce com 60 mutações, em média) uma delas deu vantagem no combate à doença, e acabou predominando naquela população, por que seus portadores tinham vantagens na seleção natural causada pela doença.

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    • César, compreendo a sua ideia e concordo que é um ponto com alguma intervenção na predominância de um tipo de sangue. Mas não é o sangue que determina a selecção natural, como deve entender. São muitos outros factores externos que o faz.

      Mas compreendo o que quis dizer.

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  7. Tipo A: de anta
    Tipo B: de bicha
    Tipo AB: de aberração
    Tipo O: de ogro
    Vários estudos “conclusivos” a respeito da tipagem sanguinea têm demonstrado muitas falhas e não raramente preconceito. No presente caso há histórias merecedoras de comprovoção, ainda que pareçam fortes os indícios. Especialmente quando se fala de malária e H.Piloris, não parece correto.

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    • Eu sempre sou que eu era uma aberração!

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