Encontrados os planetas mais parecidos com a Terra

Publicado em 21.04.2013

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Como é possível saber quais planetas no universo têm mais chances de serem habitados? O critério mais forte para fazer essa busca é lógico: semelhanças com a Terra. Procuram-se planetas onde as características como tamanho, composição física e distância para a estrela central mais se pareçam com as condições que temos aqui. Nesta semana, foram identificados dois corpos celestes que parecem se encaixar quase perfeitamente neste perfil.

A sonda espacial Kepler, que já descobriu mais de 100 planetas para além do sistema solar desde seu lançamento em 2009, é a responsável pela descoberta da vez. A 1.200 anos-luz da Terra, o telescópio rastreou cinco planetas circundando uma estrela chamada Kepler-62.

Dois destes planetas (batizados de Kepler-62e e Kepler-62f) chamaram a atenção dos pesquisadores da NASA. Segundo eles, as dimensões de tais planetas, a distância entre eles e da estrela Kepler-62, além das características da própria estrela, sugerem que possa haver água em estado líquido em sua superfície – atributo tratado como fundamental na busca por vida fora da Terra.

Das semelhanças

A estrela Kepler-62 tem algumas diferenças em relação ao sol. Situada na constelação Lyra, é um pouco mais velha, mais fria e menor do que a nossa estrela central. Já os planetas Kepler-62e e Kepler-62f têm sido chamados pelos astrônomos de “Super-Terras”, já que são cerca de uma vez e meia maiores do que o nosso planeta.

A distância que os separa da Kepler-62 é menor do que a existente entre a Terra e o sol. Contudo, como a Kepler-62 não emite tanta energia como nosso astro, o calor que chega aos planetas acaba sendo equivalente. Os cientistas esperam que os exoplanetas tenham composição rochosa, como a Terra, ou de gelo. A hipótese descartada é que sejam de formação gasosa.

Das suposições

Devido aos infinitos 1.200 anos-luz que nos separam da Kepler-62, é impossível dizer muita coisa com a tecnologia de que dispomos hoje. Para imaginar que os planetas recém-descobertos talvez sejam de fato habitados, os cientistas precisam fazer algumas “concessões”.

É preciso assumir, com base em indícios como o raio dos Kepler-62e e Kepler-62f, que sejam de fato rochosos. Sendo rochosos, eles precisariam conter água e dióxido de carbono (CO2) em sua atmosfera, para que haja condições mínimas para a água estar em estado líquido.

Neste ponto, surge uma diferença entre os dois novos planetas. O Kepler-62f, mais distante da estrela, precisaria de mais gás carbônico para segurar a temperatura interna, o que evita que a água congele. Mais próximo do astro central, o Kepler-62e não tem a mesma demanda.

Dado o alto número de incertezas, os cientistas só poderão fazer afirmações mais precisas no futuro, quando puderem contar com telescópios mais potentes. [BBC / The New York Times]

Autor: Stephanie D’Ornelas

É estudante de jornalismo, adora um café e um bom livro. Curte ciência, arte, culturas e escrever, mesmo que sejam poesias para guardar na gaveta.

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12 Comentários

  1. Matéria muito boa!!!

    Porém, tenho uma dúvida.
    Meu peso aqui na terra é de 88 kg. Fazendo os cálculos (não sei se estão corretos) meu peso em um desses planetas seria de pouco mais de 200 kg. Considerando que isso influencia além de tudo no sistema circulatório, nós poderíamos viver em um planeta desses?
    Obs.: Sei que a intensão é de provar vida fora da Terra :D

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  2. Pois bem, digamos que a Kepler ou outro dispositivo qualquer comprove que pelo menos um dos planetas seja rochoso, tenha atmosfera com gases de efeito estufa tal permita água liquida na superficie e, finalmente descubram que existe água na atmosfera e portanto, provavelmente tenha água líquida na superficie.
    Cada uma dessas descobertas serima “estonteantes” por si!! Porém, mesmo somadas, essas descobertas não seriam suficientes para comprovar que existe vida no planeta!
    E qual seria a forma de comprovar a existência de vida naquela planeta?
    Minha opinião, a forma mais facial de se comprovar seria pela composição da atmosfera. A composição da atmosfera poderia ser determinada por alguma tecnica de absorção atômica, desde que, a luz de uma estrela passe pela atmosfera do planeta e chegue a um istrumento.
    Mas o que na atmosfera do planete poderia comprovar a existencia de vida? Na minha opinião, Oxigenio!
    O Oxigenio é um elemento muito reativo, que se combina facilmente com muitos outros, formando óxidos ou água. Assim, ele deixa de existir como O2. Logo, se ainda existe Oxigenio na atmosfera, significa que o Planeta tem uma suprimento continuo que repoe o que vai ser consumido. E a unica fonte significativa de O2 a partir de Oxidos ou Água é a…Vida!

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    • Oxigênio é um bom indicador, mas existem outros significativos: CO2 e Metano, que por engraçado que seja, é produzido pela flatulência animal e pela atividade industrial – a título de conhecimento, na época dos dinossauros a flatulência animal produziu perto do equivalente a atual atividade industrial humana. Hoje, os principais flatulentos são bovinos, cuja grande população é, no entanto, uma consequência direta da nossa atividade pecuária. :D

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    • Pois é.
      Mas Titã tem uma atmosfera, rios e até lagos de Metano e, a principio, não tem vida lá. Ou seja, a presença de Metano pode ou não ser decorrente de atividade biológica.

      Da mesmo forma, a atmosfera de Venus é constituida basicamente por CO2.

      A minha tese é que o Oxigenio (O2) por ser muito reativo ele desapareceria das atmosferas dos planetas pois acabaria se transformando em Oxidos, CO2 e Água com o tempo, dependendo da composição química do planeta.
      Se no planeta tiver Hidrogenio, Hidrocarbonetos, Metais ou rochas, o O2 some da atmosfera em relativamente pouco tempo. A menos que o planeta tenha um suprimento continuo de O2.

      E minha segunda tese, esse “supridor continuo de O2″ só pode ser a vida. Não há outra possibilidade.

      Forcei um pouco, mas a ideia é dabater.

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    • Na verdade Walter, você está certo, mas a questão é ocasião: Um Planeta com presença de uma parcela Metano na atmosfera estando na Zona Habitável do Sistema é que é interessante: Em Titã, Netuno, Tritão, o Metano e o Azoto são *substanciais da atmosfera e da natureza, muita massa dele*, longe do Sol, esse elemento se forma espontaneamente e chega a compor a massa da superfície de Planetas Anões, os lagos de Titã e assim a presença nessas atmosfera é espontânea, mais que esperada, está incrustado na natureza deles.
      É suas presenças inesperadas na atmosfera de um Planeta Terrestre Rochoso que chamam atenção *o metano não é substancial na nossa atmosfera, ele não pertence a elite de gases que saturam um Planeta mais quente e perto da estrela – CO2, O, N, e Argonio* – claro, isso não exclui a possibilidade de haver outras fontes, como o vulcanismo, por exemplo, ele também produz CO2 e CH4 (metano), mas a possibilidade de seres vivos o produzindo ainda está presente, e por isso é bom indício.
      A Terra já tinha vida quando a atmosfera era inabitada de Oxigênio, foi a evolução dos seres da fotossíntese que a povoou do O2, por isso sua ausência não exclui a possibilidade de Vida.
      No Sistema Solar, três mundos nasceram povoados de muito Carbono e Oxigênio, e provavelmente tiveram oceanos, e assim alguma compatibilidade com vida. Chamo de irmãos terra :). Vênus, Marte e a Terra – Marte já meio que certamente, Vênus ainda em análise, mas em ambos algo não deu certo, um perdeu atmosfera e outro a saturou, um congelou e o outro superaqueceu – ambos perderam a habitabilidade, o campo magnético e possíveis oceanos – e vida. Dos três irmãos, apenas um venceu o azar, o nosso. :)

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    • Fechou.
      A ausência de O2 não significa ausência de vida. Mas a presença de O2 na atmosfera seria um indicio fortíssimo de presença abundante de vida no planeta. E com um pouco de sorte, o O2 pode ser detectado a partir, por exemplo, de um instrumento na Órbita da Terra.

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  3. Grande descoberta.

    Mais um iportante passo na busca de vida extra-terrestre. Acho que ainda estamos longe de anunciar a descoberta de outro planeta que abriga vida, mas estamos caminhando firme e forte nessa direção.

    Pena que os planetas estejam tão longe (1200 anos luz) o que dificulta muito a realização de estudos “comprobatórios”.

    Espero que pelo menos eles orbitem num plano que produza alguns trânsitos dos planetas pela estrela o que possibilitaria determinar a composição de atmosfera. Imagina se encontratem Oxigênio!!!

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