Teletransportar humanos é (muito) mais difícil do que imaginávamos

Publicado em 5.08.2013

teletransporte gif animada

Um dos grandes sonhos dos fãs de ficção científica, o teletransporte de pessoas é algo tão absurdo que, mesmo se considerarmos o potencial da ciência, apresenta uma série de obstáculos intransponíveis (pelo menos a princípio), três dos quais foram destacados por estudantes de física da Universidade de Leicester (Inglaterra): tempo, energia e largura de banda.

Se pensarmos em termos palpáveis (e não em conceitos de física teórica, como “buracos de minhoca“), o teletransporte envolve copiar as informações de um corpo, transmiti-las para outra localização, e destruir o corpo original – ou seja, você provavelmente morreria no processo, mesmo que conseguissem transmitir seus “dados”.

Bits humanos

Deixando de lado esse contratempo, a equipe calculou a quantidade de “dados” que compõem uma pessoa – uma tarefa ingrata, já que não sabemos exatamente qual o nível final da “essência” humana (pode ser celular, molecular, atômico…). Sem se ater a questões filosóficas e metafísicas, eles se basearam na quantidade de informações contida no DNA de cada célula (cerca de 10 bilhões de bits).

Em seguida, calcularam a quantidade de informações típica de um cérebro humano. O resultado da soma foi 2,6 x 10⁴² bits (ou, para você ter uma noção melhor do tamanho, 2.600.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 bits). Para transferir esses dados com uma conexão de de 29 a 30 GHz (considerada “muito boa”), seriam necessários 4,85 x 10¹⁵ anos (350 vezes a idade atual do universo). A energia necessária nesse processo, claro, seria igualmente absurda.

No futuro, novas fontes de energia ou sistemas paralelos que dividissem a transmissão poderiam facilitar as coisas e, ao invés de destruir o corpo original, poderíamos transmitir a consciência da pessoa para um corpo robótico e… Bom, talvez “flertar” com conceitos da física teórica seja mais garantido. [io9, Journal of Physics Special Topics]

Autor: Guilherme de Souza

É jornalista empenhado e ilustrador em treinamento. Curte ciência, cultura japonesa, literatura, seriados, jogos de videogame e outras nerdices. Tem alergia a música sertaneja e acha uma pena que a Disco Music tenha caído no esquecimento.

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13 Comentários

  1. Resolvido o problema da tecnologia envolvida (e desenvolvida), e se o teletransporte grava todos os dados do indivíduo, e tudo ao seu redor ou a ele ligado, não se esqueçam de suas roupas, ferramentas, eletrônico, próteses, etc. então poderia-se “excluir” os arquivos correspondentes às “gordurinhas” em excesso, fazendo o “transportado” chegar mais magrinho a seu destino, seria ótimo, não?
    Eis mais uma boa razão para desenvolver essa tecnologia.

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  2. A ciência humana ainda não atingiu um nível em que possa sequer pensar em tal coisa, pois se, segundo Einstein, energia é a massa deslocada ao quadrado da velocidade da luz… que ele mesmo afirmou ser o limite da velocidade em nosso universo, e, um grama de matéria seria formada por uma quantidade de energia suficiente para manter acesa por quarenta mil anos uma lâmpada de 100w, imaginemos as enormes quantidades de energia necessárias para deslocar-se pequeninos objetos, sem contarmos com as inimagináveis engenhocas para conter, emitir, e receber esta energia, trnasformando-a novamente em matéria. É claro que a idéia é bonita para quem é apreciador de ficção científica, como eu, mesmo por que tal deslocamento teria que ser efetuado ao quadrado da velocidade da luz; que reduziria considerávelmente o tempo de viagem para as longas distâncias, enquanto para as pequenas… da via láctea á andrômeda, por exemplo, seria quase que instantâneo. E, se vamos pensar em enviar apenas um holograma… uma imagem virtual… ainda assim teríamos que contar com um receptor para a tal imagem. Isto, mesmo para a ficção científica, poderia valer para as comunicações de pequenas distâncias… talvez dentro de nosso próprio sistema solar, no futuro; quando teríamos colônias espalhades, assim como estações e entrepostos, nos diversos planetas e respectivas luas, não mais que isto.

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  3. Pois é… nesse caso é melhor admirar teletransportes nos filmes. Como a citação usada por Gabriel Lucena, nos comentários anteriores, prefiro que seja movido o espaço ao meu redor, do que meu corpo ser destruído e, TALVEZ, reconstruído em outro canto. Teria que ver muitas pessoas completarem essa “viagem” com sucesso antes de me sujeitar.

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  4. Cientistas chineses e alemães já conseguiram transportas objeto por 97Km é um objeto quântico.
    A ideia é que não seja o objeto físico o teletransportado, mas a informação que o descreve. Portanto, não há desmaterialização e rematerialização física.
    O teletransporte quântico acontece com o uso de um fóton, capaz de transmitir o estado quântico de um objeto a outro. Assim, é possível que o receptor se transforme em um clone daquele que envia os dados. Já é um grande começo.
    É isso.

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  5. A linha de pensamento da reportagem está totalmente equivocada. Não se trata de “destruir o corpo e reconstruí-lo em outro local”. Responda: para viajar de trem bala é preciso destruir alguma coisa? A melhor hipótese está na velocidade aliada ao tempo. O teletransporte já ocorreu no Projeto Philadelphia pela marinha norteamericana em 1942, 1982 e outros anos subsequentes. Pesquise sobre esse assunto …

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  6. É bom lembrar que a ciência acreditava que os humanos se desintegrarião quando os trens atingissem a vertiginosa velocidade de 60km/h no começo da revolução industrial inglesa.

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  7. em Befero Watchmen…
    -
    Ozymandias:
    “Como funciona seu Teleporte???
    Desintegra seus componentes moleculares e depois reagrupa eles em outro lugar???”
    Dr.Manhattan:
    “Não, isso seria um desperdício de esforço e constituiria a destruição corporal… Eu distorço o espaço ao meu redor para que eu não me mova… mas o espaço sim…”
    Ozymandias:
    “Então você acha mais simples… mover o Universo… do que mover a si Mesmo???”
    Dr.Manhattan:
    “Não é Necessariamente mais Simples…
    mas poderia dizer… menos destrutivo…
    ao menos para você…”

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    • Pouca gente fala do efeito carrossel, que é onde esbarra a hipótese mais aceita do teletransporte específico de Star Trek… A hipótese seria de “fotografar” a matéria de todo o organismo (cada átomo, suas sub-partículas, as suas posições e cargas), transformar em energia e materializar em outro lugar (ou seja, mata-se o indivíduo e se ressuscita um clone com especificações idênticas).

      O efeito carrossel é o mesmo de quando fotografamos um carrossel em movimento, os cavalos ficam borrados pois a câmera registra mais de uma posição no período de registro (isso vale pra posição do elétron em relação ao núcleo).

      O corpo humano tem cerca de 7 octilhões de átomos (10 trilhões de células), então ter um registro exato do posicionamento de cada sub-partícula na mesma fração de tempo exigiria tanta precisão e energia que é mais fácil deslocar o espaço ao redor do indivíduo mesmo. xD

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  8. como disse alguem um dia
    transformar o que é dificil emimpossivel é facil
    tranformar o que é dificil em cimples é criatividade

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