10 fascinantes efeitos psicológicos ou científicos

Por , em 14.04.2013

Você provavelmente já ouviu falar em “efeito placebo” e em “efeito estufa”, mas por acaso conhece os efeitos “castanha-do-Pará” e “cortina de banheiro”? Abaixo, você confere esses e mais outros efeitos não tão célebres (mas nem por isso menos intrigantes).

10. Efeito Sucrilhos

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Pequenos objetos flutuando em água (ou em líquidos com uma densidade parecida) tendem a atrair uns aos outros e se deslocar para as bordas do recipiente – fenômeno que é conhecido em inglês como “cheerios effect” (em referência ao cereal cheerios).

Esse efeito se deve, em grande parte, à chamada tensão superficial, que é a tendência que superfícies de líquidos têm de agir como uma membrana flexível e resistir à entrada de objetos que flutuem sobre elas. O cereal, embora seja mais denso que o leite, tende a flutuar por causa da tensão superficial, mas, em contrapartida, “afunda” levemente a superfície, atraindo outros cereais – e o próprio movimento faz com que se desloquem para a borda do recipiente.

9. Efeito castanha-do-Pará

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Também chamado de “convecção granular” ou “efeito Muesli”, o fenômeno faz com que, quando um grupo de partículas de tamanhos diferentes é chacoalhado verticalmente, as maiores acabem ficando por cima – o que contraria a suposição de que, por serem mais pesadas, elas deveriam afundar. O nome do efeito vem do fato de que, em potes com castanhas e nozes, a castanha-do-Pará geralmente acaba ficando por cima.

O fenômeno foi estudado pela primeira vez na década de 1930 e, apesar de tudo o que foi descoberto a respeito, ainda permancem algumas dúvidas. A princípio, duas tendências ajudam a explicar esse efeito: percolação (em que partículas menores tendem a se deslocar para baixo, caindo pelo espaço existente entre partículas maiores) e convecção (em que as partículas maiores são empurradas para cima). Acredita-se que temperatura e pressão também desempenhem um papel nessa história, mas ainda são necessários mais estudos para se chegar a uma conclusão satisfatória.

8. Efeito do falso consenso

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De modo geral, as pessoas tendem a superestimar o quanto os outros concordam com os posicionamentos delas – o que reforça a crença de que elas estão “certas” a respeito do que pensam.

Se acreditamos em algo, naturalmente pensamos que estamos corretos (porque, afinal de contas, se achássemos que estávamos errados, acabaríamos mudando de opinião). Como, além disso, buscamos conviver com pessoas que pensam como nós (ou, ao menos, não costumam contrariar nossas crenças), temos a impressão de que existe um certo consenso alinhado com nossas opiniões – mesmo quando somos minoria.

7. Efeito chocolate quente

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Se você encher uma caneca de leite e bater nela com uma colher de metal, ouvirá um som com um determinado tom; se você repetir o experimento depois de acrescentar achocolatado em pó no leite, inicialmente o som terá um tom mais baixo e, quando o pó se dissolver, voltará ao tom inicial.

Estudado pela primeira vez em 1982, pelo físico Frank Crawford, esse efeito ocorre porque o som percorre o conteúdo da caneca a uma velocidade diferente quando um novo elemento (no caso, o achocolatado em pó) é introduzido e provoca alterações na organização das moléculas do líquido. Depois que o pó se dissolve, a densidade do líquido volta a um valor próximo ao inicial. Apesar de o fenômeno ter uma explicação razoável, fica a pergunta: como Crawford conseguiu reparar em um fenômeno tão específico?

6. Efeito de Lake Wobegon

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Nomeado em referência às crianças da fictícia cidade de Lake Wobegon, que se sentem “acima da média”, esse efeito é formalmente conhecido como “superioridade ilusória” – as pessoas geralmente tendem a sentir que têm um desempenho superior ao das demais em determinadas tarefas, como dirigir ou praticar esportes.

Em 1981, um estudo realizado na Suécia e nos Estados Unidos mostrou que esse fenômeno é especialmente comum entre motoristas: 93% dos entrevistados estadunidenses e 69% dos suecos consideravam que dirigiam melhor do que “a média”.

5. Efeito nome-letra

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Temos a tendência de “gostar mais” de letras que aparecem em nossos nomes (especialmente as iniciais), possivelmente pela frequência com que nós as escrevemos e lemos. De acordo com certos estudos (controversos, vale dizer), essa preferência pode acabar influenciando grandes escolhas das nossas vidas, como a cidade em que vamos morar (supondo que a decisão seja nossa, claro) ou a carreira que decidimos seguir.

4. Efeito de autocinese

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Se você observar um único ponto de luz em um local totalmente escuro, ele aparentemente vai se mover, mesmo que você fique parado. Esse fenômeno visual ocorre porque, sem pontos de referência para se basear, sua mente tem dificuldade em “manter” o ponto de luz no lugar – além disso, movimentos sutis dos olhos também dão a impressão de que o ponto de luz está se movendo.

Aparentemente inofensivo à primeira vista, o efeito pode ser perigoso para pilotos de avião (e, naturalmente, para tripulação e passageiros) à noite, já que, se o ambiente estiver muito escuro, o piloto pode ter dificuldade em se guiar a partir das luzes da pista de pouso.

Em tempo: o efeito de autocinese é citado como uma explicação para muitos casos de aparições de OVNIs (Objetos Voadores Não-Identificados).

3. Efeito da cortina de banheiro

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Durante um banho de chuveiro, mesmo sem qualquer corrente de ar interferindo, a cortina tende a se aproximar de você. Até hoje, nenhum estudo foi capaz de explicar com 100% de certeza o que há por trás desse fenômeno. Existem, porém, pelo menos três teorias:

  1. Buyoancy: O calor emitido pela água do banho altera a densidade do ar, fazendo com que se desloque e mova a cortina – como o fenômeno ocorre mesmo em banhos frios, essa teoria a princípio não se sustenta;
  2. Efeito Bernoulli: A água sai do chuveiro, desloca partículas de ar e causa alterações na pressão do ambiente;
  3. Vórtex horizontal: Teoria estudada em modelos de computação, sugere que o jato de água provoca um vórtex horizontal nas partículas de ar, mexendo a cortina.

2. Efeito Sylvia Plath

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Por alguma razão, poetas mulheres têm uma tendência maior a sofrer de depressão e outros distúrbios psicológicos. Em 2001, o psicólogo James C. Kaufman começou a estudar o fenômeno da criatividade e, ao analisar seu vínculo com doenças mentais, criou o termo “efeito Sylvia Plath”, em referência à famosa poeta do século passado. Ainda não se sabe claramente o que há por trás dessa ligação.

1. Efeito veículo-roda

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Essa ilusão de ótica dá a impressão de que as rodas de um veículo em movimento estão girando mais devagar do que deveriam ou, dependendo do caso, na direção oposta. Quando observada em filmagens, tem uma explicação relativamente simples: um filme é composto por quadros passados em sequência (normalmente 24 por segundo), que criam a ilusão de movimento; quando o cérebro “preenche” os espaços entre os quadros, pode acabar fazendo isso de forma incorreta.

Agora, quando isso ocorre na vida real, não é tão fácil de se explicar, e há pelo menos duas teorias a respeito: a primeira sugere que nossos cérebros processam imagens e movimentos como uma sequência de quadros, similar a um filme; a outra propõe que se trata apenas de uma confusão ocorrida no cérebro na hora de analisar a cena.[Listverse]

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10 comentários

  • Renato Folla de Farias:

    O Efeito cortina de banheiro
    A minha teoria é de com a pressão da água que vem do reservatório, mais a pressão imposta pelo próprio chuveiro, faz com que as partículas de água fiquem agitadas e eletricamente carregadas, que por sua vez caem em seu corpo eletricamente carregado! a cortina é plástica e como se sabe, um ótimo condutor, desta forma a cortina é atraída para o nosso corpo. Outra hipótese é de que o Efeito Cassimir, tenha também relação.

  • Edinei Júnior:

    Creio que uma teoria deveria ser acrescentada ao Efeito de Nº 3.

    A água, ao cair, faz um atrito com o corpo, liberando assim pequenas descargas magnéticas, movimentando por meio dessas a cortina.

  • Joana Kater:

    Hahaha, eu sempre notei que a cortina do chuveiro vivia se grudando em mim, não sabia que isto era algo a ser estudado kkkk

  • Miguel Gomes:

    O efeito roda-veículo tem uma explicação física: O que faz a roda girar ao contrário são as imagens atrás da roda. Esse fenômeno só acontece com rodas vazadas.
    Isso acontece devido ao tempo que a luz leva para passar pelo elemento vazado, refletir num elemento fixo e voltar e passar pelo elemento neutro. Bom se esse tempo for equivalente para a roda girar o suficiente para a luz entrar pelo primeiro elemento vazada e sair pelo segundo, somado a maneira como o cérebro processa as informações, como já citado no post, cria-se essa ilusão da roda estar andando lentamente para frente, parada ou lentamente para trás.
    Isso depende da forma como os elementos vazados são dispostos (tamanho, forma etc), da frequência da roda e da distância do anteparo (elemento fixo atrás da roda).
    Foi justamente com ele efeito que a velocidade da luz foi medida com pela primeira vez sem o uso da astronomia.

    • Cesar Grossmann:

      Eu recomendo a leitura do livro “Por que o bocejo é contagioso”, da neurocientista Suzana Herculano-Houzel. Lá tem um efeito “roda girando ao contrário” que acontece na vida real, e que parece ter uma explicação neurológica. Serão R$40,00 muito bem investidos, a leitura é leve e bastante intrigante.

      RECOMENDO!

  • Cesar Grossmann:

    No livro “Por que o bocejo é contagioso” da neurologista Suzana Herculano-Hogel tem um capítulo dedicado ao efeito veículo-roda. Eu recomendo o livro…

    Por que o Bocejo É Contagioso? – E Outras Curiosidades da Neurociência no Cotidiano.

    Coleção: Ciência da Vida Comum
    Título: Por que o Bocejo É Contagioso?
    Subtítulo: E Outras Curiosidades da Neurociência no Cotidiano
    Autor: Suzana Herculano-Houzel
    Editora: Zahar
    Edição: 1
    Ano: 2007
    Idioma: Português
    Especificações: Brochura | 280 páginas

    Ficha Técnica
    ISBN: 978-85-3780-031-7
    Peso: 290g
    Dimensões: 230mm x 160mm

    Infelizmente o livro encontra-se esgotado, então toca procurar em sebos, e neste caso eu recomendo a Estante Virtual.

    • Cesar Grossmann:

      Parece que tem à venda na Livraria Saraiva, e está em promoção (hoje, dia 24/02/2014, pode ser comprado por R$37,90). Deve ter em outras também.

  • franobre:

    O efeito da cortina de banheiro, a meu ver, é causado pela atração das minúsculas gotículas de água que sempre se atraem, o mesmo efeito de uma gota em uma superfície lisa que, se entrar em contato com outra, passa a ganhar movimento. Então, as gotas na cortina se encontram com as milhares (ou milhões) de gotícular espalhadas no ar entre o nosso corpo e a cortina, uma atrai a outra com força suficiente para puxar a cortina que é onde se inicia o processo, até achar um outro corpo que impeça essa sucessão de atração, que pode ser a parede ou nosso próprio corpo. Para testar isso é só criar uma corrente de água no box do banheiro de forma que não crie uma nuvem de gotículas. Com certeza a cortina permanecerá paradinha. Mas o chuveiro, mesmo com água gelada, cria uma nuvem de gotículas que, por atração mutua, puxam a cortina.

  • grasisuperstar:

    Esse pessoal estuda cada coisa que nem dá pra acreditar. Mas esse estudo efeito nome letra é muito interessante pois acredito que o nome tem grande influência em nossas vidas. Gostar do nosso nome ou não faz diferença em nossa personalidade. Eu gosto de escrever a letra G do meu nome de várias formas..no meu diário eu faço o G com olhinhos e boquinha. Ainda bem que não sou poeta e corro menos risco nessa questão do “efeito Sylvia Plath”. Vou fazer o teste da caneca de leite.

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