10 mitos médicos nos quais você provavelmente ainda acredita

Não importa quantos estudos procurem derrubá-los: existem mitos médicos que simplesmente não saem do imaginário popular (especialmente entre mães preocupadas). Confira a seguir 10 dos mais comuns (devidamente desmentidos por especialistas):

1 – Vacina pode causar gripe (e autismo)

A ideia de uma vacina é estimular a produção de anticorpos no organismo injetando vírus mortos ou desativados – que, embora causem alerta no sistema imunológico, são inofensivos. “Um vírus morto não pode ressuscitar para causar gripe”, garante a médica Rachel Vreeman, coautora do livro “Don’t Swallow Your Gum! Myths, Half-Truths, and Outright Lies about Your Body and Health” (“Não Engula o Chiclete! Mitos, Meias Verdades e Mentiras Descaradas sobre o Corpo e a Saúde”, lançado no Brasil pela Martins Fontes). Uma vacina pode, sim, causar febre e mal-estar, mas não a doença propriamente dita.

Em 1998, um artigo publicado no jornal The Lancet lançou mais um mito em torno das vacinas: pais de oito crianças alegaram que seus filhos se tornaram autistas porque foram vacinados contra três doenças (sarampo, caxumba e rubéola). A suposta relação de causa e efeito entre vacina e autismo jamais foi confirmada – em 2002, um estudo feito com 530 mil crianças e publicado no New England Journal of Medicine não encontrou vínculo algum. Ainda assim, o combate a esse mito continua consumindo recursos que deveriam ser usados no estudo do autismo, segundo a médica.

2 – Suplementos alimentares sempre são saudáveis

Nosso corpo tem uma necessidade diária de vitaminas, o que faz de suplementos uma inocente e prática solução, correto? Não exatamente. “O FDA [órgão regulador de alimentos e remédios dos Estados Unidos] não exige que suplementos sejam regulamentados da mesma maneira que remédios, o que pode ser um verdadeiro problema”, alerta Vreeman. Essa falta de regulação pode levar fabricantes a fazer recomendações incorretas e divulgar nas embalagens efeitos que não foram comprovados em laboratório – além disso, em comparação com produtos que passam por um rigoroso controle, os suplementos são pouco estudados.

De acordo com pesquisa publicada esse ano no periódico Stem Cells, doses excessivas de vitamina C e E podem causar alterações genéticas e tornar a pessoa mais predisposta a desenvolver câncer. Assim, a menos que um médico recomende seu uso, é melhor trocar suplementos por uma alimentação balanceada, que forneça as doses necessárias de vitaminas.

3 – O frio deixa você doente

Embora nós possamos ter sintomas (reais ou imaginários) de resfriado quando ficamos muito tempo em um ambiente frio, o que realmente nos deixa doentes é a exposição ao vírus, não às baixas temperaturas. Em 1968, um estudo publicado no New England Journal of Medicine mostrou que o frio não deixa pessoas mais suscetíveis a ficar resfriadas: os voluntários expostos a exemplares de rinovírus (causa mais comum de resfriado) ficaram doentes, independentemente de estarem em ambientes aquecidos ou gelados.

Especula-se que casos de gripe e resfriado sejam mais comuns nos meses frios porque nesses períodos as pessoas tendem a passar mais tempo em ambientes fechados e junto com outras, o que facilitaria a transmissão dos micro-organismos.

4 – Nós usamos apenas 10% dos nossos cérebros

A ideia de que não fazemos pleno uso de nossa capacidade cerebral é muito usada em palestras motivacionais para encorajar as pessoas a explorar esse “potencial escondido”. Embora diversos estudos já tenham mostrado que não é verdade que usamos apenas parte do nosso cérebro (“Você simplesmente não vê áreas dormentes [em ressonâncias magnéticas do cérebro]”, aponta Vreeman), o mito se perpetua pelo menos desde 1907.

5 – Açúcar deixa crianças hiperativas e descontroladas

Pais e mães do mundo todo acreditam que açúcar em excesso pode transformar mesmo a criança mais sossegada em um verdadeiro “monstrinho”. “Mas isso é coisa da sua cabeça”, garante a médica. Em um estudo publicado em 1994 no Journal of Abnormal Child Psychology, pesquisadores deram Ki-suco (!) adoçado com aspartame a um grupo de crianças e, para metade dos pais, contou que o suco tinha açúcar e, para os demais, que era apenas aspartame (adoçante sintético). Aqueles que acharam que seus filhos estavam “cheios de açúcar” disseram que as crianças estavam hiperativas e incontroláveis, mas um sensor colocado no pulso delas mostrou justamente o contrário – elas estavam tranquilas. Uma possível explicação para esse mito é que, normalmente, crianças consomem muito açúcar em festas (como aniversários e comemorações de feriados), quando ficam agitadas independentemente do nível de açúcar no sangue.

6 – Você precisa ficar acordado se tiver uma concussão

Existe um tipo grave de ferimento na cabeça que pode causar sangramento no cérebro e fazer a pessoa entrar em coma depois de um período de lucidez. Contudo, isso pouco tem a ver com as concussões normais – que, embora inspirem cuidado médico, raramente são severas ou fatais. “Se você foi avaliado por um médico e ele disse que você sofreu uma concussão média, não precisa se preocupar em ter alguém para te acordar a cada hora”, garante Vreeman.

7 – Goma de mascar fica no seu estômago durante anos

O fato de não ser digerível (da mesma forma que fibras alimentares, que temos de consumir diariamente) não quer dizer que uma goma de mascar vá ficar presa no sistema digestivo: se um alimento não pode ser digerido, ele simplesmente é passado adiante e eliminado.

8 – Ler no escuro ou sentar muito perto da TV estraga sua vista

Quem já teve que ler sob uma luz fraca ou passou horas na frente da tela brilhante de um computador sabe que isso deixa a vista cansada – mas não há evidências de que cause dano permanente ou a longo prazo. Na década de 1960, contudo, o mito de que a TV podia prejudicar a vista procedia: algumas delas emitiam radiação que podia danificar os olhos, mas já faz tempo que isso foi resolvido, e os aparelhos modernos são seguros nesse ponto. Agora, se o seu filho costuma ficar muito perto da televisão, pode ser que ele precise usar óculos (embora não seja culpa da TV ou do computador).

9 – Você deve tomar pelo menos 2,5 litros de água por dia

Em 1945, o Conselho Nacional de Pesquisa de Alimentos e Nutrição dos Estados Unidos divulgou que adultos deveriam ingerir 2,5 litros de água diariamente (o equivalente a cerca de 8 copos), recomendação prontamente repercutida pela imprensa. O problema (apontado por membros do Conselho) é que não avisaram que boa parte dessa água vinha dos alimentos, não apenas de ingestão direta.

10 – Evite nadar depois de comer

Pode estar fazendo um calor infernal: se você acabou de encarar um churrasco, não deveria entrar no mar ou na piscina, sob o risco de ter cãibras e se afogar – ao menos é o que pais e mães pregam há décadas. O fato é que qualquer exercício vigoroso depois de uma refeição pesada pode causar desconforto, mas normalmente não chega a ser perigoso, e não há nenhuma razão especial para não nadar após comer, diz Vreeman – além disso, cãibras podem acontecer a qualquer momento, mesmo que você não tenha comido nada.[My Health News Daily]

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36 respostas para “10 mitos médicos nos quais você provavelmente ainda acredita”

  1. Lendo os comentários percebo que muitos desses mitos vão perdurar por muito tempo rsrsrs. As pessoas discordam das explicações se baseando em suas próprias crenças, sem citar uma fonte científica que seja. Eu disse CIENTÍFICA, então ABC da saúde e Yahoo Answers não contam hein.

  2. Discordo da 3ª (O FRIO DEIXA VOCÊ DOENTE) e da 10ª (EVITE NADAR DEPOIS DE COMER).

    A 3ª tem uma explicação lógica: Seu corpo gasta muita energia para se manter aquecido, isso faz você perder energia para outros fins, como a digestão, a concentração e também a produção de anti-corpos. A menor quantidade de anti-corpos dificulta o combate aos vírus.

    A 10ª: O mito não envolve apenas câimbras, envolve principalmente a indigestão (Dispepsia). E a causa não é a água, e sim a movimentação inadequada do corpo e da comida dentro dele.
    A comida conta com a ajuda da gravidade para descer o estomago, e se você nadar, dar cambalhotas e ficar brincando embaixo d’água, a comida obviamente não irá descer e pode até voltar, causando refluxo e dispepsia!

    • Alias mais um razao para a 10.
      Imagine a mangueira de rega a mandar agua se lhe pzer o dedo na ponta a agua sai com mais pressao certo?!
      E o que acontece se tivermos muito ao sol e entrarmos na agua, as nossas veias estao dilatadas ckm o calor e contraiem repentinamente com a quebra de tempretura ai da morte pois o sangue vai com mais pressao para o coração e assim em diante…
      Penso que estou certo?!

    • Bruno, esse problema da dilatação/contração devido à temperatura a que é submetido o corpo pode ser desconsiderado.
      Motivo: a contração/dilatação devido a essa pequena diferença de temperatura é muita pequena.
      Um metal, que possui coeficientes de dilatação linear/volumétrica grandes em comparação a outros materiais, dilatam, quando expostos ao sol (na Terra, claro), numa ordem de micrômetros (0,001mm ou 0,000001m). Imagine os vasos sanguineos, que nem estão em contato direto com o sol!
      Portanto, essa razão sua é infundada, pode mergulhar na piscina num dia quente sem medo!

    • Sobre o que escreveu sobre a 3: Nosso corpo produz anticorpos frequentemente, não somente quando está sofrendo ataques, exatamente para poder evitar os já conhecidos. A produção de anticorpos novos, se dá depois de uma contaminação com uma “gripe” diferente, onde o corpo vai precisar identificar e depois começar a produzir os anticorpos para o antígeno novo. Neste último caso, ficaríamos doentes, pelo menos a primeira vez, em qualquer temperatura.

      Sobre a 10 acho que o Guilherme quis dizer sobre o que nossos pais falam que morreríamos se pulássemos na piscina depois da feijoada! Quando comemos nosso corpo foca sua atenção para a digestão, e realizar alguma outra atividade física pode atrapalhar isso mas, acredito eu, que no máximo vomitaríamos a refeição. Daí que vem aquele soninho depois do almoço!

    • Gostaria que você me desse o nome dos artigos científicos que você retirou essas explicações, devo estar desatualizado porquê não lembro de ter visto isso sendo publicado na literatura médica recente.

    • Derick Luis ninguém calculou, é uma estimativa!
      Pode ser que não seja exatamente 10%!
      Mas que a 10% da capacidade, e 10% da massa encefálica são coisas diferentes!

    • Esses 10% nunca foram calculados, nem como estimativa, por nenhum cientista. Não existe base científica pra essa afirmação. Ela foi criada por escritores de livro de auto-ajuda, baseada em uma hipótese levantada em 1880 por psicólogos que disseram que nós geralmente encontramos somente uma fração do nosso potencial mental.

      Mas alem de ser somente uma hipótese, ele nunca falou em porcentagem e nunca falou do quanto se usa do cérebro, mas sim o quanto se pode alcançar, entendo eu, se exercitarmos o nosso cérebro de forma produtiva.

      É como dizer que se vc não pratica atividades físicas vc não vai alcançar todo o potencial que o seu corpo poderia alcançar se vc fizesse exercícios regularmente, o que é verdade, e é bem diferente de vc dizer que “nós usamos somente 10% da nossa capacidade corporal”.

  3. Quando criança sempre fui uito elétrico e minha mãe sempre pedia pra ficar depois de comer pelo menos 1h descansando, direto desobedecia e ficava pulando e correndo igual um louco. Reultado: dor de estômago infernal que só aliviava quando vomitava.
    Como moro m SP as vezes o dia está muito corrido e acabo tendo que comer na academia, espero uns 20 minutos e começo a treinar , mesmo com esse tempo já sinto ansia de vômito.

    • Isso acontece devido ao sangue, que, quando “enchemos a pança” o tecido do estômago recebe uma maior quantidade de sangue para que ele realize com mais eficiência a digestão, porém quando acabamos de comer uma bela pratada de comida e vamos fazer exercício, esforços físicos, o sobejo de sangue que estava concentrado a mais no tecido do estômago começa a ir para os músculos pra oxigenar e dar mais resistência a estes que no momento estão “necessitados”, e então o estômago sente a carência e a digestão fica “pesada” causando desconforto. Foi o que eu li. 🙂

  4. Em uma de minhas aulas de fisiologia, ministrada por um médico dermatologista, surgiu este assunto cuja resposta dele segue:
    “Durante a digestão, parte do sangue é desviado para o aparelho digestivo. Neste tempo, se entrarmos em uma piscina FRIA, OUTRA boa parte do sangue vai para a periferia do corpo para manter a temperatura do corpo, resuntando na falta de sangue (como consequencia a falta de oxigênio)para o cérebro. Isto PODE provocar um ataque epilético e a pessoa pode morrer por AFOGAMENTO”.

    • Quantos casos há registrados na literatura médica? Como será que chegaram a esta conclusão? Muitas vezes especialistas tentam justificar mitos de suas infâncias com hipóteses.

    • Existem algumas causas de afogamento, mas indiretamente (e não diretamente) a digestão poderia ser responsável por duas: exaustão e hipotermia, pensando em um patamar elevado de fisiologia, onde a congestão sanguinea no sistema digestório poderia vir a causar uma maior exposição térmica. Todavia, note que essa “exposição térmica” é um conceito não explorado, e, verdade seja dita, o choque térmico ocorre com ou sem digestão, depende apenas da sua temperatura e da temperatura da água.

      O grande problema de estabelecer uma relação causa-consequencia no caso dos choques térmicos é que, por exemplo, no caso da causa mortis “morte súbita”, não existe ainda um modelo adequado em laboratório para estudar os reflexos vagais, seja por trauma medular, seja por infarto do miocárdio.

      Outras causas comuns de afogamentos são infância (crianças sem supervisão) e alcoolismo. Indo adiante, em geral, se você analisar a última causa, existe há uma correlação empírica entre alcoolismo, ingesta alimentar, dias quentes e aventuras aquáticas.

    • No caso do frio é o contrário. os capilares sanguíneos se contraem. e se dilatam no calor, por isso um anel sai mais facilmente no frio e no calor, mais dificilmente.
      Não sei como esse dermatologista conseguiu se formar sem saber disso…
      Agora em relação a teoria, pode ser que o sangue se concentre nos músculos ao fazer atividades físicas na água.

  5. O 10 não é mito! Mas não só nadar e sim fazer qualquer exercício pesado.
    O problema disso, creio eu, é que o sangue vai pra o estômago devido à digestão e ao mesmo tempo pra os músculos devido ao exercício.
    Resultado, falta sangue no cérebro e a pessoa passa mal.

    • Acredito que essa explicação está parcialmente correta sim, mas não em relação a faltar sangue ao cérebro, e sim ao estomago, pois quando ingerimos uma alimentação muito calorica nosso estomago precisa de muito sangue para trabalhar e esse sangue acaba estando indisponivel. Quem me epxlicou isso foi minha professora de Patologia.

    • O problema em comer e fazer exercício VIGOROSO seria possivelmente a congestão. Neste caso a refeição deveria ser especialmente pesada e os exercícios também. Isto pode levar a vômitos. Mas não há registros de pessoas se afogando por esta causa. É mito.

    • Acredito que o 3 “O frio deixa você doente” está correto em partes.

      Primeiro, o frio não causa gripe, sem dúvida!

      Porém, o frio gera um gasto energético maior do organismo. Afinal, perdemos calor muito mais rápido em temperaturas muito amenas.
      Entendo que o frio EXCESSIVO gera uma diminuição da “resistência” do nosso organismo, deixando-nos assim mais vulneráveis.

      Porém, a gripe não está diretamente associada ao frio.

  6. Gostei de seu artigo. Reuni muito mitos que pode-se dizer seculares. Alguns são bobagens, outros…
    Tenho fé na ciência, mas quando ela usa palavras como normalmente, não há evidencias, podendo não, ocasionalmente, já fico com um pé atrás.
    Afinal “seguro morreu de velho desconfiado, existe até hoje” kkkk Não tenho sete vidas para testar velhas crendices, então pelo sim pelo não, pondero.
    Um abraço amigo.

    • Em situações normais, o chiclete simplesmente é eliminado. Se você engolir um monte de uma vez, existe o risco de ele ficar preso em alguma das passagens do sistema digestivo – e, como não é digerido, pode ficar lá durante muito tempo.

      O mito diz que isso é o que normalmente acontece, quando na verdade é uma situação extremamente excepcional

  7. O 3 não chega a ser um mito, é um questão de interpretação.

    No frio as pessoas ficam mais gripadas (e o próprio texto confirma isso). O que não está claro são os motivos, mas não deixa de ser um fato.

    • Então fique atento ao texto. Ter sintomas não é o mesmo que ter a doença. De acordo com as teorias atuais é mais fácil pegar uma gripe ou resfriado em um lugar fechado e quentinho compartilhando o ar com pessoas contaminadas (em dias frios) do que lá fora, efetivamente no frio.

    • Exatamente, mas quando as pessoas estão mais propensas a ficar em lugares fechados e quentinhos? Certamente não é quando está 40 graus lá fora, mas frio. Existe uma correlação entre frio e doença, não causalidade.

    • A questão do mito é: não precisa colocar casaco como a mãe fala, você não vai ficar resfriado ou gripado por que está saindo no frio.

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