10 teorias bizarras sobre as pirâmides que não envolvem aliens

Por , em 24.10.2014

Os antigos egípcios construíram as pirâmides para impressionar, mas provavelmente não imaginavam que elas também gerariam muita idiotice. Durante milênios, as pessoas contemplam estes edifícios, vendo-os não como eles são, mas como projeções de suas próprias crenças. Abaixo listamos dez teorias malucas sobre o assunto – e olha que deixamos os aliens de fora.

10. As pirâmides foram construídas para armazenar grãos

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Os europeus medievais acreditavam que as pirâmides eram celeiros descritos no Velho Testamento. O faraó do Egito teria sido perturbado por sonhos em que sete vacas magras devoravam sete vacas gordas e sete espigas murchas de grãos consumiam sete saudáveis. José interpretou os sonhos, dizendo que haveria sete anos de abundância no Egito seguidos por sete anos de fome. Ele aconselhou o Faraó a começar a armazenar o excedente de grãos.

A descrição das pirâmides como “Celeiros de José” vem do século VI, quando foram identificadas como tal por Gregório de Tours em sua “História dos Francos”. A teoria foi mais popularizada por obras como “O Livro de John Mandeville”, um livro de viagens muito popular do século XIV. Uma descrição das pirâmides egípcias como celeiros de José aparece, ainda, em um mosaico do século XII em uma das cúpulas da Basílica de São Marcos, em Veneza (veja a foto acima).

9. Noé construiu a Grande Pirâmide

Russell Crowe
Em 1859, um editor britânico chamado John Taylor publicou “A Grande Pirâmide: Por que ela foi construída e quem a construiu”. Taylor nunca tinha visto a Pirâmide de Gizé, mas, depois de estudar suas medidas – que tinham sido compiladas pelo astrônomo de Oxford John Greaves e os engenheiros franceses que acompanharam Napoleão durante sua expedição no Egito – ele concluiu que a estrutura maciça era um repositório para o “sistema divino” de todas as verdades matemáticas.

Cálculos elaborados de Taylor contaram com a observação de que, se você dividir a altura da pirâmide em duas vezes o lado de sua base, você termina com um valor aproximado do pi. Ele argumentou que a estrutura foi construída usando uma unidade de medida que ele chamou de “polegadas de pirâmide”, que era 1/25 do “côvado sagrado” e quase idêntica à polegada britânica. Taylor citou isso como prova de que o sistema de medição moderno teve inspiração divina.

Taylor acreditava que Noé, não os egípcios, tinha sido o verdadeiro arquiteto: “Quem construiu a Arca foi, de todos os homens, o mais competente para dirigir a construção da Grande Pirâmide”.

8. A Grande Pirâmide prediz a data do apocalipse

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Inspirado pelos escritos de John Taylor, Charles Piazzi Smyth, o Astrônomo Real da Escócia, começou seus estudos. Ele concluiu que haviam verdades divinas ainda maiores codificadas dentro da Grande Pirâmide do que Taylor acreditava.

O livro de 664 páginas de Smyth, “Nossa Herança na Grande Pirâmide”, publicado em 1864, “revelou” que as profecias bíblicas tinham sido incorporadas na arquitetura. Quando as passagens são medidas em polegadas de pirâmide, segundo ele, pode-se encontrar uma cronologia completa da história da Terra, do passado e do futuro.

Smyth alegou, por exemplo, que o início de uma passagem chamada a Grande Galeria marcou o nascimento de Cristo e, 33 polegadas mais tarde, a crucificação (sendo que Jesus teria 33 anos quando morreu). Dependendo de como se mede o comprimento total da Grande Galeria, ela termina num ponto entre 1881 e 1911 polegadas de pirâmide. Smyth interpretou este como o período de Grande Tribulação que precede a Segunda Vinda de Cristo.

Os cálculos de Smyth contribuíram para a crença entre alguns cristãos que o Apocalipse chegaria em 1881.

7. Satanás construiu a Grande Pirâmide

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Joseph T. “Juiz” Rutherford, um líder do começo do movimento das Testemunhas de Jeová, estava determinado a pôr fim à “Piramidologia Cristã” adotada por seu antecessor, Charles Taze Russell.

Rutherford escreveu um artigo de duas partes, publicadas em edições da revista “Watch Tower”, intitulado “O Altar no Egito”, na qual declarou: “É certo que a Pirâmide de Gizé não foi construída pelo Deus Jeová; nem foi construída sob o seu comando”.

“É mais razoável concluir que a grande Pirâmide de Gizé, assim como as outras pirâmides por aí e também a esfinge, foi construída pelos governantes do Egito e sob a direção de Satanás, o Diabo. Então Satanás colocou o seu conhecimento na pedra morta, que pode ser chamada Bíblia de Satanás, e não a pedra testemunha de Deus. Na construção da pirâmide, é claro, Satanás iria colocar um pouco de verdade, porque esse é o seu método de praticar a fraude e o engano”.

6. As pirâmides eram originalmente colinas

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Um artigo publicado na edição de 12 de outubro de 1884 do “Fort Wayne Journal-Gazette” relata uma conferência científica realizada na Filadélfia, na qual um dos trabalhos apresentados oferecia uma teoria única de como as pirâmides foram construídas.

De acordo com o artigo, elas teriam sido feitas de cima para baixo. “A teoria é de que as pirâmides eram colinas isoladas, usadas ​​como pedreiras de onde pedras eram retiradas para que fossem feitos edifícios e, portanto, escavadas. As colinas foram, com o decorrer do tempo e sob a gestão de engenheiros, cortadas no formato das pirâmides que conhecemos agora”.

A publicação destaca o fato de que colinas isoladas podem ocorrer e que a ideia poderia ser uma saída para resolver os mistérios que circundavam as misteriosas pirâmides.

5. Atlantis construiu as pirâmides

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Ignatius Loyola Donnelly, um ex-congressista de Minnesota, tornou-se obcecado com a lenda de Atlântida e, em 1882, publicou uma “história” popular intitulada “Atlantis: O Mundo Antediluviano”. Entre suas teorias, listadas no primeiro capítulo do livro, estão:

– Que uma vez existiu no Oceano Atlântico, em frente à entrada do Mar Mediterrâneo, uma grande ilha, que era o remanescente de um continente Atlântico, e conhecido no mundo antigo como Atlantis.
– Que a descrição desta ilha dada por Platão não é, como tem sido suposto, uma fábula, mas uma história verdadeira.
– Que Atlantis foi a região onde o homem primeiro passou de um estado de barbárie para a civilização.
– Que os instrumentos da “Idade do Bronze” da Europa foram derivados de Atlantis. Os atlantes também foram os primeiros fabricantes de ferro.

Donnelly argumentou que, no auge de sua civilização, os atlantes estabeleceram colônias ao redor do mundo e que a mais antiga delas era, provavelmente, no Egito, “cuja civilização era uma reprodução do da ilha do Atlântico”.

Como prova de sua afirmação, Donnelly apontou as semelhanças enormes entre as pirâmides do Egito e as da Mesoamérica. É uma teoria que ainda persiste entre os “verdadeiros crentes” de hoje.

Porém, como o arqueólogo Kenneth Feder apontou, há abundantes provas em contrário: as pirâmides do Antigo e do Novo Mundo não têm a mesma aparência, já que as pirâmides do Novo Mundo são trapézios, enquanto as egípcias são verdadeiras pirâmides geométricas (quatro faces triangulares unindo-se em um vértice comum); somente as pirâmides do Novo Mundo têm escadas em suas faces; as pirâmides mesoamericanas eram templos, enquanto as egípcias eram câmaras funerárias para faraós mortos. Ainda há mais motivos, contudo, o mais gritante deles é a datação: as egípcias foram construídas cerca de 5 mil a 4 mil anos atrás, as da Mesoamérica têm menos de 3 mil anos, sendo que a maioria data de menos de 1.500 anos atrás – Atlantis, em si, teria sido destruída 11.600 anos atrás.

No entanto, a resistência desse mito foi revelada vividamente no ano passado, quando dois cidadãos alemães, Dominique Görlitz e Stefan Erdmann, foram presos por vandalizar a Grande Pirâmide de Gizé tentando provar que a teoria era verdadeira. Eles estavam tentando levar amostras do local para provar que elas teriam sido construídas muito antes, simultaneamente à existência da cidade oceânica perdida.

4. Israel está conspirando para roubar as pirâmides

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O pesquisador egípcio Gamal Amir disse recentemente ao jornal “Elaph” que Israel lançou um plano para falsificar a história para mostrar como os judeus construíram as pirâmides. Segundo ele, os israelenses não teriam equipes de pesquisa no Egito porque isso entregaria o seu plano megalomaníano. Ao invés disso, as missões estariam “sob o disfarce de outras nacionalidades”, mas com líderes judeus.

“Além de reivindicar que os judeus construíram as pirâmides, Gamal disse que Israel está conspirando para provar que o rei egípcio Sheshonq I, o fundador da dinastia 22 no meio do século 10 aC, foi o rei bíblico Sisaque. Relatos bíblicos dizem que Sisaque invadiu Judá durante o reinado do rei Roboão e tomou os tesouros do Primeiro Templo em Jerusalém. Gamal acredita que Israel está tentando afirmar que o ouro e as joias encontradas em um local de enterro antigo em Tanis, no Egito, fazem parte dos tesouros de Salomão”.

Esta não é a primeira vez que o papel dos judeus na história do Egito antigo tem causado polêmica no país. No início deste ano, o jornalista egípcio Ahmad al-Gamal pediu que Cairo processasse Israel buscando indenização pelas 10 pragas mortais que caíram sobre os egípcios durante o tempo de Moisés. E, em 2003, um proeminente jurista egípcio anunciou que estava preparando uma ação judicial contra os judeus em todo o mundo por causa do ouro que foi roubado durante o êxodo do Egito.

3. Levitação foi usada para construir as pirâmides

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A levitação aparece como um tema comum entre alguns dos teóricos de pirâmides mais underground. O famoso paranormal Edgar Cayce – que acreditava que as pirâmides foram construídas por um consórcio de atlantes, egípcios e caucasianos do sudoeste da Rússia – afirmou que os antigos usavam seus poderes mentais extraordinários para levitar os blocos maciços até o seu lugar.

Andrew Collins, autor do livro “Deuses do Éden: O Legado Perdido do Egito e o Gênesis da Civilização”, cita um historiador árabe do século X, que registrou um conto popular. “Papiros mágicos com inscrições foram inseridos sob os blocos de pedra usados ​​na construção das pirâmides, antes do último ser atingido por um instrumento de algum tipo, plausivelmente uma haste ou uma ripa forte. De alguma forma, isso induzia ambos a subir no ar e viajar por uma distância de ‘um tiro de arco'”.

Collins conclui que, golpeando as pedras, os antigos egípcios foram capazes de criar algum tipo de sustentação com vibração do som que permitiu que os blocos de construção desafiassem a gravidade e se movessem sobre o solo a uma distância de cerca de 86,5 metros, antes que eles precisassem ser atingidos novamente para alcançar o mesmo resultado. “Depois de produzir um impulso inicial, eles seriam capazes de tirar proveito de Primeira Lei do Movimento de Newton”.

Uma pesquisa recente (e legítima) no campo da “levitação acústica” tem sido aproveitada como mais uma prova de que os egípcios, juntamente com os construtores de Stonehenge e as estátuas da Ilha de Páscoa, dominavam esta ciência.

2. As pirâmides se alinham com a constelação de Orion

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A astronomia desempenhou um papel na concepção e construção das pirâmides. A grande pirâmide de Khufu, por exemplo, contém quatro eixos voltados para o meridiano no céu. Quando foi construída (2500 aC), estes eixos visavam os pontos de trânsito de Thuban, Sirius, Kochab e do Cinturão de Orion. Aparentemente, os eixos serviriam para direcionar o espírito do faraó morto para essas estrelas principais. Thuban e Kochab eram “As Imperecíveis” (estrelas que nunca morrem) circumpolares, enquanto Orion representava a divindade Osíris e Sirius sua consorte, Isis.

Mas Robert Bauval, em seu livro “O Mistério de Orion”, levou a astronomia egípcia um pouco mais longe, afirmando a existência de uma correlação entre a localização das três maiores pirâmides do complexo de pirâmides de Gizé e as três estrelas que formam o Cinturão de Orion. No entanto, esse alinhamento só seria possível se as pirâmides tivessem sido construídas 12 mil anos atrás.

A “teoria da correlação de Orion” continua popular, apesar de ter sido desmascarada por dois astrônomos proeminentes. Por exemplo, Ed Krupp, diretor do Observatório Griffith, em Los Angeles e conhecido especialista em arqueoastronomia observou inconsistências gritantes nestes argumentos.

“Os leitores de ‘O Mistério de Orion’ mostram uma fotografia aérea de Gizé emparelhada com uma imagem do Cinturão de Orion. Há algo de errado com essas imagens, no entanto. São orientadas com o norte na parte inferior da página. O Cinturão de Orion, por outro lado, tem o norte na parte superior. Para fazer com que as pirâmides combinem com o céu, você tem que virar o Egito de cabeça para baixo. Na verdade, todos os mapas do livro do Egito são publicados de cabeça para baixo, com o sul na parte superior”.

E, de acordo com Anthony Fairall, professor de astronomia na Cidade do Cabo, enquanto a linha das duas pirâmides exteriores é definida a partir de 38 graus ao norte, o ângulo do Cinturão de Orion para o norte em 10.500 aC está perto de 50 graus.

“A escolha de Bauval por 10.500 aC (quando Orion está mais ao sul em seu ciclo de precessão) também supostamente coincide com a Via Láctea se alinhar com o Nilo. Mas o curso do Nilo é variável e nós não sabemos agora com qualquer precisão por onde ele passava em 10.500 aC”, diz.

1. O poder da pirâmide

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A ideia de que a própria forma das pirâmides as torna capazes de potencializar poderes regenerativos provavelmente tem suas origens nas primeiras descobertas de múmias bem conservadas no Egito. No início do século XX, o pesquisador francês Andre Bovis testou a teoria construindo uma réplica em escala reduzida da Grande Pirâmide e colocando carne crua por dentro para ver se ela apodrecia. Ouvindo estas experiências, o engenheiro de rádio tcheco Karl Drbal construiu uma pirâmide de papelão e alegou ela que tinha efetivamente afiado suas lâminas de barbear. Em 1959, foi concedida uma patente comercial para seu Afiador de Lâmina de Barbear Quéops.

Mas a idade de ouro do poder da pirâmide foi a década de 1970. Na época, Bill Sievert, um escritor sediado em São Francisco, ironicamente observou que este era o fenômeno pop perfeito para a era Jimmy Carter. “É simples, não requer muito empenho e qualquer um que pode comprar um pedaço de papelão pode participar”.

Dependendo da literatura e dos anúncios que você lê, não havia limites para o que as pirâmides poderiam realizar: afiar talheres, envelhecer vinho, remover o amargor do café, preservar os alimentos, purificar a água da torneira, fortalecer a recepção de TV, reduzir a dor e, claro, ajudar na meditação.

“Como tem sido o caso com tanta frequência durante as últimas 500 décadas”, escreveu Sievert, “as pirâmides ainda podem fazer de bobas muitas pessoas letradas”. [io9]

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