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21 anos de dados confirmam: milho transgênico não só é seguro, como tem benefícios para a saúde

Por , em 21.02.2018

Defensores de alimentos orgânicos citam frequentemente matérias jornalísticas ou estudos isolados para respaldar sua visão de que as culturas geneticamente modificadas não são boas para nós, ou seja, não aumentam os rendimentos dos agricultores e nem são seguras para a saúde.

Mas os cientistas sabem tirar melhores conclusões do que isso. Eles preferem analisar os resultados de muitos estudos científicos revisados por outros cientistas.

Foi o que uma equipe italiana fez, aliás. Através de uma meta-análise rigorosa que vasculhou os dados de mais de seis mil estudos abrangendo 21 anos de informação coletada, os pesquisadores descobriram que o milho transgênico possui diversas vantagens sobre as variedades convencionais e é seguro.

O milho transgênico aumentou os rendimentos até 25% (variando de 5,6 a 24,5% nos países com culturas) e diminuiu drasticamente os contaminantes perigosos do alimento. A análise incluiu dados a partir de 1996, quando o primeiro milho transgênico foi plantado, até 2016 nos Estados Unidos, Europa, América do Sul, Ásia, África e Austrália.

Um artigo com as descobertas foi publicado na revista científica Scientific Reports.

Benefícios para a saúde

O estudo também reafirmou o consenso científico de que o milho geneticamente modificado não representa riscos para a saúde humana. Pelo contrário, pode ter benefícios.

Por exemplo, as culturas de milho transgênico apresentaram porcentagens mais baixas de micotoxinas (-28,8%), fumonisinas (-30,6%) e tricotecenos (-36,5%).

As micotoxinas são tóxicas e cancerígenas. O milho transgênico provavelmente apresenta menor teor porque as variedades geneticamente modificadas diminuem o dano feito por insetos em 59,6%. Esse dano enfraquece o “sistema imunológico” da planta, deixando-a mais suscetível ao desenvolvimento de fungos.

As micotoxinas são uma ameaça persistente para a saúde humana e animal. Embora o milho comercial seja analisado para contaminação, sistemas de segurança alimentar geralmente não são tão rigorosos, resultando em exposição significativa aos seus efeitos tóxicos e cancerígenos. Estudos têm demonstrado que a contaminação por micotoxinas está associada ao aumento das taxas de câncer de fígado, por exemplo.

Rendimentos maiores, sim – especialmente no Brasil e outros países em desenvolvimento

A meta-análise italiana também marca o que poderia ser um capítulo final em outra faceta do debate sobre o uso de transgênicos na agricultura. Recentemente, o argumento de que as culturas transgênicas não resultam em aumentos de rendimento recebeu atenção proeminente após a publicação de uma matéria de capa do New York Times.

O artigo citava um relatório das Academias Nacionais de Ciências dos EUA dizendo que “havia poucas evidências” de que a introdução de culturas geneticamente modificadas nos Estados Unidos produziu ganhos além dos observados em culturas convencionais.

As informações foram tiradas de seu contexto, no entanto. O relatório americano apenas afirmava o óbvio: nenhuma cultura transgênica foi projetada especificamente para aumentar os rendimentos, mas sim para combater as perdas de ervas daninhas e insetos, o que, aliás, teve um impacto positivo óbvio na rentabilidade das culturas.

A matéria do New York Times também deixou de fora a informação de que o rendimento e os ganhos de lucro foram maiores nos países em desenvolvimento. Uma revisão feita em 2015 pela PG Economics descobriu que as culturas transgênicas proporcionaram benefícios econômicos de US$ 133,4 bilhões de 1996 a 2013, com cerca de metade dos ganhos sendo de agricultores em países em desenvolvimento.

De acordo com o estudo italiano, mais de 53 milhões de hectares de milho geneticamente modificado foram cultivados em 2015, representando quase um terço da área global de milho plantado. Os Estados Unidos lideram a produção em 33 milhões de hectares, com Brasil, Argentina e Canadá também plantando grandes quantidades.

Enquanto os aumentos de rendimentos foram mais modestos em países desenvolvidos onde as condições de crescimento são piores, o aumento do cultivo de milho transgênico nos países em desenvolvimento poderia proporcionar aos agricultores e consumidores benefícios substanciais para a saúde e economia, conclui a meta-análise italiana. [GLP]

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