Polêmica: isso é pipoca caramelizada, abacaxi ou o sol em altíssima resolução?

Por , em 30.01.2020

Para que estamos olhando? A imagem pode parecer confusa, lembrar ouro ou favos de mel, mas é na verdade a melhor fotografia já tirada da superfície do sol.

Ela só foi possível graças ao Telescópio Solar Daniel K. Inouye (DKIST) no Havaí, o maior telescópio solar do mundo.

“Vimos agora os menores detalhes sobre o maior objeto do nosso sistema solar. O que pensávamos anteriormente como um ponto brilhante, uma estrutura, agora está se dividindo em muitas estruturas menores”, disse Thomas Rimmele, diretor do DKIST.

Com esse observatório e o lançamento de duas novas sondas, uma nova era para o estudo do sol está despontando.

Super resolução

A foto tem cinco vezes mais resolução do que as melhores imagens anteriores da nossa estrela.

Essa é a primeira vez que conseguimos observar essas pequenas estruturas. O padrão visto é formado por “células” de plasma que dançam pela superfície do sol. Embora pareçam minúsculas, cada uma tem centenas de quilômetros.

Os centros brilhantes das células marcam onde o plasma está subindo e os contornos escuros onde estão “afundando” de volta no sol.

O vídeo abaixo mostra dez minutos da turbulência solar em 14 segundos, cobrindo uma área de cerca de 200 milhões de quilômetros quadrados:

DKIST

Os cinco instrumentos do DKIST foram projetados para fazer imagens e pesquisar o campo magnético do sol, permitindo que os pesquisadores definam sua força e orientação.

Um dos objetivos dos astrônomos é utilizar os dados para resolver um mistério antigo sobre a coroa solar – ou corona, o envoltório luminoso do sol -: por que ela é milhões de graus mais quente que a superfície da estrela?

“Campos magnéticos em tamanhos menores são a chave para resolver esse mistério”, afirmou Rimmele.

E esse é só o começo. A imagem foi feita em 10 de dezembro, o primeiro dia de operações do telescópio. Diversos instrumentos científicos ainda serão instalados.

Era de ouro

Além de revelar segredos da coroa, o DKIST também deve ajudar os cientistas a prever erupções solares – quando o sol envia rajadas de plasma para a Terra, que podem ser perigosas para o funcionamento de satélites e redes elétricas.

Junto com o DKIST, duas novas sondas também irão fornecer informações preciosas para os astrônomos, que poderão entender melhor o ciclo de atividade solar, os ventos solares e muito mais.

Uma delas já está em órbita: a Parker Solar Probe, da NASA, lançada em agosto de 2018. Ela voará repetidamente pelo sol a 700.000 quilômetros por hora pelos próximos cinco anos, e já está fazendo medidas valiosas do material ejetado pela estrela.

A outra, a Solar Orbiter da Agência Espacial Europeia (ESA), deve ser inaugurada em 7 de fevereiro. Essa missão deve fazer as imagens mais detalhadas já vistas do sol.

Além de fazer close-ups, a Solar Orbiter também poderá utilizar encontros repetidos com Vênus para gradualmente aumentar a inclinação de sua órbita – se a missão for estendida além dos sete anos iniciais, conforme é esperado – chegando a 33 graus acima do plano dos planetas. Isso permitirá que ela rbite o sol em um ângulo alto, capturando imagens dos seus polos.

Juntas, essas novas missões anunciam uma próxima “era de ouro” para os estudos solares. “Eles têm o potencial de definir a direção futura da pesquisa solar e heliofísica”, disse Gregory Fleishman, do Instituto de Tecnologia de Nova Jersey (EUA).

“Teremos essas três [missões] diferentes para nos fornecer todas essas observações diferentes, coisas como nunca tivemos antes. Espero que possam responder a algumas dessas grandes perguntas que temos na física solar no momento”, completou Stephanie Yardley, física solar da Universidade de St. Andrews (Escócia). [NewScientist, ScientificAmerican]

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