Atletas trapaceiros: cuidado com os banheiros da Vila Olímpica em Londres

Por , em 23.02.2011

A Vila Olímpica de Londres, esboço em 2008, agora chega perto da realidade. No momento em que as cerimônias de abertura se iniciarem, no verão londrino de 2012, as modernas instalações educacionais, clínicas de saúde, creches e academias já estarão espalhadas ao longo de quase 25 hectares de novos parques e pátios abertos.

Esses esforços beneficiarão a cidade por muito tempo após os Jogos Olímpicos. Por exemplo, as residências dos atletas serão convertidas em 2.800 novas casas, sendo que cerca de 50% delas são designadas como habitação a preços acessíveis.

A vila também possui um monumento escultural de arquitetura grandiosa, a Estação Elevatória de Águas Residuais do Parque Olímpico, instalação dourada com tons suaves de roxo que funcionará como um sistema de esgoto ultramoderno inteiramente no subsolo.

E pesquisadores já alertam que a estação pode ter mais de um uso: eles sugerem que o esgoto, em vez de simplesmente transportar resíduos, sirva também como “acusador” de atletas que trapaceiam com substâncias dopantes.

Os atletas vão à procura de elixires para aumentar a performance desportiva há milhares de anos. A única diferença é que, em 200 a.C., em vez de esteróides anabolizantes e hormônios de crescimento humano, os atletas devoravam extrato de cogumelos e plantas na esperança de bater a concorrência.

Uma coisa mudou, entretanto: os esforços e a capacidade de rastrear aqueles que infringem as regras. Os cientistas citam exemplos rigorosos onde pesquisadores monitoram o uso de drogas ilícitas através de análise química de águas residuais de forma precisa e reprodutível. Quando se trata de tempo para testes de drogas antes da competição, os funcionários da Vila estariam melhor servidos pelo acompanhamento passivo do esgoto que flui dos banheiros do parque.

A teoria dos pesquisadores é reforçada por dados publicados há três anos por outros cientistas, que estavam incomodados com as estatísticas dos relatórios de crime, prontuários e inquéritos de auto-relato, e queriam encontrar uma medida reprodutível mais precisa para obter dados sobre drogas.

Sabendo que certos metabólitos atravessam o sistema digestivo intactos, eles adivinharam que o uso recreativo de drogas como maconha, cocaína e MDMA (ecstasy) poderia ser calculado por meio de testes nas águas residuais. Assim, a equipe provou sua tese em sistemas de esgotos em Milão, Londres, e Lugano, na Suíça.

Embora os dados dessa antiga pesquisa só forneçam um panorama da atividade da droga em um determinado ponto no tempo, a técnica em si é bastante fácil de se realizar, e pode ser repetida quantas vezes for necessário – naquele caso, a cada 20 minutos, durante cada período de acompanhamento de uma semana.

Usando espectrometria de massa cromatografia- tandem líquida, ou EM-CT, os pesquisadores podem descobrir quais compostos individuais são misturados em uma complexa amostra líquida.

Com base em quanta água foi canalizada através da estação de tratamento em um determinado dia, e no número de moradores que vivem no setor, a equipe poderia estimar o uso de drogas na zona servida pela rede de esgoto.

A equipe mostrou que as medições são reprodutíveis, porque perfis quase idênticos de consumo de drogas surgiram no momento da amostragem ao longo de três semanas diferentes.

E através da uniformização dos dados para o quanto um usuário consome drogas em uma dose padrão, as medidas combinavam com tendências semelhantes aos dados reunidos a partir de fontes médicas e criminais, bem como dados de auto-relatados.

Enquanto os resultados dessa pesquisa confirmam que o EM-CT pode ser usado para identificar a atividade de drogas recreativas, outro estudo provou que as drogas que melhoram o desempenho de atletas também podem ser detectadas a partir do banheiro a partir de análises de três academias que tinham uma reputação de clientela que gosta de esteróides e estimulantes.

Ok, esses estudiosos indicam que as técnicas de análise química pode realmente detectar drogas no esgoto, mas mostrar que atletas olímpicos usam drogas com base em vestígios de substâncias ilegais faria diferença? A menos que os pesquisadores possam mostrar quem estava usando, não.

Os pesquisadores do novo estudo pretendem aproveitar técnicas desenvolvidas durante anos de investigação ambiental para isolar a origem de certos poluentes orgânicos que contaminam fontes de água através da coleta de amostras. Ao seguir um rastro químico, os cientistas ambientais e químicos poderiam descobrir qual empresa foi a culpada pelo vazamento de poluentes, por exemplo, e multá-la.

A detecção de substâncias dopantes em uma instalação de tratamento de águas residuais que serve milhões de pessoas seria bastante complicada. Na estação central de processamento, as amostras seriam demasiado diluídas para zero para que o usuário seja localizado. A vantagem que pode resolver esse problema, segundo os pesquisadores, é que as vilas olímpicas servirão apenas dezenas de milhares de pessoas. Consequentemente, as concentrações de drogas nas estações de processamento central ainda seriam altas o suficiente para permitir o retrocesso adequado.

Com as Olimpíadas de Londres batendo na porta, e a maioria da infra-estrutura já existente, os pesquisadores acreditam que não há espaço para tal ideia ser aplicada ainda em 2012. Mesmo que pudessem espremer a tecnologia para esses Jogos, há inúmeros obstáculos regulamentares à frente, como a Agência Mundial Anti-Doping e a privacidade e preocupações legítimas legais que devem ser abordadas. Mas a técnica é certamente uma promessa para futuros eventos. [Wired]

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1 comentário

  • nml:

    Falta ‘humanizar’ o esporte. Atletas são submetidos à pressões fortíssimas por resultados, treinos degastantes. É quase inevitável remédios para dores e etc. O ideal é não estressar muito, tal qual aquele time de verde… E aquela atleta com vara? deixou o ouro do pan pq ‘achou’ q a concorrente não iria bater o próprio recorde… o tal do consagrado ‘quase’… e o time de amarelo? esse sim faz justiça a cor da camisa!

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