Nova descoberta faz cientistas repensarem a teoria sobre a origem dos primeiros animais

Por , em 13.08.2018

Quando os animais se originaram? Pesquisadores do Instituto Tecnológico de Tóquio (Japão), da Universidade de Cambridge (Reino Unido) e da Universidade Northwest (China) podem ter descoberto a resposta para essa importante questão.

Seu estudo aponta para fósseis do Período Cambriano de uma criatura marinha parecida com uma folha, chamada Stromatoveris psygmoglena.

À luz dessa nova evidência, algumas das ideias mais antigas sobre a evolução inicial dos animais podem precisar ser revisadas.

Elo perdido

O Período Ediacarano (635 a 542 milhões de anos atrás) é fundamental para entender a origem dos animais porque ocorreu pouco antes da chamada “Explosão Cambriana”, 541 milhões de anos atrás, quando muitos dos grupos animais que vivem hoje apareceram pela primeira vez no registro fóssil.

No entanto, quando grandes fósseis do Período Ediacarano foram identificados pela primeira vez durante o século XX, além das criaturas que conhecemos, foram observados seres únicos, semelhantes a folhas, que não pareciam ter ligações com qualquer animal vivo.

Isso levou a um dos maiores debates ainda em curso na área da evolução biológica: o que exatamente eram esses fósseis enigmáticos, frequentemente chamados de biota ediacarana?

Ao comparar tais membros da biota ediacarana a uma série de outros grupos animais utilizando análise computacional, os pesquisadores do novo estudo descobriram que a Stromtoveris psygmoglena fornece uma ligação crucial entre este período mais antigo e os animais que apareceram em número e diversidade surpreendentes durante o Cambriano.

Comparação

Fósseis de Stromatoveris psygmoglena são encontrados em apenas um lugar do mundo: o condado de Chengjiang, na China. Esta região é conhecida por fósseis cambrianos excepcionalmente bem preservados de 518 milhões de anos atrás. Enquanto o registro fóssil preserva principalmente conchas duras ou ossos, alguns locais especiais como Chengjiang conservam também restos de animais de corpo mole, como o Stromatoveris psygmoglena.

Originalmente descrito em 2006 a partir de oito espécimes conhecidos, a nova pesquisa examinou mais de 200 fósseis do organismo descobertos por pesquisadores da Universidade Northwest e datados do Período Cambriano.

Esses fósseis recém-examinados retêm tecido à base de carbono, o que permitiu aos cientistas analisar detalhadamente sua anatomia. Essas informações, por sua vez, foram comparadas a de fósseis ediacaranos anteriores, cobrindo criaturas unicelulares como protozoários, algas e fungos e nove tipos de animais. A comparação utilizou mais de 80 fotografias de espécimes fósseis individuais para confrontar características anatômicas entre esses grupos.

A análise mostrou que o Stromatoveris psygmoglena e sete membros-chave da biota ediacarana compartilham anatomias muito semelhantes, incluindo múltiplas ramificações semelhantes à de algas marinhas, o que une essas criaturas em um novo grupo de animais primitivos chamado Petalonamae (um filo extinto do período Ediacarano, cujos membros se assemelhavam a frondes, ou folhas de samambaia).

Evolução animal: novas informações

Como os membros da biota ediacarana foram agora classificados como animais, podemos datar a origem do reino animal pelo menos no momento em que esses fósseis apareceram. Os membros mais antigos desses grupos são conhecidos como “rangeomorfos” (da ordem Rangeomorpha) e aparecem no registro fóssil há aproximadamente 571 milhões de anos, no final do período Ediacarano.

Isso significa que as espécies animais estavam se diversificando bem antes da explosão cambriana. Também pode significar que a busca por origens animais precisa se concentrar em uma época anterior, nos primeiros períodos geológicos ediacaranos ou ainda mais antigos.

Este estudo também tem implicações importantes para a ecologia e eventual extinção do filo Petalonamae. Muitas espécies ediacaranas não foram encontradas em rochas posteriores, levando alguns pesquisadores a pensar que foram uma “experiência fracassada” na evolução, desaparecendo no início do Cambriano.

Os novos fósseis de Stromatoveris psygmoglena alteram essa imagem sobre a biota ediacarana, uma vez que provam que os Petalonamae sobreviveram por pelo menos mais de 20 milhões de anos no Período Cambriano. Todas essas revelações significam que os pesquisadores precisam repensar várias de suas teorias sobre a evolução animal.

Atualização das apostilas

Além disso, mais de 200 fósseis de Stromtoveris psygmoglena foram encontrados, apesar do fato de que essas criaturas não possuíam partes duras, mais facilmente preservadas. Isso indica que essa espécie era um membro importante de seu ecossistema marinho, em vez de um sobrevivente raro ou marginal.

Tal conclusão poderia significar que os Petalonamae se adaptaram com mais sucesso às mudanças do período cambriano do que os cientistas pensavam, ou que os animais do período Ediacarano eram mais avançados do que acreditávamos.

A única certeza, por enquanto, é de que o reino animal que ocupamos hoje é muito mais antigo do que supúnhamos.

Um artigo com as descobertas foi publicado na revista Palaeontology. [Phys]

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