Dar tapinhas no ombro de alguém pode ser ruim para você

Por , em 1.10.2013

De acordo com um novo estudo, dar aquele tapinha amigável no ombro de alguém pode sair pela culatra: após o ato, a pessoa que recebeu o tapinha se torna menos propensa a ajudar quem quer que tenha sido o autor da ação.

Os pesquisadores afirmam que usar o contato físico nas relações interpessoais é geralmente visto como algo positivo, começando com as mães, que agradam seus bebês para transformar as lágrimas em riso. Segundo os cientistas, vários estudos descobriram que o toque tem um impacto positivo sobre as interações entre as pessoas e pode até mesmo aumentar o desempenho de esportistas de alto nível, como os jogadores profissionais de vôlei e basquete.

No entanto, a equipe acredita que o toque também possa ser usado como um gesto dominante que coloca a outra pessoa em uma “posição submissa”. Os pesquisadores, da Universidade KU Leuven, na Bélgica, resolveram testar se o toque às vezes pode ter efeitos nocivos sobre a cooperação – e publicaram suas descobertas na revista Social Influence.

Em um experimento, 74 participantes começaram a realizar uma tarefa sozinhos, antes de um outro colega estudante entrar na sala. Ambos, em seguida, desempenharam outra atividade semelhante em silêncio, o mais rápido possível. Depois disso, o segundo participante ou desejou sorte ao primeiro estudante e foi embora, ou desejou-lhe sorte e lhe deu, delicadamente, tapas no ombro três vezes antes de sair.

Na sequência, os participantes receberam ingressos para um filme e foram incentivados a convidar outro aluno para ir com eles. Resultado: um número significativamente menor de ingressos foi partilhado com as pessoas que tinham dado um tapinha no ombro dos estudantes. A maioria deles escolheu os participantes que não haviam encostado neles.

Um segundo experimento envolveu 54 participantes. Todos eles se sentaram em uma sala ao lado de outra pessoa, na tentativa de completarem uma tarefa para ganhar ingressos de cinema.

Alguns deles receberam a informação de que a pontuação conjunta da dupla determinaria a chance de ganhar e se sentaram ao lado do companheiro de tarefa. Outros foram informados de que eles tinham que obter uma pontuação individual maior do que o companheiro e se sentaram separadamente.

Novamente, no final da tarefa, alguns participantes receberam os três tapinhas suaves no ombro, além de uma mensagem de boa sorte, enquanto outros apenas ouviram o desejo de boa sorte, mas não foram tocados.

Aqueles que estavam competindo com o companheiro de atividade deram à outra pessoa seis dos 20 créditos para a chance de ganhar ingressos se foram tocados. Em comparação, os participantes deram 9 créditos aos parceiros que não os haviam dado tapinhas. Por outro lado, os participantes que não estavam competindo com o colega pela maior pontuação, e sim colaborando, deram um pouco mais de créditos no caso de terem sido tocados.

Segundo o autor principal do estudo, Camps Jeroen, isso significa que apesar do que algumas pessoas possam pensar, tocar alguém pode nem sempre ter as consequências sociais desejáveis. “Um simples toque no ombro, mesmo com a melhor intenção, só fará mal à pessoa que recebeu o tapinha caso ele tenha sido dado no lugar errado e na hora errada. A presente pesquisa discutiu e demonstrou que, em uma situações de competição, o contato afeta negativamente as interações cooperativas entre as pessoas envolvidas”, diz. [Daily Mail]

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