Alguns tipos de estresse podem aumentar a expectativa de vida

Por , em 22.11.2018

Calma, quando falamos de estresse, não estamos nos referindo à uma rotina puxada em que tudo é cronometrado e somos pressionados para ter uma performance incrível todos os dias no trabalho. Esse tipo de estresse causa a liberação de hormônios ruins (adrenalina e cortisol) que aceleram os batimentos cardíacos, aumentam a sudorese e os níveis de açúcar no sangue.

Estamos falando de calor, frio ou baixa ingestão de calorias – por poucos minutos por dia. Nesses cenários, a maioria dos animais costuma viver mais do que o comum. Isso se chama hormesis, um processo em que uma célula ou organismo têm uma resposta à uma condição ambiental.

O corpo compensa quando está sob estresse, e paradoxalmente o estresse acaba sendo um fator que causa uma vida mais longa.

Moscas-das-fruta


Um dos primeiros estudos sobre isso aconteceu em 1962, quando moscas-das-frutas (Drosophila) foram analisadas em um ambiente quente. Em resposta a este fator de estresse, as células da mosca liberaram proteínas que foram chamadas de Proteínas de Choque de Calor, que protegem biomoléculas delicadas.

Apesar de se chamar Proteínas de Choque de Calor (HSP, na sigla em inglês), essa família de proteínas é liberada também no frio e quando há redução de calorias para as células.

Essas proteínas também são liberadas quando há exercício físico e quando o organismo tem dieta rica em fibras, alho e pro bióticos. O corpo responde ao álcool como se fosse um veneno, e aumenta o nível de HSP. Este mecanismo pode ser o responsável pela diminuição de ataques cardíacos em quem consome a bebida em pouca quantidade. Já as dietas ricas em gordura reduzem a liberação da HSP.

Nas pessoas, as HSP diminuem a perda muscular e protegem contra os danos de derrames e contusões no cérebro.

Saunas

Estudos que avaliam os benefícios do uso de saunas mostram que quem frequenta a sauna pelo menos quatro vezes por semana por pelo menos 20 minutos têm melhor saúde vascular e sistema imunológico.

As saunas também estão associadas com a liberação de hormônios de crescimento, e podem ser uma forma mais segura e barata de tratar crianças de baixa estatura do que as injeções com hormônios. Antes de empurrar seu irmãozinho para a sauna mais próxima, é importante consultar um endocrinologista pediátrico para saber a recomendação dele ou dela, e lembre-se que crianças não devem usar a sauna sozinhas ou ficar muito tempo lá dentro.

Um cardiologista finlandês, Jari Laukkanen, acompanhou por 20 anos homens de meia-idade que frequentam saunas regulamente, e seu estudo concluiu que pouquíssimos desses homens tiveram mortes por causas cardiovasculares quando comparado com o público geral, e 40% de queda em todos os tipos de causa de morte. Isso representou uma vida, em média, 3 anos mais longa que do resto da população do país.

Frio


O frio também faz o corpo liberar HSP. Um estudo publicado em 2016 analisou 3.018 participantes sem doenças sérias entre 18 e 65 anos. Eles não tinham hábito de tomar banho gelado, e foram divididos em grupos que tomavam banhos frios por 30, 60 e 90 segundos, além de um grupo controle. O resultado foi que aqueles que tomaram banho gelado tiveram redução de 29% no número de faltas no trabalho por doença quando comparado com o grupo de controle.

Alguns diretores de pré-escolas na Rússia também acreditam na associação entre banhos frios e menos dias de doença, segundo o jornal Siberian Times. O diretor de uma delas, Olesya Osintseva, lidera um programa há mais de 20 anos que incentiva crianças de dois a seis anos a jogarem água fria na cabeça todos os dias. Ele relata que 95% das crianças desse grupo são saudáveis em comparação com 75% das crianças da turma que não tem esta prática.

Na escola, as crianças são divididas em dois grupos: as da turma “molhada” e as da turma “seca”, segundo decisão dos pais. As da turma molhada começam o programa aos dois anos de idade, durante o verão, quando a temperatura externa é de mais de 30oC.

Quando chega o inverno, elas já estão acostumadas. Nenhuma criança começa o programa durante os meses de frio, e os banhos só são cancelados em dias de muito vento. Mesmo quando a temperatura é de -10°C, as crianças brincam com a água fria. As escolas russas só são fechadas quando a temperatura chega a -30°C.

Todos os dias essas crianças colocam suas roupas de banho, correm para o pátio externo e viram um balde de água fria na própria cabeça. Quando há neve, elas são incentivadas a brincar na neve por alguns segundos, e depois correm de volta para dentro da escola para se secar e comer. A atividade dura apenas 90 segundos.

[NCBI, Nutrients, JAMA, PLOS ONE, The Siberian Times, Josh Mitteldorf]

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