Extinção faz bem para o planeta?

Por , em 6.03.2013
O dodô (Raphus cucullatus) é uma ave não voadora extinta endêmica das Ilhas Maurícias

O dodô (Raphus cucullatus) é uma ave não voadora extinta endêmica das Ilhas Maurícias

Uma curiosa exposição do Museu de História Natural de Londres (Inglaterra) vai explorar os benefícios da extinção e a possibilidade de erradicar a própria humanidade.

Uma série de espécies mortas há muito tempo vão enfeitar a “Extinction: Not the End of the World?” (em português, “Extinção: não é o fim do mundo?”), na qual os visitantes poderão observar todos os tipos de animais estranhos, de aves a peixes, incluindo um tigre dentes de sabre, moluscos gigantes e, naturalmente, o “animal-propaganda” da extinção, o dodô.

Conforme será possível ver nas sessões, a extinção pode não ser tão ruim assim, afinal. “Extinção, como a morte, é uma parte natural da vida”, declara uma epígrafe no início da exposição reflexiva. “A extinção não é necessariamente o fim do mundo, poderia ser apenas o começo…”.

O objetivo da mostra é fazer os visitantes questionarem suas ideias sobre a extinção. Ela é pior quando causada por seres humanos do que por meteoritos ou erupções vulcânicas? A nossa palavra de ordem deve ser conservação, ou deveríamos deixar alguns organismos serem extintos?

As cinco grandes extinções em massa da história eliminaram grandes porções de vida, mas novas espécies também surgiram em seguida, “melhoradas” pela evolução, para herdar a Terra.

Mais de 99% das espécies que já existiram estão agora extintas, e a exposição tenta estabelecer se a extinção leva a evolução, que resulta em vida em todas as suas formas maravilhosas.

No entanto, a mensagem não deixa de ser manchada por um fato verdadeiramente preocupante: as ações humanas estão causando extinções de uma forma nunca antes vista, e, portanto, não sabemos o mal que possivelmente podem acarretar.

“Se não fizermos nada sobre isso, não se enganem, vai afetar extremamente o mundo em que vivemos”, explica Adrian Lister, paleontólogo do museu. “Levaria milhões de anos para a biosfera se recuperar”.

Enlatado: atum rabilho com uma mensagem de alerta

Enlatado: atum rabilho com uma mensagem de alerta

Mas nem tudo são espinhos. Histórias otimistas também estão em exposição: animais que estavam à beira do abismo e foram salvos através de esforços de conservação, como o condor californiano, o órix árabe e o cervo-veado Pere David da China.

Salvar outras espécies seria louvável, mas será que podemos? Ou devemos?

Em uma seção instigante, o museu apresenta o conceito de “Homo extinctus” – humanos eliminados da face do planeta para sempre. “Não há nada inevitável sobre a nossa sobrevivência”, diz Chris Stringer, diretor de origens humanas do museu. “A maior ameaça para nós é nós mesmos”.

O “jogo da sobrevivência” que os humanos terão que enfrentar é demonstrado na exposição através de um videogame retrô. No game da extinção de espécies, o jogador deve manobrar uma criatura estilo Pac Man em torno de um mundo cercado de gelo, insetos rastejantes, vulcões ardentes e ventos incessantes, o tempo todo competindo com outras espécies animadas por alimentos esparsos.

O toque de gênio é a disponibilidade de “adaptação”, um lance que permite que o jogador evolua características para ajudá-lo a sobreviver por mais tempo no mundo hostil.

Na vida real, este jogo pode ser ainda mais difícil. O H. sapiens é a única espécie sobrevivente de sua família, e estamos com “apenas” 400.000 anos. Como observa Stringer, nosso parente mais próximo, o H. erectus, sobreviveu por 2 milhões de anos. “Temos um longo caminho a percorrer”, conclui.

A exposição “Extinção: não é o fim do mundo?” ficará aberta de 8 de fevereiro a 8 de setembro de 2013, no Museu de História Natural de Londres.[NewScientist, Standard]

Tigres fazem parte do grupo de animais em perigo de extinção

Tigres fazem parte do grupo de animais em perigo de extinção

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (2 votos, média: 5,00 de 5)

8 comentários

  • FartherAway:

    Parece que somos um peixe fora d’agua .

  • Genioso Irreligioso:

    “As cinco grandes extinções em massa da história eliminaram grandes porções de vida, mas novas espécies também surgiram em seguida, “melhoradas” pela evolução, para herdar a Terra. ”

    A própria extinção parece ter evoluido atingindo um novo patamar: somos a primeira espécie a adquirir capacidade de se “auto-extinguir”! =[

    • Duda Weyll:

      Evolução não tem esse sentido, foi um termo meio que “forçado”, tão forçado que Darwin só o aceitou na última edição de Origem das Espécies antes de sua morte.

      O termo “seleção natural” é mais apropriado, quem consegue ficar vivo até a idade sexual e consegue se reproduzir que se estabelece. Ou seja, não é uma evolução determinado por uso do que é bom e desuso do que é ruim, mas uma seleção do que funciona e não funciona no ambiente.

      Os humanos não são o máximo da evolução, só são uma espécie que funciona nesse ambiente acontecendo atualmente (que vai mudar e se não mudarmos junto morremos).

  • Henrique Telles Dos Santos:

    até parece que faz bem para o planeta,o dodo quando foi extinto quase extinguiu uma espécie de dicotiledônia a arvore-dodo (que só se desenvolvia no estomago dele),quando o tilacino foi extinto alguns dasiurus(espécies de marsupiais) se reproduziram com mais amplitude,e quando a vaca marinha de steller desapareceu algumas plantas quase desapareceram também,(pois ele plantava em suas fezes),agora estão falando que a extinção vai fazer bem para o homem??tenha dó viu…

  • Beto de Freitas:

    Dá mesma forma que fico triste por não poder ver um Dodô ou um Tilacino real, vivo e se mexendo, as pessoas do futuro sentirão a mesma tristeza ao ver certas espécies tratadas como porcaria hoje em dia empalhadas atrás de uma vidraça. Estão querendo manipular o pensamento humano pra que se justifique a merda que estamos fazendo. Só sobrarão os big fives africanos como uma raridade excepcional, os animas que usamos pra consumo e o resto: pro lixo. Parabéns humanidade, pela bela merda de administração planetária.

  • Danilo Moço:

    Bem, se os dinossauros não tivessem sido extintos, nós não estaríamos aqui. Mas se pensarmos bem vamos ver que nossa raça perante a natureza não é,infelizmente, tão significante quanto outras espécies, isso porque não fazemos controle populacional de espécie nenhuma, normalmente quem fazem algum tipo de controle são algumas pessoas que vivem em tribos, mas não chegam a ser comparadas em nível de população com o resto do mundo , nossa cadeia alimentar posso dizer que é quase que desprezível, nenhuma espécie no meio natural precisa de nós pra viver, aliás nós precisamos das outras, pois se uma determinada espécies desaparece todo o ecossistema entra em desequilíbrio,afeta todos inclusive nós, aí podemos nos perguntar até em que ponto o ser humano tão especial? Hoje se fossemos extintos,não que eu queira isso, mas a vida e o equilíbrio natural dos seres vivos na Terra continuariam perfeitamente bem!!

    • Duda Weyll:

      Ratos, baratas, pulgas, chatos, cães, gatos e todas as demais espécies que dependem de nossos hábitos, lixo e organização ambiental (cidades, fazendas, etc) dependem dos humanos para continuarem vivos… Nós modificamos diversas espécies só para nos servirem (os pets, por exemplo), modificamos tanto que sem o homem seriam extintos por não terem capacidade de se adaptar a um ambiente sem nós.

      O homem é só mais um bicho e, como tal, cria uma cadeia de sobrevivência com outras espécies.

      Quanto à pergunta do título da matéria, não tem sentido perguntar isso, baseia-se na Hipótese de Gaia, a vida é só mais um fenômeno do universo, melhor seria perguntar se faz bem para nós, os humanos.

    • Pedro Henrique:

      Errado. Se isso acontecesse (não que eu queira também), a vida e o equilíbrio natural dos seres vivos na Terra melhorariam e muito.

Deixe seu comentário!