O hidrogênio é o futuro do automobilismo?

Por , em 20.05.2012

A abertura de uma estação pública de reabastecimento para veículos movidos a hidrogênio no Reino Unido é parte dos esforços para criar uma nova alternativa de combustível.

Ela também é vista como um passo importante em um esquema para tornar os veículos de hidrogênio uma alternativa viável para carros a gasolina.

Um carro movido a hidrogênio é muito mais limpo do que um carro convencional, o que com certeza vai ajudar a limpar as cidades.

O veículo depende de uma célula de combustível que pega o oxigênio do ar e combina com o hidrogênio a partir de um tanque para criar eletricidade. A eletricidade é usada para alimentar os motores elétricos, que fazem o carro rodar.

Assim, os carros movidos a hidrogênio podem ser vistos como veículos elétricos, mas que não ficam limitados a carregar suas baterias.

Um carro com bateria elétrica roda cerca de 100 quilômetros (km). A hidrogênio, o veículo alcança até 500 km. E é recarregado em cinco minutos ao invés de cinco horas. De acordo com os pesquisadores, esse é, sem dúvida, o combustível do futuro.

Hidrogênio é mais barato do que a electricidade

A criação de uma infraestrutura de reabastecimento é essencial para o futuro do automobilismo movido a hidrogênio, que alguns fabricantes veem como o chamado automobilismo de emissões zero.

Para longas distâncias, as células de combustível hidrogênio são bastante promissoras.

A implantação da infraestrutura não vai ser barata, é claro, mas pode ser uma solução mais rentável do que a criação de uma estrutura para a recarga da bateria convencional de carros elétricos (e o Brasil, ainda mais atrasado que outros países, nem carros elétricos não possui). De acordo com um diretor executivo da Mercedes, mais estações de carregamento significam mais lugares de estacionamento que são necessários porque leva muito tempo para reabastecer.

Então o custo não é definitivamente um obstáculo para entrar nessa área.

Recarga em casa

Outras montadoras estão menos preocupadas com os custos relacionados com a motorização elétrica convencional.

A BMW, por exemplo, acredita que a maioria das pessoas irá carregar seus carros elétricos em casa, por isso a necessidade de uma ampla infraestrutura não é tão grande quanto muitos acreditam.

Em 11 milhões de quilômetros de testes feitos com o consumidor, a empresa constatou que o condutor médio cobre apenas 25 km por dia – bem dentro da faixa de modernos carros elétricos.

Consequentemente, os motoristas dos testes raramente recarregavam seus carros longe das suas casas e muitos deles recarregavam apenas a cada dois ou três dias.

A Nissan concorda de que há uma necessidade muito reduzida de uma ampla infraestrutura para recarregar carros elétricos de forma rápida. Para a empresa, a rede já existente de plugues fará o seu trabalho. Afinal, plugues existem em qualquer lugar.

A empresa reconhece que são necessários alguns carregadores rápidos em todo o país para as pessoas que fazem viagens mais longas poderem completar suas baterias. Com a tecnologia existente, isso só levaria 15 minutos.

Não rivais

Hoje realmente existem apenas duas maneiras de executar as emissões zero. O carro elétrico e o carro movido a hidrogênio.

Mas é preciso escolher entre um dos dois? Nem Mercedes, nem BMW, nem Nissan acham que sim.

O carro movido a hidrogênio é apenas a adição de uma outra solução para o futuro. Uma tecnologia não deve competir com a outra, tanto quanto o diesel não compete com o motor a gasolina – ambos têm (e terão) o seu lugar.

A boa notícia é que uma parte fundamental de ambas as soluções é a bateria. Baixar o custo das baterias é, portanto, onde todas as montadoras devem investir para alcançar a emissão zero de automobilismo.

Nesse momento, as empresas estão fazendo diversos protótipos de carros movidos a hidrogênio. É uma tecnologia nova, mas até 2020 haverá milhares, senão milhões, de automóveis ao redor do mundo.

Energia limpa necessária

Veículos elétricos e veículos de célula de combustível hidrogênio têm um potencial enorme para reduzir as emissões dos carros, embora o termo “automobilismo de emissões zero” precise ser tratado com cautela.

Ambos exigem que energia seja produzida antes em algum lugar, seja para gerar eletricidade ou para criar hidrogênio.

Por isso, para garantir que o total das emissões que resultam de nossas necessidades de transporte seja mínimo de fato, a energia também precisa vir de fontes de energia renováveis como a energia hidráulica ou eólica.

Enquanto os combustíveis fósseis, como carvão e o gás, permanecem como parte da energia de uma nação, a visão do automobilismo completamente livre de emissões continuará a ser apenas um sonho.[BBC]

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16 comentários

  • Dinho01:

    Uma perguntinha:O que vai ser da atmosfera com esses milhôes de carros consumindo oxigênio e liberando vapor d’água?

  • Henrique D’Agostini:

    o futuro é o motor magnético, sem necessidade nenhuma de combustão salvo na produção.
    http://www.youtube.com/watch?v=1UcgeBpjEqE
    Então as montadoras terão de voltar a fabricar peças e deixarem de ser meras montadoras como são hoje…

  • Glauco Ramalho:

    Teste

  • Wesley Leandro:

    Não é mais facil usar o hidrogenio como combustivel para motores a combustão, ao invés de usa-lo para produzir eletricidade para carros eletricos?

    tipo, pode ser um substituto nos carros movidos a gas natural.

    deve ser mais rentavel, além do que tbm seria limpo já que o resultado da combustão do hidrogenio é agua

    • aguiarubra:

      Eu participei da ECO-92 em São Paulo, no Anhembi, onde haviam exposição de automóveis.

      No stand da “Benz” (que não era mais Mercedes-Benz) eu vi o “carro-conceito” deles, movido à água, aliás, eletrólise da água, que separava oxigênio de um lado e hidrogênio do outro. A recombinação explosiva de ambos era aproveitada para movimentar o carro.

      Depois que terminou o evento, não vi mais falar no carro da Benz movido à água: parece que “encrencou” em alguma repartição burocrática da Benz!

    • Wesley Leandro:

      se o carro tinha que fazer eletrolise da agua primeiro, então não deve ter sido algo rentavel, porque é um processo muito lento e que gasta eletricidade

    • aguiarubra:

      Então, “empacaram” por 20 anos???????

      Ou o motor à gasolina é muito mais rentável?

  • rvbeppler:

    O problema é um pouco mais complicado. O hidrogênio, assim como a energia elétrica, não é uma fonte de energia, mas sim um meio de transporte de energia, visão que não são encontrados naturalmente. Como será gerado o hidrogênio e a eletricidade continua sendo o problema, principalmente se considerarmos as formas poluentes de se obter energia…

  • Chuck Norris®:

    Acredito que sim. Menos aqui na Bananolândia. No Brasil o governo é uma máfia. O governo nem toca no assunto dos carros elétricos. O negócio é pré-sal.

  • aguiarubra:

    As petroquímicas farão o possível e o impossível para evitar que esse tipo de tecnologia suplante a dos carros à gasolina.

    A resistência aos relatórios do IPCC e a “teoria” de que o petróleo é inesgotável (pois não é fóssil) são o “front de batalha” das petroquímicas hoje em dia.

    E elas tem poder de fogo político, ideológico e econômico!!! Já conseguiram esvaziar a RIO +20 e elas não ficarão só nisso.

    • Wesley Leandro:

      Muito pelo contrario, pois combustivel para carros não é o unico negocio de petroquimicas, elas podem continuar lucrando mesmo com o avanço de novos combustiveis que não derivam do petroleo. E muitas delas já estão a procura dessas novidades pois sabem que o petroleo não dura pra sempre, por isso elas investem nesse tipo de tecnologia para manter o monopolio.

    • aguiarubra:

      Os BRICS e os governos europeus formam uma boa linha de frente contra petroquímicas como ExxonMobil, ChevronTexaco, Shell e BP (que é o que “sobrou” das 7 irmãs do petróleo).

      Nos EUA, o Google está investindo em energia limpa (vide http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=as%20maiores%20petroquimicas%20investem%20em%20energia%20alternativa&source=web&cd=3&ved=0CGoQFjAC&url=http%3A%2F%2Fwww.universodopetroleo.com.br%2F2010%2F12%2Fos-10-paises-que-mais-investem-em.html&ei=nYi6T_bNOIH28wTv57nJDQ&usg=AFQjCNFDEysoUzvbrVtzhF4Idy5qQl-SaA ).

      Mas isso não interessa ás “7 irmãs”.

      Elas não têm nenhum interesse no desenvolvimento da energia alternativa, principalmente biomassa (através da plantação de vegetais produtores de energia).

      A energia alternativa é cara porque não se investe nada para melhorá-la. Você investe 10 bilhões pra desenvolver petróleo e zero bilhões para o desenvolvimento de energia alternativa, para melhorar a qualidade dos equipamentos, etc.

      Em se tratando de monopólios, talvez seja a MONSANTO, uma das maiores empresas do mundo no ramo dos transgênicos, é que está firmemente determinada a ganhar o mercado de energia no Brasil e em todo o Terceiro Mundo. Essa questão de ela plantar a soja transgênica e criar uma discussão alimentar é um pano de fundo, que é ter a soja como geradora de energia e biogás e sobre o controle dela.

      Enquanto houver possibilidades de exploração petrolífera no mundo, as “7 irmãs” vão causar inúmeros obstáculos sobre as pesquisas das energias alternativas, inclusive por comprar empresas que estejam trabalhando nisso, para melhor controlar o rumo das coisas.

      Quando o petróleo não der mais lucro (talvez a partir de 2050), então, sim, as “7 irmãs” irão adaptar seus negócios para a mudança da matriz energética.

    • Wesley Leandro:

      olha no brasil pelo menos, a maior compradora de alcool é a petrobras acho que nos EUA só não está ocorrendo o mesmo porque eles não tem como produzir tanto alcool como o brasil

    • aguiarubra:

      É tudo um jogo de poderes.

      Por enquanto, o petróleo e o carvão são a matriz energética dominante.

      E os produtores brasileiros são bastante venais para “ajudarem” a Monsanto a tirar a Petrobrás do negócio da biomassa.

      Não sei se outras empresas de energia alternativa pelo mundo poderiam vir em “socorro” à Petrobrás.

      Mas só no futuro próximo é que iremos ver no que vai dar essa briga.

  • Glauco Ramalho:

    Quanta bobagem. Gente boba sonhadora que faz essas matérias e ilude quem as lê.

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