Índia lança 20 satélites de uma vez e entra oficialmente na corrida espacial

Por , em 27.06.2016

A Organização de Pesquisa Espacial Indiana (ISRO) acabou de enviar 20 satélites em órbita com apenas um lançamento, fazendo o maior lançamento de satélites na história da agência espacial.

Seu recorde anterior era de 10 satélites entregues com uma missão, e esta última realização deixa o país asiático muito mais perto das taxas da NASA e da Agência Espacial Federal Russa, solidificando o lugar da Índia no mercado espacial global.

Dos 20 satélites, 17 eram comerciais, utilizados por empresas para nos ajudar a fazer coisas como ter melhores sinais de TV ou previsões meteorológicas. A principal carga, porém, foram os 725,5 quilos do ISRO CARTOSAT-2 – um satélite usado para a observação da Terra.

“Cada um desses pequenos objetos colocados no espaço vai realizar a sua própria atividade, que é independente uma da outra, e cada um deles vai viver uma vida maravilhosa por um período limitado”, disse o presidente da ISRO, A. S. Kiran Kumar.

Lançamento sincronizado

Fazer este lançamento simultâneo não é tarefa fácil. Os satélites, que foram lançados a partir da ilha de Sriharikota, tem que ser “injetados” em órbita a uma distância correta entre si para garantir que eles não eventualmente esmaguem uns aos outros.

“Depois que cada satélite é injetado em órbita, o veículo então será re-orientado, se necessário, e o próximo satélite será colocado em órbita com uma velocidade variante para que a distância entre os satélites cresça monotonicamente”, explica o diretor do Vikram Sarabhai Space Centre, K. Sivan.

“Então, depois de uma enorme lacuna de 3.000 segundos, PS-4 [a quarta etapa] será a re-ignição por 5 segundos,” Sivan continuou. “Então, ele será desligado por mais 3.000 segundos. E então será reiniciado por mais 5 segundos”.

Atraindo competidores

Esta é realmente uma grande notícia para a ISRO por duas razões: representa tanto o maior lançamento de satélites na história da agência – colocando-a mais próxima ao registro de 2013 da NASA de 29 e do recorde de 2014 de 33 satélites da Rússia – e mostra que as empresas estrangeiras estão dispostas a pagar a ISRO para lançar satélites para elas.

“A Índia está atraindo competidores estrangeiros chave, o mais importante deles os EUA, no mercado do espaço graças à sua relação custo-eficácia e credibilidade”, disse o especialista Ajay Lele, pesquisador sênior do Instituto de Nova Delhi de Estudos e Análises de Defesa, que não fazia parte da equipe de lançamento.

A maior parte desses “competidores estrangeiros chave” são dos EUA. 13 dos 20 satélites enviados para a órbita nesta última rodada eram de empresas com base nos Estados Unidos e organizações – uma empresa de propriedade do Google, Terra Bella, sendo uma delas.

Os outros 7 satélites – menos o CARTOSAT-2 – eram da Alemanha, Canadá e Indonésia, embora a ISRO não diga quantos são de cada um.

No total, a missão – chamada de PSLV-C34 – enviou cerca de 1.288 quilogramas de satélites para a órbita da Terra, e eles provavelmente fizeram isso com menos dinheiro do que outras agências espaciais, embora um número exato não tenha sido relatado ainda.

Eficiência e economia

Ao longo dos últimos anos, a ISRO ganhou uma reputação de ser econômica, especialmente porque muitas das suas missões são bem sucedidas, apesar da redução de custos. Por exemplo, em 2014, a ISRO enviou um foguete não tripulado a Marte, que custou apenas 73 milhões de dólares no total. Enquanto isso, a missão Maven, da NASA – a comparação mais próxima à missão do foguete da Índia – custou mais de 671 milhões de dólares.

O lançamento de foguetes baratos não é a única preocupação para a ISRO. No mês passado, a agência testou uma versão inicial de um serviço de transporte que eles esperam oferecer de uma forma reutilizável para astronautas irem e voltarem do espaço, assim como os ônibus espaciais da NASA costumavam fazer.

A ISRO está se tornando uma grande competidora no jogo espacial, o que é ótimo, porque pode ajudar a nos tirar dessa grande pedra azul e conhecer o resto do universo mais rápido. Vai ser emocionante ver o que acontece em seguida. [Science Alert]

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