O maior perigo de contar mentiras

Por , em 25.10.2016

De acordo com um estudo da Universidade College London, no Reino Unido, contar pequenas mentiras dessensibiliza nossos cérebros para as emoções negativas associadas ao ato, podendo encorajar-nos a mentir ainda mais no futuro.

Um artigo sobre o estudo foi publicado na revista científica Nature Neuroscience.

A descoberta

Essa é a primeira evidência empírica de que mentiras contadas para benefício próprio podem, gradualmente, aumentar. Também é a primeira vez que é revelado como isso acontece no nosso cérebro.

A equipe do estudo mapeou os cérebros dos voluntários enquanto eles realizavam tarefas onde podiam mentir para ganho pessoal.

Os cientistas descobriram que a amígdala, uma parte do cérebro associada com a emoção, foi mais ativa quando as pessoas mentiram para benefício próprio. A resposta da amígdala à mentira diminuiu com cada uma que foi contada, enquanto a magnitude das mentiras escalava.

Fundamentalmente, os pesquisadores descobriram que quedas maiores na atividade da amígdala previam maiores mentiras no futuro.

O experimento

O estudo incluiu 80 voluntários que participaram de uma tarefa que envolvia adivinhar o número de moedas de um centavo em um frasco, e enviar as suas estimativas para parceiros invisíveis usando um computador.

Isto ocorreu em diversos cenários diferentes. No cenário de referência, os participantes foram informados de que a estimativa mais precisa iria beneficiá-los, bem como a seu parceiro. Em outros cenários, estimar acima ou abaixo do valor correto beneficiaria os indivíduos às custas do seu parceiro, ou beneficiaria ambos, ou beneficiaria o seu parceiro às suas custas, ou ainda beneficiaria apenas um dos participantes com nenhum efeito sobre o outro.

Quando sobre-estimar a quantidade beneficiava o participante às custas do seu parceiro, as pessoas começaram a exagerar ligeiramente suas estimativas, o que suscitou respostas fortes na amígdala. Seus exageros escalaram conforme o experimento prosseguiu, enquanto suas respostas na amígdala diminuíram.

“Quando mentimos para ganho pessoal, a nossa amígdala produz um sentimento negativo que limita a extensão em que estamos preparados para mentir”, explica um dos autores do estudo, Dr. Tali Sharot, ao portal Science Daily. “No entanto, esta resposta diminui à medida que continuamos a mentir, e quanto mais cai, maior nossas mentiras tornam-se. Isso pode levar a uma ‘ladeira escorregadia’, onde pequenos atos de desonestidade transformam-se em mentiras mais significativas”.

Outros comportamentos imorais

Segundo o principal autor do estudo, Dr. Neil Garrett, do departamento de Psicologia Experimental da Universidade College London, é provável que a resposta automática do cérebro a repetidos atos de desonestidade reflita uma resposta emocional reduzida a esses atos.

“Isto está de acordo com as sugestões de que a amígdala sinaliza aversão aos atos que consideramos errados ou imorais. Nós só testamos desonestidade neste experimento, mas o mesmo princípio pode também se aplicar a escalonamentos em outras ações, tais como tomada de riscos ou comportamento violento”, argumenta o Dr. Garrett.

Porém, este é somente um primeiro olhar na resposta do cérebro aos atos repetidos e crescentes de desonestidade, e pesquisas futuras são necessárias para entendermos essa ligação de forma mais precisa, e para descobrirmos se outros tipos de comportamento teriam o mesmo efeito. [ScienceDaily]

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