Ouvir cores: 6 jeitos como essa habilidade muda o seu jeito de ver o mundo

Por , em 22.10.2014

Ouvir cores é uma condição neurológica sinestésica muito louca. Imagine que seu cérebro é como uma televisão, e tem cabos de áudio e vídeo separado. Agora imagine ligar o cabo de áudio na saída de vídeo. Se fosse uma televisão mesmo, nada ia funcionar. Mas, como nosso cérebro é uma tecnologia de ponta sem igual, funciona. E de um jeito muito maluco.

É como se todos os seus sentidos ficassem cruzados e interligados, criando sentidos diferentes. A seguir, vamos tentar descrever 6 jeitos como essa sinestesia de ouvir cores pode mudar a forma como uma pessoa vê o mundo. Divirta-se imaginando:

6. É quase impossível descrever essa habilidade para outras pessoas

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Para uma pessoa que tem sinestesia lexical, por exemplo, as letras, números e dias da semana têm cores específicas e distintas. Algumas pessoas também podem “ver” sons, o que é igualmente fantástico. Tão fantástico que parece poder de super-herói de quadrinhos. Mas essas habilidades são possíveis porque algumas pessoas são o que chamamos de “associativas”, enquanto outras são as chamadas “projetoras”. Ser um associativo significa que essa pessoa não necessariamente precisa enxergar com os olhos uma cor para de fato vê-la. Fechar os olhos e se concentrar já é o suficiente. Já os projetores, por outro lado, podem realmente ver as cores como se estivessem vivendo em um eterno show de laser do Pink Floyd, o que provavelmente não é tão legal quanto parece, especialmente no trânsito.

Isso parece simples no papel, mas, na prática, descrever o que esses dois grupos de pessoas veem é algo perto do impossível. É o mesmo que tentar explicar a cor vermelha (ou qualquer outra cor) para alguém que nasceu cego. É incrivelmente difícil quebrar a cabeça em torno do conceito de um sentimento que você não tem.

Agora pense como uma pessoa que tem a habilidade de ouvir cores pode explicar que a letra A soa como roxo, mesmo que esteja escrita em preto.

“Depois de passar a infância assistindo ao desenho do Pica Pau, você provavelmente tem a voz daquela risada que tocava na abertura na sua cabeça, certo? Você consegue ouvir ela agora? (Desculpe por isso). Pois bem. Ser uma pessoa associativa com sinestesia lexical é basicamente assim – só porque o pica pau não está gargalhando no seu ouvido agora não significa que você não pode ouvi-lo”, explica um sinestésico.

Ver o som é como aquela cena do filme Fantasia, onde a trilha sonora é mostrada como uma linha reta que muda de cor e forma conforme instrumentos diferentes produzem sons diferentes.

Abstrato demais. Porém fascinante.

5. Tudo no mundo real está na cor errada

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Você sabe que o céu é azul. O céu sempre foi azul, você aceita isso e pronto. Mas imagine que todas as pessoas ao seu redor insistissem deliberadamente no fato de que o céu na verdade é verde. Isso te enlouqueceria depois de um tempo, certo? É assim que uma pessoa que consegue ouvir cores se sente cada vez que alguém escolhe a cor errada para alguma coisa.

Seria algo tão ruim quanto alguém pintar o mar de verde no mapa mundi. Ou escolher o azul para sinalizar que o semáforo está aberto. É apenas errado. O problema é que só algumas pessoas tem a habilidade de saber que “quarta-feira” é verde, e uma pasta para guardar documentos de uma quarta-feira tem que ser verde e não vermelha. Imagino que deva ser enlouquecedor.

Surpreendentemente, há um grande grau de concordância entre os sinestetas (pessoas com essa habilidade) e os não sinestetas quando se trata de que cor as coisas deveriam ter. Por exemplo, a maioria das pessoas concorda que a letra A é vermelha. De fato, parece haver um esquema de cores universal que quase todo mundo concorda com cerca de metade do alfabeto, e ninguém está realmente certo do porquê. No entanto, as associações podem ser exclusivas para o sinesteta individual. O que significa que alguns percebem segundas-feiras como azul e terças-feiras como vermelho, e outros percebem exatamente ao contrário. Ou seja: não é uma ciência exata.

4. Cores que não existem deixam tudo isso ainda mais complicado

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Os cérebros dos sinestetas têm uma coisa em comum: a capacidade de perceber cores que não podem realmente serem recriadas. São as chamadas “cores impossíveis”. Então pense comigo: explicar que você ouve cores já é complicado. Agora explicar que você ouve cores que não existem… É praticamente uma missão impossível.

Por exemplo, para alguns sinestetas, as vozes de algumas pessoas são associadas com cores impossíveis. Se alguém perguntar qual a cor de uma determinada voz e essa tal cor for um tom entre verde e rosa, é mais fácil dizer simplesmente “verde” ou “rosa” do que perder alguns bons minutos explicando que se trata de uma cor que não sabemos nem o nome.

3. As vozes de algumas pessoas são realmente muito feias

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Se você já foi preso em um cubículo ao lado daquele colega de trabalho que parece ser moralmente contrário ao hábito de tomar banho, você provavelmente entende o desejo de ser capaz de desligar os seus sentidos (para momentos estratégicos). Então. É isso que algumas pessoas sinestetas sentem quando alguns sons são associados com cores muito ofensivas, e isso não está necessariamente relacionado com o quão agradável um som é ou não.

Inevitavelmente, algumas das cores que dão um certo mal estar se misturam com sons profanos e completamente desagradáveis. Já pensou uma voz com cor empoeirada, ou com cor de… Vômito? Ou pior: um som que faça você ver uma privada tão suja a ponto de deixar seu estômago embrulhado? Acontece. Pobres sinestetas.

Felizmente, como relatam algumas dessas pessoas que conseguem ouvir cores, isso não é de todo ruim porque a maioria dos cantores populares têm vozes muito bonitas. A voz de Christina Aguilera, por exemplo, é considerada vermelha para alguns, enquanto as vozes dos cantores de One Direction têm vários tons de verde e azul. Até a voz da cantora Ke$ha, que é toda trabalhada no autotune, é vista por alguns como um belo tom de roxo.

2. Ter o dom de ouvir cores lhe dá superpoderes de memória

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Essa é uma das vantagens específicas que sinestetas têm. Por exemplo, um homem autista com sinestesia chamado Daniel Tammet tem recebido muita atenção do mundo científico por este motivo. Ele é capaz de associar letras e números com cores, formas e sentimentos de maneira tão forte que pode realizar façanhas incríveis como recitar o número pi a até 22.514 dígitos, porque ele tem um contexto sólido para se lembrar da ordem dos números.

1. A vida fica mais divertida

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Toda essa experiência de viver a vida em cores que só os sinestetas têm parece realmente empolgante. E, de acordo com relatos de quem tem sinestesia, realmente é. A ponto de eles não terem a menor ideia de como a vida seria sem essa habilidade, mas imaginarem que seja algo absolutamente tedioso.

Da mesma forma que a gente está aqui quebrando a cabeça para entender a percepção de mundo que essas pessoas têm, eles também quebram a cabeça para imaginar como é a de pessoas “normais”. Um sinesteta, por exemplo, não tem a menor ideia de como é ouvir música clássica sem ver a música. Quando uma peça está tocando, eles são capazes de fechar os olhos e ver a música. E não de forma abstrata e imaginária, como você poderia supor, mas como se fosse uma pintura em movimento, uma imagem intrinsecamente entrelaçada com o som.

Parece algo realmente mágico.

Se você não tem sinestesia e terminou de ler esse artigo cobiçando MUITO ter essa condição… Junte-se ao clube! [Cracked]

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3 comentários

  • Loiana Gomes:

    Quando eu era criança eu percebia cores e texturas em alguns sons, mas hoje em dia isso não acontece mais. :/ Será que é normal?

    • Cesar Grossmann:

      Loiana, parece que é comum a sinestesia enfraquecer com o passar do tempo.

  • Cesar Grossmann:

    Enredo para conto: alguém descobre como tornar todo mundo sinestético por alguns dias, semanas ou meses, todo mundo experimenta, alguém imbuído de sentimentos pouco louváveis descobre o som que faz com que todo mundo tenha a ilusão de ver um buraco enorme ou um muro na frente, e transmite este som durante um programa radiofônico muito popular entre motoristas…

    Eu e minha imaginação…

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