Pela primeira vez, vimos o sol destruir sua própria erupção solar

Por , em 15.08.2017

Os pesquisadores finalmente observaram algo que somente especulavam há anos: o sol destruindo sua própria erupção solar “falhada”.

Nosso astro-rei produz erupções solares intensas quando uma acumulação de energia magnética é repentinamente liberada na superfície.

Porém, como os cientistas puderam ver, as mesmas forças invisíveis e misteriosas também podem encerrar essas explosões gigantes.

A observação

Para capturar essa erupção falhada, várias observações foram realizadas a partir de inúmeros instrumentos da NASA, incluindo o Solar Dynamics Observatory (SDO) e o foguete VAULT2.0.

VAULT2.0 é um foguete suborbital que, neste caso, foi focado para uma área de atividade magnética intensa no sol. A equipe havia antecipado que a atividade poderia produzir uma ejeção de massa coronal.

Só que o sol tinha outras ideias. Enquanto os cientistas de fato viram um filamento de material solar denso começar a subir da superfície solar, ele acabou por ser destruído, em vez de ser ejetado.

Essa foi a primeira vez que tal fenômeno foi registrado. “Nós vimos o levantamento de filamentos com o IRIS [instrumento de espectrometria de imagem da NASA], mas não o vimos entrar em erupção no SDO. Foi assim que soubemos que ele falhou”, disse o astrofísico Angelos Vourlidas, da Universidade Johns Hopkins (EUA).

Parando uma erupção

Para descobrir o que impediu o filamento de ser disparado para o espaço, Vourlidas e seus colegas tentaram explicar como as regiões no campo magnético do sol poderiam se tornar comprimidas ou distorcidas.

Quando estruturas solares com orientações magnéticas opostas se encontram, a colisão geralmente produz flamas e ejeções de massa coronal, devido à liberação de energia magnética.

Outros resultados também são possíveis, no entanto, dependendo do tipo de orientações magnéticas que estão em ação.

“Calculamos o ambiente magnético do sol ao traçar milhões de linhas de campo magnético e ver como linhas de campo vizinhas se conectam e divergem”, afirmou a astrofísica Antonia Savcheva, da Universidade de Harvard (EUA).

O modelo da equipe sugere que o tipo certo de estrutura magnética pode atuar como um “limite invisível” para conter um filamento.

Hipóteses

Este limite, que é chamado de tubo de fluxo hiperbólico, pode ser formado por uma colisão de duas regiões bipolares na superfície do sol, e teria a forma de dois iglus quebrados um contra o outro.

A equipe diz que esta estrutura eliminaria o filamento que se tornaria uma erupção, triturando a forma de serpente do material solar e dispersando seu calor e energia de volta à atmosfera.

“O tubo de fluxo hiperbólico quebra as linhas de campo magnético do filamento e reconecta-os com os do ambiente, para que a energia do filamento seja removida”, explica o físico solar Georgios Chintzoglou, do Laboratório Solar e Astrofísico Lockheed Martin em Palo Alto (EUA).

Esta é apenas uma hipótese por enquanto, mas é importante porque ajuda a explicar o que poderia estar acontecendo neste conjunto de dados sem precedentes.

Os pesquisadores têm consciência de quão ameaçadoras tempestades solares intensas podem ser para nós na Terra – mas essa pesquisa também mostra que as mesmas forças misteriosas também podem agir para “impedir” essas erupções violentas. [ScienceAlert]

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