Pesquisadores acidentalmente criaram baterias que duram 400 vezes mais

Por , em 26.04.2016

Um resultado inesperado de um estudo levou a um sistema que poderia fazer baterias durarem até 400 vezes mais do que fazem hoje.

Mas não comemore ainda: primeiro, porque os pesquisadores não têm certeza exatamente como funciona o sistema, uma vez que a descoberta foi um acidente. E em segundo lugar porque não se sabe ainda se a bateria vai de fato funcionar no mundo real, em smartphones e laptops.

Ciclos de carga

Enquanto a nova bateria ainda precisaria ser recarregada, iria continuar a trabalhar de forma eficiente por mais de 200.000 ciclos de carga, o que é praticamente uma vida de uso quando se trata de dispositivos como telefones, computadores e até mesmo carros.

Sem contar que isso é muito mais do que a vida útil das baterias de lítio atuais.

Acidente

Os pesquisadores simplesmente perceberam no meio do estudo que as baterias não “morriam”, conforme explicou Reginald Penner, da Universidade da Califórnia em Irvine, nos EUA, ao portal Popular Science. “Nós não entendemos o mecanismo disso ainda”.

Em vez de lítio, as baterias usadas no estudo armazenam energia elétrica em nanofios de ouro. O objetivo original do experimento era simplesmente fazer uma bateria de estado sólido utilizando um gel de eletrólito, em vez de um líquido para manter a sua carga (baterias de lítio contêm líquido, o que as tornam extremamente combustíveis e sensíveis à temperatura).

Mas quando eles começaram a experimentar com nanofios de ouro suspensos neste gel, descobriram que o sistema era extremamente resistente – muito mais do que qualquer outro sistema conhecido de bateria.

Eficiência incrível

Os nanofios de ouro são milhares de vezes mais finos do que um cabelo humano. A equipe não foi a primeira a utilizá-los para armazenar energia elétrica, porém, em estudos passados, estes sistemas foram quebradiços e propensos à fissuração.

A adição do gel parece ter feito toda a diferença, bem como o revestimento dos nanofios em óxido de manganês. Essas contribuições foram ideias da doutoranda Mya Le Thai.

Como baterias normalmente morrem de forma dramática após 5.000, 6.000 ou 7.000 ciclos, foi uma surpresa descobrir que essa durava mais de 200.000.

No caso das baterias normais, quanto mais você as recarrega, menos eficientes elas se tornam. Depois de algumas centenas de ciclos de carga, geralmente só contêm uma pequena quantidade de carga – como qualquer um que tenha um laptop ou smartphone não muito novo está bem ciente.

Já testes mostraram que o novo sistema poderia suportar 200.000 ciclos de carga ao longo de três meses e só perder 5% da sua capacidade.

Ressalvas

Por enquanto, os pesquisadores destacam que o sistema ainda não é uma bateria, e não há nenhuma garantia de que essa eficiência será mantida quando ampliada em um dispositivo que possa de fato ser usado em telefones ou computadores portáteis. Aliás, não sabemos ainda nem mesmo se vai funcionar.

A outra má notícia é que a bateria utiliza ouro e portanto vai ser cara. Por isso, a equipe está agora experimentando com níquel para ver se podem alcançar resultados semelhantes.

E há também a “pequena” questão de descobrir exatamente por que o sistema funciona tão bem. Ao compreender melhor como trabalha, os cientistas podem torná-lo mais prático e acessível para aplicações do mundo real. [ScienceAlert]

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2 comentários

  • Sérgio Castilho de Oliveira:

    O congelamento de uma ideia é feito com críticas e pode matar. Troquem ideias antes que morram, pois trocadas sobrevivem às críticas e a nós

    • Cesar Grossmann:

      O “moto contínuo” mecânico é uma ideia que devia ter morrido faz tempo. Mas ainda tem gente que chega a gastar dinheiro público com estas invenções…

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