Porque 30 organizações assinaram uma carta avisando todas as nações para não comprar carne do Brasil

Por , em 14.12.2019

Um grupo de 30 organizações sem fins lucrativos, de diversos países, publicou uma carta aberta na quarta-feira. O texto alerta investidores sobre a compra de ações em duas gigantes brasileiras na produção de carne, devido ao desflorestamento.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vendrá bilhões de dólares em ações da JBS e Marfring (duas das maiores companhias produtoras de carne do mundo), no próximo ano.

A carta diz que as companhias estiveram ligadas à destruição da Floresta Amazônica, onde houve aumento significativamente do desmatamento neste ano. Em agosto, os incêndios na região bateram o recorde dos últimos nove anos. De acordo com publicação The Guardian, o BNDES não comentou o assunto.

Entre as instituições que assinaram a carta estão Global Witness, Greenpeace Brasil e Rainforest Action Nestwork. A carta segue relatório publicado pelo Guardian, Bureau of Investigative Journalism e Repórter Brasil, mostrando que durante o verão, os incêndios na Amazônia foram três vezes mais comuns em fazendas de produção de carne.

De acordo com a carta, 70% da área desmatada na Floresta Amazônica foi convertida em pastagem. As empresas citadas são duas das maiores compradoras de gado na região.

“Há um crescente reconhecimento por bancos centrais, bolsas de valores, consumidores e público de que as mudanças climáticas se tornaram uma questão material para o sistema financeiro”, informa a carta. O texto justifica o alerta: “isso serve como cautela”.

O que dizem as empresas

O diretor de sustentabilidade da Marfring, Paulo Pianez, falou, em um e-mail, que os esforços da empresa para o cumprimento do compromisso de desmatamento zero incluem alerta de incêndio e plataforma de monitoramento de fornecedores.

Alguns gados nascem e são criados na mesma fazenda, chamadas de ciclo completo. Por outro lado, muitos passam por diversos lugares (fornecedores indiretos) até o momento do abate. Isso representa um problema para o monitoramento das companhia de carne brasileiras.

Nesse sentido, Pianez ainda disse que apensa 47% do gado vem de fazendas de ciclo completo. Um relatório anual de audição na empresa, realizado pela DNV.GL consta que “os fornecedores indiretos da Marfring não são verificados sistematicamente, uma vez que os abatedouros não puderam implementar ainda procedimentos auditáveis para fornecedores indiretos”.  O texto ainda argumenta que a falta de política de transparência publica implementada no país torna difícil realizar uma verificação dessas.

A mesma empresa realizou auditoria na JBS e no relatório informa que a JBS e a indústria em geral ainda não possuem um sistema de verificação, no caso dos fornecedores indiretos.

Em e-mail, a empresa afirma que monitora grandes áreas na Amazônia e bloqueou mais de 8 mil fornecedores devido à falta de conformidade. A JBS ainda ressalta que está comprometida com o combate ao desmatamento. Também pede para que aqueles comprometidos com o mesmo objetivo busquem soluções em vez de realizar críticas. [The Guardian, Marfring, JBS]

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4 comentários

  • Darley Vieira Lages:

    Como vivem os integrantes dessas organizaçõe$ $em fin$ lucrativos$. Resposta: vivem bem e muito bem. De onde vem o $eu dinheiro? Cai do céu, como recompen$a por suas boas$ intençõe$? Não existe almoço grátis. Ela$ $ão $ustentada$ por aquele$ que $e beneficiam do que elas dizem e fazem. A carne americana é produzida em condições sanitariamente inaceitáveis. A carne européia tem custos inaceitáveis. Só de uma área nós brasileiros podemos nos orgulhar: nossa agropecuária é top de linha e isto perturba demais aos que não conseguem competir com a produção brasileira. Quanto às queimadas, elas são realmente lamentáveis, mas só as nossas é que são? Porque ninguém reclama dos incêndios florestais, nos Estados Unidos? Na Austrália? Em Portugal? Onde estão as florestas européias? Já replantaram? Ah, desculpem-me! E que lá é sempre por causas naturais e as daqui sempre são por ação criminosa. Gostaria de lembrar que a corrupção e a hipocrisia não nasceram no Brasil. Mas o pulo do gato eles não nos ensinaram: fazer o errado posando de santo.

    • Cesar Grossmann:

      Este tipo de argumento não leva a nada. Em vez de fazer alguma coisa, estão só apelando ao “tu quoque” (“você também”). Isso é só uma falácia, não ajuda em nada.

  • Lucas Coelho:

    Essas organizações que espalham desinformação e fake news por motivos políticos, tentando destruir a nossa economia, deveriam ser categorizadas como organizações terroristas e seus membros extraditados para o brasil ao serem enquadrados na lei de fake news.

    • Cesar Grossmann:

      É mais fácil chamar todo mundo de mentiroso do que tomar uma atitude…

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