Software de plágio descobre que Shakespeare “roubou” muitas palavras de um livro pouco conhecido

Por , em 25.02.2018

Como todo artista bem-sucedido, William Shakespeare era uma potência criativa que utilizava diversas referências em seus trabalhos. Por exemplo, é conhecido que se inspirou nos escritos de Plutarco e de autores italianos contemporâneos para criar as tramas de suas peças.

Agora, há evidências de uma nova fonte da qual Shakespeare bebeu: “A Brief Discourse of Rebellion and Rebels” (em tradução livre, “Um Discurso Breve sobre Rebeliões e Rebeldes”), um livro escrito no final de 1500 por George North, uma figura presente na corte da Rainha Elizabeth.

A descoberta foi feita, surpreendentemente, através de um software de detecção de plágio.

A surpresa

O escritor Dennis McCarthy, pesquisador da história da língua inglesa, tinha ouvido falar do livro de North através de um catálogo de leilões. O anúncio sugeria que seria interessante compará-lo com o trabalho de Shakespeare.

McCarthy e a professora de inglês June Schlueter então digitalizaram o texto do autor pouco conhecido, comparando-o contra as peças de Shakespeare em seguida através do software de código aberto WCopyfind, muito utilizado por professores para verificar se os seus alunos estão plagiando artigos acadêmicos.

Ao que tudo indica, Shakespeare leu “A Brief Discourse of Rebellion and Rebels” e achou a linguagem tão brilhante que decidiu copiá-la, muitas vezes diretamente, em suas peças.

A dupla de pesquisadores descobriu que 11 obras de Shakespeare possuem inspirações tiradas do livro de North.

Por exemplo…

Na dedicação do seu livro, North incentiva aqueles que se veem como feios a se esforçarem para serem interiormente lindos, a fim de desafiar a natureza. Ele usa uma sucessão de palavras para fazer seu argumento, incluindo “proporção”, “vidro”, “recurso”, “justo”, “deformado”, “mundo”, “sombra” e “natureza”.

No solilóquio de abertura da peça shakespeariana “Ricardo III”, o tirano corcunda usa as mesmas palavras praticamente na mesma ordem para chegar à conclusão oposta: que, uma vez que ele é exteriormente feio, ele agirá como o vilão que parece ser.

Shakespeare não só usa as mesmas palavras que North, mas muitas vezes as usa em cenas sobre temas semelhantes, bem como emprega os mesmos personagens históricos. Em outra passagem do livro, North usa seis termos sobre cachorros para argumentar que, assim como os cães existem em uma hierarquia natural, os humanos também. Shakespeare utiliza essencialmente a mesma lista para fazer argumentos semelhantes em “Rei Lear” e “Macbeth”.

“As pessoas não percebem quão raras essas palavras realmente são”, disse McCarthy. [BoingBoing, RevistaGalileu]

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