Voo comercial hipersônico pode se tornar uma realidade?

Por , em 4.01.2012

A nova meta da Agência Espacial Europeia é criar um avião de passageiros hipersônico, que voa mais de cinco vezes mais rápido que a velocidade do som, e seis vezes mais rápido que um avião normal.

Não é a primeira vez que se fala em voo hipersônico. Em 1960, testes foram feitos com o X-15, meio avião, meio míssel, que transportava um piloto e voou por 90 segundos antes de seu combustível acabar.

Seus criadores pensaram que anunciariam uma nova era de aviação civil de alta velocidade, mas mais de 50 anos depois, um avião de passageiros hipersônico ainda não foi testado ou mesmo construído.

Agora, uma equipe liderada pela Agência Espacial Europeia conhecida como Lapcat está trabalhando em um avião chamado A2, que poderia continuar onde o X-15 parou.

A tecnologia deve exceder a velocidade do som – Mach 1, o que é extremamente complexo. “O número Mach é a chave”, diz o especialista em aerodinâmica Paul Bruce. “Quando você vai abaixo de Mach 1, de modo a voar mais lento do que a velocidade do som, e então acima de Mach 1, a física muda. Quando você vai a Mach 5 ou 6, as leis começam a mudar mais uma vez”, explica.

Em velocidades hipersônicas, gases e metais se comportam de forma muito diferente. Motores de avião que trabalham em velocidades subsônicas – cerca de Mach 0,85 ou 913 quilômetros por hora – não funcionam.

Um avião que voa cinco vezes mais rápido que a velocidade do som também precisa de um motor que possa arrancar a velocidades subsônicas, impulsionar para a supersônica e cruzar a uma velocidade hipersônica.

Outro problema é o calor. Quando o ar se move sobre a superfície externa do avião em alta velocidade, o atrito faz com que sua temperatura suba muito rapidamente, a mais de 1.000 graus Celsius, assim, o revestimento do avião tem que ser construído para resistir temperaturas muito altas.

Os engenheiros acreditam que podem superar todos esses problemas, mas isso vai levar décadas. O A2 não é esperado para voar até 2040.

Outro problema a ser resolvido é a demanda por voos mais rápidos: ela existe? Segundo especialistas, a velocidade não é tudo: o conforto e o custo desempenham um papel mais importante. Se você perguntar às pessoas quão rápido as aeronaves voam, elas não teriam a menor ideia, pois não se importam. Mas elas sabem qual são as mais econômicas, as mais confortáveis, etc.

A equipe Lapcat diz que o custo do voo hipersônico iria coincidir com viagens executivas atuais, mas os céticos dizem que isso pressupõe a descoberta de um novo caminho, muito mais barato, para produzir combustível para esse avião supersônico.

Mesmo que o hidrogênio líquido, combustível necessário, se torne disponível e barato, o especialista em aviação John
Strickland se pergunta se o voo de alta velocidade vai um dia fazer sentido para o setor aéreo comercial – que, tradicionalmente, subsidia assentos econômicos com os lucros obtidos na classe executiva.

Até agora, o projeto Lapcat recebeu 24 milhões de reais de financiamento da Comissão Europeia e investidores privados. Em 2013, o financiamento vai acabar e a viabilidade do projeto será revista antes que ele possa continuar.

O coordenador do projeto, Johan Steelant, está confiante de que o conceito A2 dará frutos. “Em 2013, seremos capazes de demonstrar que a tecnologia crítica não é mais um ponto de bloqueio”, diz. “Mas é claro que existem diferentes sistemas e subsistemas que ainda precisam ser provados”.

A Comissão Europeia quer ser uma pioneira, mostrando novos caminhos para a aviação na segunda metade do século.[BBC]

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19 comentários

  • John jones:

    num seria melhor um voo que quebre a barreira da luz,pois acho isso mais importante!!!!!!

    • Matt:

      Hein? isso foi brincadeira, certo?

    • John jones:

      nao e serio mesmo

    • []:

      Concordo com você, eu ficaria bem mais feliz se fosse realidade um voo que quebre a barreira da luz.

  • José Calasans:

    Eu ainda prefiro conforto e segurança do que muita velocidade,o bom e bem racional,seria se pensar em trazer de volta os dirigíveis como os modelos que estão sendo desenvolvidos na Alemanha,são seguros,confortáveis e voam a quase 200Km por hora sem falar que são ecologicamente corretos pois podem usar energia solar para sua propulsão.Deixa os hipersônicos para os mais apressados.

    • Governo Federal de Pinda Juninho:

      na verdade o hipersônico,deve ser usado mais por governantes,tipo eu,que por exemplo ta de boa em uma reunião em tal país,dai no país que governa tem enchentes ou sei lá,ele volta rapidin

  • josemar silva dos santos:

    Esta tecnologia está no limite tecnico,chegamos no limite dos materiais,temos que pensar em anti gravidade, voltar no tempo e redescobrir a ciencia dos vimanas indianos,e dos haunebus alemâes, se nos livrarmos do peso haverá uma revolução na humanidade.

  • AgoraQueSouRica:

    Se eu tivesse a chance de voar num Concorde ja ficaria feliz ,afinal ele combinava conforto com velocidade , mas infelizmente quando vim morar na Europa ele ja tinha sido aposentado…

  • Pedr@o:

    Na minha opiniao nao precisa de avioes hipersonico,os atuais atende com uma velocidade otima, veja bem na europa ta proibido o trafego do antigo 747 jumbo polui muito ,e tambem poluiçao sonora, em tempos que falam em reduzir o gaz carbonico vai é duplicar mais,aqui em Belo Horizonte de manha observa a quantidade de voos, riscando o ceu com largas trilhas de fumaça, imagino outros aeroportos mais movimentados, observa bem se um caça passar perto de uma cidade onde ha´telhados de zinco nao fica uma casa coberta,imagine os timpanos dos seres humanos.no Brasil seria bem vindo o trem-Bala quantas pessoas viajam do Sul para o nordeste, Norte e vice versa, e tambem um valor acessesivel,porque viajar de carro a gasolina é o olho da cara, e ainda tem de pagar pedagio é uma roubalheira atráz da outra……….

    • sidnei:

      Você tem razão. Para uma pessoa só viajar de carro é caro, mas se for mais de uma pessoa já é negócio. Veja só: de Fortaleza, onde moro, até o Rio são 2700 km. De carro ida e volta, pagando pousada e tudo sai por pouco mais de R$1000,oo. O único inconveniente é que leva 3 dias a 900 km/dia. Esse ano já fui duas vezes. Experimenta.

  • Carlos:

    Eu acho que não faz nenhum sentido em colocar valores em REAIS.

    Valores devem ser colocados em dólares (preferencialmente) ou até em Euros.

    País de moeda fraca, cuja cotação muda todo dia, precisa ter referência sólida nos artigos.

  • ísis:

    Exatamente como a reportagem diz, a velocidade do avião talvez não chegue a compensar a falta de conforto e o custo de viagem. Entretanto, essa tecnologia talvez desse mais frutos se investida em projetos espaciais.

  • Fernando:

    A meu ver é economicamente inviável. O Concorde e o Tupolev 44 que eram aviões supersônicos gastavam em média 1 tonelada de combustível por passageiro transportado, imagine então quanto consumiria um hipersônico? Aviões hipersônicos só seriam possíveis se usassem combustível sólido ( o mesmo dos ônibus espaciais) e isso custa muito, mas muito caro mesmo o que inviabiliza qualquer idéia a esse respeito, a não ser que alguém desenvolvesse aeronaves com tecnologia nuclear, mas se uma brinquedo desses caísse, o estrago seria feio

  • Hugo:

    Não acho que ligam mais para conforto do que velocidade. Acho que não se preocupam com isso porque os aviões comerciais operam dentro de uma mesma margem de velocidade. Como a única coisa que muda é o conforto, é este que mais importa.

    Trens são muito mais confortáveis que aviões, principalmente quando tem aquelas suítes, mas porque a maioria viaja de avião?

  • Gabriel Zambon:

    Putz, eu já fiz 3 comentários diferentes e todos estão aguardando moderação, alguém pode me dizer qual a regra para o comentário ficar aguardando moderação?

  • Gabriel Zambon:

    “Voo comercial hipersônico pode se tornar uma realidade?”

    Já é realidade, a muito tempo.

    Acho que a autora do artigo esqueceu do Concorde, uma avião comercial que voava a Mach 2 (2x a velocidade do Som) e operou entre 1976 e 2003.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Concorde

    Abraços

  • Gabriel Zambon:

    “Voo comercial hipersônico pode se tornar uma realidade?”

    Já é realidade, a MUITO tempo.

    Acho que a autora do artigo esqueceu do Concorde, uma avião comercial que voava a Mach 2 (2x a velocidade do Som) e operou entre 1976 e 2003.

    Eu havia Colocado um Link para o Wikipédia mas apareceu um “Seu comentário está aguardando moderação.” então agora estou mandando sem para ver se ele passa direto 🙂

    Abraços

    • Hugo:

      O Concorde era Supersônico, não Hipersônico.

      Hipersônico é com velocidades iguais ou superiores a Mach 5

  • Gabriel Zambon:

    “Voo comercial hipersônico pode se tornar uma realidade?”

    Já é realidade, a MUITO tempo.

    Acho que a autora do artigo esqueceu do Concorde, uma avião comercial que voava a Mach 2 (2x a velocidade do Som) e operou entre 1976 e 2003.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Concorde

    Abraços

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