CIA e Amazon investem em computador quântico

Publicado em 9.10.2012

A companhia de computação quântica D-Wave é basicamente uma empresa sem precedentes no mercado, já que é a primeira a oferecer um computador quântico comercial. Sendo assim, quem não iria querer ser também o primeiro a por as mãos em tal tecnologia?

Computadores quânticos seriam muito bem-vindos em diversas aéreas, uma vez que são promessa para realizar todo o tipo de cálculo hoje considerado complexo demais para computadores padrão.

Porém, apesar da extensa pesquisa quântica, ainda não se vende esse tipo de computador em todas as esquinas por 200 dólares.

Sendo assim, D-Wave, baseada no Canadá, é a melhor chance dos “peixes grandes” que desejam um computador quântico muito mais do que o resto de nós. A empresa está tão bem cotada no mercado que apenas recentemente atraiu US$ 30 milhões (cerca de R$ 60 mi) em investimentos.

Entre os investidores, estão figuras como o bilionário da Amazon.com Jeff Bezos, e a empresa In-Q-Tel, que controla os investimentos da CIA (agência de inteligência norte-americana).

Segundo o site Daily Tech, para Bezos, o interesse é a provável aplicação de fichas quântica em sistemas de busca na internet e outras funções online, enquanto o interesse da CIA provavelmente se concentra na quebra de códigos e encriptação de dados.

“Nossos clientes da comunidade de inteligência têm muitos problemas complexos demais para a arquitetura de computação clássica”, disse Robert Ames, vice-presidente encarregado das tecnologias de informação e comunicação da In-Q-Tel em entrevista à NBC News. “Nós acreditamos que eles podem se beneficiar da promessa da computação quântica, e o investimento em D-Wave é um primeiro passo nessa direção”.

E a empresa não para de ganhar clientes de alto perfil. Desde 2011, o Google paga a D-Wave para acessar seu sistema remotamente e testar pesquisa quântica de imagem e novos algoritmos.

E a Lockheed Martin Corp (LMT), uma das maiores empreiteiras do mundo na área de defesa, pagou a D-Wave US$ 10 milhões (cerca de R$ 20 mi) por um dos seus sistemas, a fim de usar algoritmos quânticos para rastrear erros em missões críticas.

O projeto D-Wave

Como os computadores de décadas passadas, os sistemas D-Wave, revelados pela primeira vez em 2007, são enormes: têm cerca de 3 metros de altura. Mas a maioria desse espaço é ocupada por sistemas de resfriamento.

De acordo com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos EUA, a “arma” de resfriamento que o sistema possui atinge menos 269 graus Celsius, apenas um pouco mais quente do que a temperatura de fundo de radiação nas profundezas geladas do espaço.

Enquanto os pesquisadores estudam atualmente o uso de nanoestruturas para armazenar e codificar informações no spin (giro) do elétron, formando os chamados átomos únicos “qubits” (bits quânticos), o chip de D-Wave é um projeto mais cru, com “loops” que prendem qubits em sentido horário (0) e anti-horário (1). Supercondutores chamados de acopladores ligam seletivamente os “loops”, permitindo-lhes interagir.

O sistema exige duas formas de orientação: um algoritmo quântico e dados brutos para que ele “pegue” no tranco. Essas tarefas são difíceis, mas compensam. O sistema logo se equilibra e otimiza, emanharando os qubits, momento em que eles podem ocupar tanto o 0 quanto 1 ao mesmo tempo (isso é chamado de estado de superposição: o bit quântico tem um valor de 1 e 0 simultaneamente).

Críticas

Apesar desse aparente sucesso, Geordie Rose, um dos cofundadores da empresa e diretor de tecnologia da mesma, está lutando para convencer os capitalistas de risco que a sua empresa é legítima.

Isso porque muitos especialistas e críticos ainda são céticos em relação ao sistema D-Wave.

Primeiro, há uma guerra sobre terminologia – computadores quânticos teóricos de hoje compartilham alguns elementos (como dependência de emaranhamento) com os qubits D-Wave, mas fisicamente são muito diferentes. Isso leva à segunda crítica – que o processo de desenvolvimento empírico de D-Wave criou uma situação em que eles não sabem exatamente o que está acontecendo dentro do seu chip, e assim não podem descrever adequadamente as diferenças potenciais de projetos alternativos. Por fim, muitos se queixam de que os algoritmos D-Wave ainda não são sequer tão rápidos quanto os clássicos.

Até mesmo a afirmação de superposição dos qubits no sistema D-Wave tem sido contestada por não ter sido suficientemente provada; os críticos sugerem que o sistema pode estar operando com efeitos eletromagnéticos tradicionais em nanoescala.

O professor do MIT Scott Aaronson, expert em computação quântica, comenta que, a nível de engenharia, a configuração do sistema é impressionante em várias maneiras, mas a empresa ainda não apresentou evidências de que está resolvendo os problemas usando a mecânica quântica, e fazendo isso mais rápido do que conseguiria de forma clássica.

A preocupação dos críticos é de que a D-Wave, apesar de tanto investimento, simplesmente construiu um computador “estranho”, e não um computador quântico.

Depois que os pesquisadores da D-Wave publicaram um artigo na revista Nature descrevendo recozimento quântico, tornou-se claro que os chips D-Wave demonstram alguns efeitos quânticos.

Mas Aaronson argumenta que a companhia ainda precisa demonstrar prova definitiva de duas coisas: que o entrelaçamento quântico está ocorrendo no chip, e que provoca uma “aceleração quântica” sobre formas clássicas. Mesmo assim, diz ele, a abordagem do sistema, que depende de um algoritmo “codificado” e do pré-processamento de dados, o tornam uma solução muito menos do que o ideal quântico.[DailyTech]

Autor: Natasha Romanzoti

tem 24 anos, é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.

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