Por que sempre há espaço para a sobremesa

Publicado em 31.07.2012

Você comeu porcaria a tarde toda. Resolveu jantar mesmo assim, porque precisa jantar, mas nem conseguiu terminar seu prato. Dez minutos depois, sua mãe aparece com um bolo de chocolate fresquinho e você sente, sem dúvida alguma, que já pode comer de novo.

Me arrisco até a dizer que praticamente voltarmos a sentir fome. Porque será que, não importa o quão cheio estamos, sempre há espaço para a sobremesa?

Quem acha que é uma questão psicológica, acertou. Simplesmente, os sinais químicos produzidos pelo nosso estômago para avisar o nosso cérebro de que estamos cheios não são mais páreos para os centros de prazer do cérebro.

E que prazer. Quer coisa melhor do que comer um doce, de preferência um com muito açúcar? Assim como é delicioso comer um lanche de fast food, uma pipoca com muito sal, etc.

Pelo visto você já sabe onde isso vai dar: a culpa é da “junk food”, a “comida porcaria” altamente industrializada e processada que mora nas nossas mesas, geladeiras e prateleiras.

Com a adoção desses novos “alimentos” (se é que podem ser chamados assim), a balança entre esses dois centros do cérebro – que controlam a satisfação e o prazer – ficou desequilibrada.

“Isso é o que a sobremesa faz: dá-lhe a opção de um alimento que pode superar os sinais da saciedade, fazendo você comê-lo mesmo que esteja cheio, por causa do prazer que ele gera”, explica Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional americano sobre Abuso de Drogas, em Maryland (EUA), e bisneta de Leon Trotsky (marxista e revolucionário bolchevique que participou da Revolução Russa e do governo da URSS).

Tendo em vista que esses alimentos fazem muito mal à saúde, causando inúmeros problemas como a obesidade, fator de risco para várias outras condições como diabetes e doenças cardíacas, os teoristas da conspiração de plantão têm tudo para acreditar que a junk food é uma invenção dos extraterrestres para acabar com a raça humana, tamanha sua eficiência em destruir nossos organismos.

Quanto pior para saúde, mais viciante

Se você, como eu, sabe que algo é saudável quanto o gosto dele é extremamente ruim, a ciência lhe apoia com fatos: Volkow explica que os alimentos podem ser viciantes, agindo sobre os centros de prazer do cérebro do mesmo modo que drogas pesadas, cigarros e álcool.

Entre os viciantes, estão os alimentos bastantes salgados ou açucarados, como comida de fast food, biscoitos gordurosos, doces, tortas e sorvetes. Não surpreendentemente, maçã e alface estão entre os alimentos que menos causam dependência.
Volkow acredita que as indústrias e governos têm que se focar em tornar os alimentos saudáveis mais baratos e gostosos, para estimular melhores hábitos alimentares (e não há nada nesse mundo que eu poderia concordar mais).

Passado x presente

No passado, era difícil nos depararmos com comida; digamos que os homens da caverna não tinham supermercados. Quando conseguiam alimentos, então, comiam tudo o que podiam.

Os pesquisadores acreditam que o centro de prazer do cérebro “aprendeu” a nos “recompensar” por comer bastante, para que as pessoas guardassem gordura suficiente pra sobreviver.

A química e os sinais neurais enviados para o cérebro que nos instruem a para parar de comer fazem parte de um mecanismo que evoluiu ao longo de centenas de milhares de anos, em um ambiente que não era particularmente abundante em termos de comida, muito menos alimentos com alto teor calórico, como agora (e tudo indica que mais alguns milhares de anos podem ser necessários para a evolução siga seu curso até uma nova adaptação).

Ou seja, por muito tempo, esse sistema foi útil e tais mecanismos nos serviam em harmonia, nos mantendo com um bom peso.
Hoje, no entanto, longe de equilibrada, a balança pende muito mais para o puro prazer, nos levando a comer aquele pedaço de chocolate a mais, do qual certamente não precisamos.

A dica de Volkow? Se você quiser ter mais autocontrole, deve tentar dizer “não” antes da tentação ser posta em seu caminho. Se você sabe que vai ter doce onde você está, diga a si mesmo não vai comê-los, e você será muito mais propenso a realmente não comê-los, do que se alguém simplesmente colocá-los na sua frente.[DailyMail, Foto]

Autor: Natasha Romanzoti

tem 24 anos, é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.

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