Vida extraterrestre? Estranha estrutura microscópica é encontrada em meteorito de Marte

Cientistas descobriram uma estrutura semelhante a uma estranha célula microbiana dentro de um meteorito marciano, mas dizem que ela muito provavelmente não é resultado de processos biológicos – o que não significa que não poderia ter sido formada diretamente por microrganismos.

Não foi dessa vez que encontramos vida extraterrestre – aparentemente

Os pesquisadores descobriram o objeto oval dentro do meteorito Nakhla, que veio de Marte e caiu na Terra no Egito em 1911.
Enquanto a aparência da estrutura é sugestiva, é mais provável que seja um resultado de processos geológicos, em vez de uma estrutura biológica.

“A análise de possíveis cenários bióticos para a origem da estrutura ovoide de Nakhla atualmente carece de qualquer tipo de evidência convincente”, escreveram os cientistas em um artigo publicado na revista Astrobiology. “Portanto, com base nos dados disponíveis que obtivemos sobre a natureza desta estrutura, podemos concluir que a explicação mais razoável para a sua origem é que se formou através de processos abióticos”.

Amostra ainda intrigante

O ovoide é oco e possui cerca de 80 mícrons de comprimento por 60 mícrons de largura, o que é muito maior do que a maioria das bactérias terrestres, mas na faixa de tamanho normal para micróbios terrestres eucariotas (organismos unicelulares que possuem núcleos e organelas).

A equipe do estudo está confiante de que o objeto é nativo da amostra, e não o resultado de contaminação terrestre.

Ao estudar a estrutura com diferentes técnicas, incluindo microscopia eletrônica, raios-X e espectrometria de massa, os pesquisadores concluíram que o ovoide é composto por argila rica em ferro e contém uma série de outros minerais.

O ovoide pode ter se formado com a ajuda de marcianos

A partir das análises, os cientistas criaram uma série de possíveis cenários para a formação da estrutura, chegando a hipótese de que o ovoide provavelmente se formou quando materiais adentraram uma vesícula pré-existente – uma bolha de vapor, por exemplo – na rocha.

Esta suposição não descarta a possibilidade de que formas de vida marciana tiveram algo a ver com a estrutura.

“Apesar da forma geral extremamente biomórfica do ovoide, é altamente improvável que ele próprio fosse um organismo”, disse o principal autor do estudo, Elias Chatzitheodoridis, da Universidade Técnica Nacional de Atenas, na Grécia. “No entanto, poderia ter sido formado diretamente por microrganismos, ou poderia ser material orgânico preso que veio de outros lugares. Como é oco, significa que existe espaço suficiente para acomodar colônias de microrganismos”.

Para que os pesquisadores possam afirmar que a estrutura tem mesmo uma ligação à vida marciana, no entanto, um estudo mais aprofundado e novas descobertas precisam ser feitos.

“Ficaríamos felizes se pudéssemos ter encontrado mais de um ovoide, com exatamente a mesma textura. Evidência convincente, porém, seria se pudéssemos realmente encontrar muitos dos mesmos, de forma clara na forma de uma colônia, juntamente com bioassinaturas químicas e mineralógicas que são comuns de micróbios terrestres”, exemplifica Chatzitheodoridis.

Marte em uma lupa

Nakhla é um meteorito bem estudado – os cientistas já encontraram possíveis sinais de vida em Marte dentro dele antes e pesquisas anteriores haviam traçado sua história em detalhes.

A “rocha-mãe” de Nakhla possivelmente cristalizou cerca de 1,3 bilhões de anos atrás, e passou por dois eventos de choque que a aqueceram consideravelmente.

O primeiro desses choques ocorreu por volta de 910 milhões de anos atrás, e o segundo 620 milhões de anos atrás. Finalmente, cerca de 10 milhões de anos atrás, outro impacto empurrou Nakhla para longe de Marte, enviando-o em uma viagem através do espaço que terminou com sua chegada à Terra em 1911.

Quer ou não o ovoide de Nakhla tenha alguma ligação com a vida extraterrestre, o estudo do meteorito pode ajudar os pesquisadores a entender melhor o passado do planeta vermelho e seu potencial para abrigar vida. [io9]

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