10% dos diabéticos com Covid-19 morrem em uma semana: estudo

Por , em 1.06.2020
Image of flu COVID-19 virus cell. Coronavirus Covid 19 outbreak influenza background. Pandemic medical health risk concept.

De acordo com um estudo realizado por pesquisadores franceses, liderado pela Universidade de Nantes, um a cada dez pacientes diabéticos que pegam coronavírus morrem dentro de sete dias de hospitalização. Além disso, um a cada cinco precisam de ventiladores artificiais para respirar.

Esses resultados, ao lado de outros semelhantes, parecem confirmar que a diabetes é uma das comorbidades que aumentam o risco de complicações e formas mais graves de Covid-19.

Metodologia

Os pesquisadores analisaram dados de mais de 1.300 pacientes com Covid-19 de 53 hospitais da França, internados entre 10 e 31 de março deste ano.

89% deles tinham diabetes tipo 2, 3% tinham diabetes tipo 1 e o resto possuía outras formas da doença.

A maioria dos pacientes era homem, e a média de idade era de 70 anos.

Resultados

No sétimo dia do estudo, 29% dos pacientes haviam morrido (1 a cada 10) ou necessitado de ventiladores (1 a cada 5). 18% receberam alta do hospital.

Os pesquisadores concluíram que pacientes com complicações diabéticas eram duas vezes mais propensos a morrer dentro de uma semana; pacientes com 75 anos ou mais eram 14 vezes mais propensos a morrer do que pacientes com menos de 55 anos; e pacientes com 65 a 74 anos eram três vezes mais propensos a morrer do que pacientes com menos de 55.

Enquanto nenhum paciente com diabetes tipo 1 e menos de 65 anos morreu, os pesquisadores observaram que apenas 39 indivíduos tinham diabetes tipo 1 em todo o estudo.

Entre os fatores de risco que pareceram afetar o resultado dos pacientes estão apneia do sono (três vezes mais propenso a morrer dentro de uma semana), falta de ar (três vezes mais propenso a morrer dentro de uma semana) e obesidade (mais propenso a morrer).

Segundo os cientistas franceses, a análise não permite estabelecer uma relação independente entre idade, sexo, controle a longo prazo da glicose, complicações crônicas, pressão alta ou medicamentos incomuns com casos mais graves de Covid-19. Já o peso (o índice de massa corporal) se mostrou um fator de risco relevante que pode ser associado independentemente ao resultado de um paciente.

É importante observar que pacientes que usavam insulina e outros tratamentos para modificar seus níveis de açúcar no sangue não apresentaram risco maior de desenvolver um caso mais grave de Covid-19. Os pesquisadores afirmaram que os diabéticos devem continuar esses tratamentos.

Diabetes: o risco

De acordo com o Dr. Robert Eckel, presidente da Associação Americana de Diabetes, que não participou do novo estudo, os resultados por si só não mostram necessariamente que pessoas com diabetes tipo 2 têm um risco maior de ficar severamente doentes.

“Com base na observação dos dados, acho que, em última análise, não se pode ser excessivamente conclusivo a respeito, mas valida novamente alguns outros estudos indicando que a diabetes é um preditor de resultados”, disse à CNN.

Apesar disso, os pesquisadores franceses notam que é bastante conhecido que pessoas com diabetes têm risco maior de infecção, principalmente para doenças como influenza e pneumonia.

Por exemplo, a diabetes foi considerada um grande fator de risco para a mortalidade em pessoas com gripe suína (H1N1) na pandemia de 2009 e com síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS) na pandemia de 2012. Por fim, estudos epidemiológicos recentes apontaram consistentemente a diabetes como uma das principais comorbidades que afetam a gravidade de Covid-19.

Os cientistas sugerem que atenção especial deve ser dada a idosos com diabetes de longo prazo e complicações que apresentam risco aumentado de Covid-19.

Um artigo sobre o estudo foi publicado na revista científica Diabetologia. [CNN]

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