14 fatos sobre transtorno bipolar que você deveria saber

Por , em 1.10.2018

O transtorno bipolar é uma das condições de saúde mental mais incompreendidas. Se a sua percepção sobre a doença é moldada principalmente por filmes, séries e memes da internet, saiba que a realidade é muito mais sutil do que parece.

Confira 14 fatos sobre o transtorno bipolar:

1 – O transtorno bipolar é uma doença mental caracterizada por mudanças dramáticas de humor e comportamento

Essas mudanças são conhecidas como “episódios de humor”. De acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH, dos EUA), existem dois tipos principais de episódios: episódios maníacos e episódios depressivos.

Entre esses episódios, uma pessoa com transtorno bipolar pode ter períodos sem sintomas de mania ou depressão.

2 – Os episódios depressivos bipolares se parecem com a depressão clássica

Sem conhecer a história médica de alguém, é virtualmente impossível determinar se a sua depressão é resultado de transtorno bipolar ou de algo como transtorno depressivo maior.

Em geral, o NIMH destaca estes como os sinais e sintomas de um episódio depressivo bipolar:

  • Energia excepcionalmente baixa;
  • Diminuição dos níveis de atividade;
  • Sentimentos de desesperança e desespero;
  • Perda de prazer em atividades;
  • Dormir muito pouco ou muito;
  • Sentir-se preocupado ou vazio;
  • Fadiga;
  • Comer muito pouco ou muito;
  • Problemas para se concentrar ou lembrar de coisas;
  • Pensamentos suicidas.

Episódios graves de depressão também podem envolver psicose, incluindo delírios ou alucinações.

3 – Os episódios maníacos são mais complicados do que simplesmente “estar agitado”

Experimentar a mania não significa necessariamente que uma pessoa simplesmente ande por aí sentindo-se invencível e feliz, explica a Dra. Dolores Malaspina, do departamento de psiquiatria da Icahn Escola de Medicina Monte Sinai (EUA).

O NIMH sugere estes sinais e sintomas:

  • Energia excepcionalmente alta;
  • Níveis aumentados de atividade;
  • Sentir-se agitado ou nervoso;
  • Sentimentos de euforia;
  • Sentimentos de agitação ou irritabilidade;
  • Sentimentos de excesso de confiança;
  • Dificuldade para dormir;
  • Falar excepcionalmente rapidamente;
  • Tentar assumir muitos compromissos ao mesmo tempo;
  • Engajar-se em comportamentos de risco, como riscos sexuais ou financeiros que você não correria de outra forma.

4 – A hipomania pode envolver muitos dos mesmos sintomas de mania, mas em menor escala

“Há gravidades diferentes da elevação do humor”, explica Wendy Marsh, diretora da Clínica de Especialidades de Transtornos Bipolares e professora do departamento de psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade de Massachusetts (EUA) ao portal SELF.

Na extremidade inferior do espectro está a hipomania, que é quando uma pessoa não experimenta um episódio maníaco completo, apenas alguns dos sintomas em uma escala mais amena. “Pode parecer útil, energia orientada para objetivos”, complementa a Dra. Malaspina.

Também é possível sentir mania total, o que pode se tornar perigoso. “Você pode ter muita crença em si mesmo e mal julgamento”, esclarece a Dra. Malaspina.

Isso pode contribuir para comportamentos como fazer sexo desprotegido ou investir todo o seu dinheiro em um empreendimento comercial. Esse pensamento grandioso também pode se transformar em ilusão. “Quando alguém tem mania, realmente precisa estar sob os cuidados de um médico”, resume.

5 – As pessoas podem experimentar sintomas de mania e depressão ao mesmo tempo

Esses “episódios mistos” envolvem a alta energia e a alta atividade da mania, junto com a desesperança e o desespero da depressão.

“Essa é uma situação realmente de alto risco, porque as pessoas são infelizes e têm toda essa energia extra”, argumenta a Dra. Marsh. Esses episódios são tão ou mais perigosos do que a mania severa, e exigem cuidados imediatos.

6 – Existem vários tipos de transtorno bipolar

Os sintomas do transtorno bipolar podem se apresentar em diferentes gravidades e em várias combinações. De fato, existem quatro condições diferentes relacionadas ao transtorno.

O tipo bipolar I consiste em episódios maníacos com duração de sete dias ou mais, ou sintomas maníacos que duram qualquer período de tempo, mas são graves o suficiente para garantir a hospitalização imediata. Normalmente, também vem com sintomas depressivos que duram pelo menos duas semanas, ou pode causar os episódios mistos que incluem sinais de depressão e mania.

No tipo bipolar II, as pessoas experimentam episódios depressivos juntamente com episódios de hipomania, mas não mania total.

Há ainda uma condição chamada ciclotimia, que se assemelha a uma forma menos grave de transtorno bipolar. Pessoas com ciclotimia apresentam sintomas de hipomania e sintomas de depressão leve por pelo menos dois anos, intercalados com períodos sem sintomas.

No geral, os sintomas não são graves o suficiente para qualificá-los como episódios hipomaníacos ou depressivos reais. A pessoa experimenta “altos e baixos”, mas nunca o suficiente para que pareça realmente disfuncional. Pessoas com ciclotimia não tratada correm um risco maior de desenvolver o transtorno bipolar, no entanto.

Finalmente, podem existir pessoas com sintomas de transtorno bipolar que não se encaixam perfeitamente nos grupos citados acima, de forma que são classificadas como tendo “Outros Transtornos Bipolares e Relacionados Especificados e Não Especificados”, de acordo com o NIMH.

7 – A duração dos episódios de humor pode variar de pessoa para pessoa

Duas semanas é o mínimo estabelecido para um episódio depressivo, segundo o NIMH, mas eles geralmente se estendem por meses.

Mania comumente dura pelo menos uma semana. No entanto, “não há realmente um intervalo fixo”, afirma a Dra. Malaspina.

8 – Não existe uma causa única conhecida do transtorno bipolar

Os cientistas ainda estão investigando as raízes do transtorno, mas já identificaram três fatores de risco que contribuem para a probabilidade de desenvolver a doença: genética, estrutura e funcionamento do cérebro e histórico familiar.

Os especialistas ainda precisam identificar quais genes podem estar envolvidos e em que medida. O mesmo vale para a estrutura e o funcionamento do cérebro; há muito ainda a ser determinado.

O que é mais claro é que o transtorno bipolar tende a ocorrer em famílias. Embora a maioria das pessoas com histórico familiar da doença não a desenvolva, ter pais ou irmãos com transtorno bipolar aumenta suas chances.

9 – É complicado receber um diagnóstico adequado do transtorno bipolar

As pessoas que têm transtorno bipolar são mais propensas a buscar ajuda durante um episódio depressivo do que maníaco ou hipomaníaco, de acordo com o NIMH. Isso porque a mania às vezes pode parecer produtiva, em vez de um problema que requer tratamento.

O diagnóstico de transtorno bipolar demanda o estabelecimento de um histórico de mania e depressão, portanto, se o médico considerar apenas sinais de depressão durante a primeira avaliação, um erro de diagnóstico não é improvável, explica a Dra. Malaspina.

Mesmo que a pessoa primeiro apresente apenas sintomas de depressão, um bom clínico que veja o paciente regularmente deve ser capaz de reconhecer a mania ao longo do tempo e reavaliar seu diagnóstico original.

10 – Crianças e adolescentes podem ter transtorno bipolar também

A maioria das pessoas que têm essa condição desenvolvem-na no final da adolescência ou nos primeiros anos da vida adulta. No entanto, adolescentes e crianças mais jovens podem ter a doença também.

O diagnóstico pode ser ainda mais difícil em crianças e adolescentes porque seus sintomas podem não se encaixar totalmente nos critérios diagnósticos, de acordo com a Mayo Clinic.

Crianças e adolescentes com transtorno bipolar também costumam ter condições de saúde mental ou comportamental concomitantes, como o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, que dificultam o diagnóstico.

Finalmente, pode ser difícil determinar quando mudanças de humor e comportamento, como níveis de atividade, são simplesmente parte do crescimento ou algo mais. Psiquiatras infantis especializados podem ser úteis nesses casos.

11 – O tratamento quase sempre envolve medicação, mas estas variam muito de pessoa para pessoa

O principal objetivo da medicação é estabilizar o humor de uma pessoa ao longo do tempo, a fim de minimizar o número de episódios maníacos e depressivos que experimentam.

Existem vários tipos de medicamentos eficazes para o transtorno bipolar de diferentes maneiras. Os estabilizadores do humor funcionam diminuindo a quantidade de atividade anormal no cérebro. O lítio é comum. Anticonvulsivantes, inicialmente desenvolvidos para tratar desordens como a epilepsia, também são usados como estabilizadores de humor.

Outra classe de medicamentos prescritos para o transtorno bipolar são antipsicóticos para tratar a mania, de acordo com o NIMH.

Algumas pessoas também se beneficiam de antidepressivos. No entanto, eles têm o potencial de desencadear episódios maníacos. São tipicamente pareados com um estabilizador de humor ou antipsicótico, ou administrados como uma droga que funciona tanto como um antidepressivo quanto como um antipsicótico, segundo a Mayo Clinic.

E há ainda a possibilidade de uso de medicamentos ansiolíticos a curto prazo.

Alguns destes medicamentos são melhores no tratamento de episódios depressivos ou maníacos, por isso combinações são frequentemente mais eficazes. Descobrir a melhor combinação pode ser um desafio no início, mas os médicos quase sempre encontram o equilíbrio certo, embora os remédios precisem ser ajustados com o tempo.

12 – Os medicamentos para transtorno bipolar podem afetar a gravidez e o controle da natalidade

Pessoas com transtorno bipolar que planejam engravidar (ou que já estão grávidas) devem conversar com seus médicos. Medicamentos podem passar pela placenta e entrar no leite materno, e vários remédios usados para tratar o transtorno têm sido associados a um aumento do risco de defeitos congênitos.

Além disso, certos medicamentos para transtorno bipolar, como drogas antiepilépticas, podem diminuir a eficácia das pílulas anticoncepcionais. É preciso se informar se você deseja evitar uma gravidez.

13 – Terapia pode ajudar as pessoas a lidar com o transtorno bipolar

A terapia pode ajudar as pessoas a entenderam como se comportam durante episódios de humor, especialmente quando recebem o diagnóstico.

Com o diagnóstico adequado e uma compreensão de sua condição, a terapia pode ajudar as pessoas a reformularem suas experiências e autoconhecimento.

Ver um profissional de saúde mental também pode ajudar os pacientes a administrarem os estressores em suas vidas, que podem agravar sua condição.

Além disso, os terapeutas podem “perceber” um episódio de humor antes que ele se agrave.

14 – Pessoas com transtorno bipolar podem e levam vidas felizes e saudáveis

Não há dúvida de que viver com transtorno bipolar apresenta seus desafios. Mas é igualmente verdade que, com tratamento adequado, as pessoas podem alcançar estabilidade e felicidade.

“É algo que você recebe ajuda, como se você tivesse diabetes”, conclui a Dra. Malaspina. “Com cuidado e tempo, as pessoas podem ficar muito, muito melhor”. [Self]

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