A maior parte de suas mutações é culpa do seu pai

Por , em 27.08.2012

Hoje vamos falar da Islândia. Uma gelada ilha situada no Atlântico Norte, com área de 103 mil km² (pouco superior à do estado de Pernambuco), que oferece um dos melhores padrões de vida do planeta para as 403 mil almas que habitam o país. Destes mais de 400 mil, 93% são loiríssimos, e geralmente casam entre si, dando origem a filhos com o mesmo fenótipo.

Esta nação foi escolhida pela aclamada Universidade Harvard, em Cambridge (Massachussets, EUA), para um estudo a respeito de mutações genéticas. A partir da análise cromossômica de mais de 85 mil islandeses (o que deve ter mobilizado boa parte do país, considerando que isso equivale a mais de 20% da população total), descobriu-se que o pai é três vezes mais responsável por mutações genéticas em uma criança do que a mãe.

O que são mutações genéticas, afinal?

“Mutação genética” nem sempre equivale a uma pessoa com três braços, apenas um olho ou outra anomalia desta natureza. O termo “mutação genética” abrange um leque muito mais amplo de situações, sendo algumas até benéficas. É graças a uma delas, por exemplo, que algumas pessoas têm uma inexplicável imunidade à AIDS, mesmo quando fortemente expostas ao vírus HIV.

Boa parte dos casos, no entanto, implica mesmo em consequências negativas: as chamadas doenças genéticas. O famoso teste do pezinho, figurinha carimbada em campanhas anuais do SUS (sistema publico único de saúde brasileiro) e outras instituições de saúde, serve para detectar uma delas.

De mais a mais, são mutações genéticas ao longo do tempo que conduzem a evolução das espécies. Embora quase imperceptíveis de uma geração de seres humanos para a seguinte, elas sempre estão presentes. Por exemplo, são através delas que as populações, ao longo dos anos, vão ficando com a cor de pele mais escura ou mais clara, com ombros mais largos ou narizes maiores, etc.

Uma ideia recorrente na ciência é que mutações genéticas evolutivas levam milhares de anos para serem notadas em uma população. Nem sempre é o caso. Um estudo do Hospital Infantil de Boston (em Massachussets, EUA) comparou a altura média dos homens nos países europeus e descobriu uma grande diferença entre um grupo étnico e outro.

Aparentemente, homens do norte europeu (Escandinávia e países bálticos) tendem a ser mais altos que os europeus do sul, por uma razão meramente genética. As correntes migratórias das últimas gerações foram deixando suas marcas rapidamente, e o resultado ficou logo visível.

O risco da paternidade “idosa”

A experiência com os islandeses foi uma tarefa ampla. Participaram da pesquisa 24.832 trios de pai, mãe e filho (ou filha). Ao todo, os cientistas detectaram 2.058 mutações nas sequências de DNA que foram coletadas.

Do total verificado, a proporção entre homens e mulheres impressionou os cientistas: para cada mutação no DNA de uma representante feminina, havia 3,3 mutações entre os homens.

Além do número, a “vulnerabilidade” masculina também foi notável: as mutações genéticas entre os homens crescem com a idade (mais precisamente, a taxa dobra dos 20 para os 58 anos), enquanto as das mulheres permanecem inalteradas.

À primeira vista, esse número revela uma tendência hereditária: na teoria, quanto mais velho o pai, maior a chance de uma criança apresentar uma mutação genética.

Porque os pais tendem a ter mais mutações e passá-las adiante ainda é um tópico que precisa ser melhor estudado, mas algumas teorias que podem levar a explicações já estão aparecendo, como a do DNA mitocondrial, formado por DNA apenas materno e que só exclui mutações que podem prejudicar mulheres. [Medical Xpress/Science Daily/EurekAlert]

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3 comentários

  • Marco337:

    Matemática simples: mulher ( xx) e homem (xy), ou seja, nas doenças ligadas aos cromossomos sexuais (apenas um dos 23 pares) o homem leva desvantagem ( são 3 x contra 1 y). Mas ficando bem claro que aqui me refiro a doenças genéticas ligadas ao sexo. Os outros 22 pares de cromossomos (somáticos) me parecem acometer igualmente homens e mulheres ( alguns dos quais não se contabilizam pelo fato de ocorrer aborto espontâneo muito precocemente para o caso das meninas ). O termo mais usado em medicina no final do tópico é herança mitocondrial : as mitocôndrias são derivadas exclusivamente das mães , ou seja, tanto homem quanto mulher podem ser afetados, porém apenas a mulher pode transmití-las, como por exemplo a Síndrome de Leigh e a retinose pigmentar.

  • douglasdiv:

    Eu já tinha aprendido isso assistindo X-MEN! rs

  • klayton:

    Bom legal porêm um pouco quanto atrasada ( eu acho ), se partirmos do principio que somos animais assim como nossos amigos bovinos que ha tempos usam matrizes de machos boa qualidade para se fazer bons espermas para procriarem os mesmos, quem não se lembra do touro “Bandido” que valia uma fortuna.

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