A neve de Vênus é bem diferente do que você imagina

Por , em 25.06.2013

Tem gente que gostaria que nevasse no Brasil, mas antes morar aqui do que em Vênus, onda neva metal pesado.

Na verdade, os cientistas nunca viram neve realmente caindo em Vênus, mas eles observaram uma camada de neve, uma geada metálica, no topo nas montanhas do planeta.

A geada foi notada pela primeira vez como manchas brilhantes misteriosas em imagens de radar produzidas pela Missão Magellan da NASA a Vênus em 1989. Os planaltos de Vênus pareciam estranhamente reflexivos, muito mais brilhantes do que as planícies de lava venusianas.
Embora os cientistas no começo não soubessem do que se tratava, tudo apontava para alguma forma de deposição química que ocorria em terreno mais elevado.

Mais tarde, depois de análises e especulações, os pesquisadores afirmaram que essa geada parece ser composta de minerais de galena (sulfeto de chumbo) e bismutinite (sulfeto de bismuto).

E como é possível nevar metal em Vênus?

Vênus é um planeta muito quente. A baixa atmosfera e sua superfície são centenas de graus mais quentes do que a superfície da Terra. Por conta disso, conforme explica o Dr. Bruce Fegley, cientista planetário da Universidade de Washington (EUA), compostos metálicos emitidos por seus vulcões condensam nas regiões mais frias da atmosfera e criam a camada de “neve” na superfície.

Nas planícies mais baixas, as temperaturas chegam a 480°C – quente o suficiente para que minerais refletores (piritas) da superfície do planeta se vaporizem, entrando na atmosfera como uma espécie de névoa metálica, deixando nas altitudes mais baixas apenas as rochas vulcânicas escuras, como basalto.

Em altitudes mais elevadas, essa névoa se condensa, formando uma geada brilhante no topo das montanhas. Maxwell Montes, o pico mais alto de Vênus, está a uma altitude de 11 km, 3 km mais alto que o Monte Everest.

Se a neve genuinamente cai sobre Vênus ainda é desconhecido, mas é certamente possível. Chuvas de ácido sulfúrico já foram observadas no planeta, bem como chuva “virga”, que evapora antes de atingir o solo, como acontece em florestas tropicais da Terra.

É improvável que os olhos humanos vejam a superfície de Vênus diretamente em breve, mas uma coisa é muito provável: tanto sulfeto de chumbo quanto sulfeto de bismuto têm uma cor acinzentada com brilho metálico, o que significa que os cumes das montanhas de Vênus são provavelmente lindos, ainda mais à luz do sol. Quem sabe daqui a algumas centenas de anos, os picos das montanhas de Vênus se tornem uma popular atração turística.

E Vênus não é o único corpo celeste com precipitação estranha. Em Marte, a neve é feita de dióxido de carbono. Esta é mais provável que vejamos com nossos próprios olhos mais cedo na história.[HuffingtonPost, Discovery, SmithSonian]

Maat_Mons_on_Venus

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15 comentários

  • Rogério Debate Livre:

    Quem foi que disse que não cai neve no Brasil???? neva no Brasil, nos três estados, não neva muito e é em poucas cidades, mas é neve.

    • Cesar Grossmann:

      Não neva todos os anos. E quando neva, geralmente é pouca neve.

  • Krypthus:

    Venus e lindo, queria ir pra la passar umas ferias, ainda mais porque as mulheres sao de la, seria eu sozinho num planeta lindo cheio de mulheres lindas.

    • Cesar Grossmann:

      Numa temperatura de fazer o chumbo correr como água?

  • Roselio Mattes:

    ha se eu pudesse viajaria a todos os planetas conhesidos,quem inveentar a dobra espacial,vai lucrar milhões em turismo cosmico

  • Dinho01:

    Como diria um certo ser de orelhas pontudas:”Fascinante!”

  • Brian Carvalho:

    “Maxwell Montes, o pico mais alto de Vênus, está a uma altitude de 11 km, 3 km mais alto que o Monte Everest.”

    só uma pergunta tosca: o Everest está a 8km do nivel do mar. Este monte em Vênus está a 11km acima do que?

  • Genioso Irreligioso:

    \m/ Isso é que eu chamo de “Heavy Metal”; literalmente! \m/

  • Marcos Hansen:

    Garanto que no topo dessa montanha chamada Maxwell Montes a 11 mil metros de altura a temperatura deve ser mais baixa que a temperatura da superfície plana? Estou correto? Se eu estiver certo, então é errado dizer que Vênus tem a temperatura toda igual sem mudanças né?

  • Jonatas:

    A maior parte do conhecimento da superfície de Vênus vem das sondas orbitais que a investigam via radar, pois uma visão optica é impossível através de tão densa atmosfera. Poucos minutos é o que dura uma sonda na superfície devido a temperatura e pressão ambiente *95 atm*, façanha conseguida pelos russos.
    A neve metálica pode de fato ocorrer em Vênus, embora não observada diretamente o evento é compatível com o ambiente local, capaz de derreter chumbo. Os metais leves são evaporados, em alguma camada mais alta da atmosfera se esfriam e caem de volta a superfície, o que não é tão diferente do ciclo da água na Terra.
    Mas a nevasca venusiana não é a única estranha no Sistema Solar:
    IO, lua de Júpiter, tem um vulcanismo intenso e praticamente initerrupto, que constantemente lança toneladas de material sulfuroso na atmosfera. Quando o material resfria, cai uma neve corrosiva que molda uma grossa espessura na superfície da lua. O mais fantástico é que unida a violência dos vulcões colossais com a baixa gravidade, parte do material escapa para o espaço e chega a marcar as luas internas de Júpiter, como Amalthea e Tebhe, caracterizando uma genuína nevasca espacial.
    As dunas de hidrocarbonetos em Titã e as planícies de gelo de Encéladus, luas de Saturno, são também resultados de outras versões de nevascas estranhas. Em Titã, está no material da atmosfera reagindo com a luz solar, em Encéladus aos gêiseres de cristais de gelo descobertos pela sonda Cassini na década passada, também está associado a formação de um anél de Saturno outra nevasca espacial.
    Tritão, de Netuno, também tem nevascas, de uma causa semelhante a Io, mas menos intensa. São gêiseres de gelo que cospem nitrogênio até 8 km de altitude, formando pequenas nuvens e caindo de volta a superfície, formando o que já parece um continente de azoto.
    E não poderia faltar nessa lista o inesquecível Plutão, onde a atmosfera inteira vira uma nevasca e cai na superfície quando o planeta anão abandona o ponto orbital mais próximo do Sol e entra no seu “inverno”.

    • Marcos Hansen:

      Não tem como fazer uma sonda que tenha um tipo de resfriamento interno, ou que fique no pico de maxwell montes ou algo assim?

    • Cesar Grossmann:

      Marcos, resfriar significa retirar o calor de um lugar para outro. Talvez até desse para fazer um sistema de refrigeração que mantivesse o interior da sonda mais frio, o problema é que a parte externa do sistema de refrigeração teria que suportar temperaturas que derretem metal, ou seja, não poderia ser metálico (talvez uma cerâmica), teria que suportar pressões tremendas, e também o ataque químico do ácido sulfúrico.

    • Guilherme Ferreira:

      Como assim um Gêiser de gelo??

      Basicamente os gêiseres não têm que ser ferventes?

    • Jonatas:

      Guilherme, se achas estranho imagina então vulcões de gelo? é cabível? Pois é, e existem, em Tritão e Titã, provavelmente em alguns outros lugares, talvez em alguns planetas anões.
      Um gêiser ou um vulcão de gelo são denominações clássicas para atividades geológicas extraterrestres que acontecem em mundos onde a presença de gelo é substancial, no sistema solar exterior. Quando um objeto é um reles asteroide ou uma pequena lua de gelo ele é inerte e inativo. Mas quando o astro é grande o bastante pra produzir calor interno por pressão, como Titã, o gelo interior sofre um violento aquecimento e tende a “subir”, pressionando as camadas externas e frias, originando estruturas parecidas com os vulcões da Terra – só que expelindo gelo, pois o material encontra de cara o frio da atmosfera e resfria imediatamente, virando fluídos e cristais de gelo, dependendo de outras variáveis ambientes. Se pôr sua mão na “lava” que flui dum vulcão de gelo, a congelaria, ela até é mais quente que o ambiente, mas extremamente fria do nosso ponto de vista – Titã tem a temperatura ambiente de -170 graus, a lava seria uns 70 graus mais quente, ainda fria demais pra nós.
      O processo é parecido para os gêiseres, mas as formações de atividade e comportamento são diferentes, são jatos de pura energia que emergem das profundezas aquecidas de pequenas luas como Encéladus *aquecido por outra causa, pela maré gravitacional*, formando cavernas e galerias por onde eles passam e escapam – lembrando que assim como na Terra, vulcões e gêiseres estão muito associados.

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