Arqueólogos encontram palácio da era do Rei Davi em Israel

Por , em 22.07.2013

Uma equipe de arqueólogos israelenses acredita ter descoberto as ruínas de um palácio pertencente ao rei bíblico Davi.

Eles encontraram dois edifícios reais antigos em Khirbet Qeiyafa, uma cidade fortificada cerca de 30 quilômetros a sudoeste de Jerusalém. As descobertas feitas no local indicam que Davi, que derrotou Golias na Bíblia, governou ali um reino com uma grande organização política.

“Temos provas inequívocas da existência de um reino, que sabia estabelecer centros administrativos em pontos estratégicos”, explicaram os arqueólogos Yossi Garfinkel, da Universidade Hebraica, e Saar Ganor, da Autoridade de Antiguidades de Israel.

A escavação no local durou sete anos. Garfinkel disse que sua equipe encontrou objetos de culto tipicamente usados por judeus, os súditos do rei Davi, além de não ter achado nenhum vestígio de restos de porco. Carne de porco é proibida pelas leis dietéticas judaicas. Indícios como estes, segundo ele, são evidências de que Davi e seus descendentes governaram a região.

Garfinkel havia dito anteriormente que Khirbet Qeiyafa poderia ser o local de Saaraim, uma cidade bíblica associada com o rei Davi. Saraim significa “duas portas”, e dois portões foram encontrados nas ruínas da fortaleza.

Outros pesquisadores, por sua vez, alegaram que a região pode ser Neta’im, outra cidade mencionada no Velho Testamento. O consenso entre a maioria dos estudiosos é que nenhuma prova física definitiva da existência do rei Davi foi encontrada.

david

Pode não ser, pode ser

A arqueologia bíblica é controversa. Os israelenses usam frequentemente achados arqueológicos para apoiar suas reivindicações históricas de locais que também são reivindicados pelos palestinos, assim como a Cidade Velha de Jerusalém.

Apesar da extensa evidência arqueológica, por exemplo, os palestinos negam que os templos judaicos bíblicos dominavam o topo da colina onde a mesquita Al-Aqsa, terceiro local mais sagrado do Islã, está hoje.

Em geral, os pesquisadores estão divididos sobre se histórias bíblicas podem ser validadas por restos físicos.

Além disso, a escavação atual não é a primeira a reclamar ter encontrado o palácio do rei Davi. Em 2005, a arqueóloga israelense Eilat Mazar disse ter achado os restos do palácio do rei em Jerusalém, datando do século 10 aC, quando ele teria reinado. Sua afirmação atraiu ceticismo, inclusive do próprio Garfinkel.

Análises de radiocarbono no novo local escavado indicam que o palácio existiu entre 1.020 aC e 980 aC, na mesma época dos achados de Mazar. Também sugerem que foi violentamente destruído, provavelmente em uma batalha contra os filisteus. Grande parte do palácio foi posteriormente devastado 1.400 anos mais tarde, quando uma fazenda bizantina foi construída no local.

As evidências físicas

Os arqueólogos encontraram uma parede de 30 metros de comprimento no local, que teria fechado o palácio, e no interior do complexo, eles descobriram fragmentos de cerâmica e vasos de alabastro, alguns deles importados do Egito.

Os escavadores também encontraram um edifício com colunas medindo cerca de 15 por 6 metros, que provavelmente foi usado como um depósito administrativo. “Foi neste edifício que impostos recebidos na forma de produtos agrícolas recolhidos dos moradores das diferentes aldeias de Sefelá, na Judéia eram armazenados”, disseram os arqueólogos. “Centenas de frascos grandes foram encontrados no local, cujas alças foram carimbadas com um selo oficial como era de costume no Reino de Judá, ao longo dos séculos”, concluíram.

Garfinkel acredita que o rei Davi viveu permanentemente em Jerusalém, em um local ainda a ser descoberto, e que só visitava Khirbet Qeiyafa ou outros palácios por curtos períodos. Ele disse que a posição do palácio, em um monte, indica que o governante procurou ter um local seguro em terreno alto durante a era violenta de conflitos frequentes entre cidades-estados.

Segundo os pesquisadores, a construção foi estrategicamente localizada com vista sobre a cidade e o Vale de Elá.

“Daqui se tem uma excelente vista para tão longe quanto o Mar Mediterrâneo, a oeste, e para as montanhas de Hebron e Jerusalém, no leste”, disseram os arqueólogos. “Esta é uma localização ideal para enviar mensagens por meio de sinais de fogo”. [LiveScience, CBC]

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16 comentários

  • Pedro Ornellas:

    O assunto nem era a ressurreição de Cristo, mas alguém pegou carona para fazer piadinhas sarcásticas e de mau gosto sobre isso. Um mínimo de conhecimento do que a Bíblia diz em vez de suposições presunçosas ajudaria a pessoa a não cometer gafes tão evidentes.
    Primeiro, que o corpo físico de Jesus não ficou ‘apodrecido’. O corpo desapareceu. Quando o túmulo foi aberto, ele não estava mais lá. (João cap. 20). Creia você ou não, tanto faz, Deus providenciou isso.
    Segundo, Jesus ressuscitado, apareceu várias vezes aos discípulos mas não com o mesmo corpo, foi reconhecido por ações e palavras e não pelo corpo físico. Ele e os anjos têm o poder de materializar corpos como quiserem, de novo, independentemente de você crer ou não nisso. (Ex. Lucas cap. 24). Só quis esclarecer esse ponto. Não se preocupe em rebater, sei que odeia e menospreza quem crê em Deus e na Bíblia e não me interesso em debates que não levam a nada. Só pense melhor no que diz.

    • Jonatas Almeida da Silva:

      Grato, não foi piada não (em dois dias um corpo já deve começar a cheirar mal, humano pelo menos), realmente nunca entendi essa parte direito (apesar de ter lido), e ainda não entendo o porque do corpo desaparecer, sendo que corpos são só moradas e como disse, eles podem materializar corpos a própria vontade – quando apareceu aos outros, estava em outro corpo(s)? O corpo original poderia ter-se desfeito então? se os seres sobrenaturais do arcabouço cristão podem criar corpos a sua vontade, devem faze-los desaparecer também – talvez pra evitar nossas autópsias…
      Odiar é meio forte… Me desentendo com bíblicos por vezes, mas odiar as pessoas só por ter um ideal diferente é coisa de século passado – embora ainda aconteça, não é meu caso,

    • Pedro Linhares:

      Concordo plenamente caro Pedro Ornellas, valeu xará!

  • Evandro Oliveira:

    Interessante.
    Lembro de há alguns anos atrás terem descoberto uma moeda do rei Davi.

    Seria interessante se fizessem um livro contendo todas as referências arqueológicas e descobertas dos períodos e histórias dos livros da Bíblia.

    Se já reviram pouco as terras de Israel, aqui e ali, e já fazem tantas descobertas. Imaginem quando a Tecnologia permitir construir sonares tão extraordinários que seriam possíveis achar essas artefatos, ruínas entre outros sem ter que revirar o chão? Imagine quantas descobertas de coisas soterradas nos grandes desertos como no Saara, ou nos fundos dos mares não descobriremos sobre nosso passado?!

  • Sérgio Moreira:

    Ficam fuçando muito, vão acabar encontrando o corpo de Cristo. Aí só quero ver neguinho se matando.

    • Marcelo Henrique:

      Mas ele não teria ressuscitado? Como irão encontrar o corpo dele?

    • Jonatas Almeida da Silva:

      Eu nunca entendi a lógica dessa história na parte da ressurreição – se ele foi lá pro andar de cima, pra que ressuscitar um corpo orgânico e apodrecido que nem precisava mais??

  • David Sousa:

    O achado de Eilat Mazar em 2005 não exclui a validade deste mais recente. Segundo a história bíblica Davi teve 2 palácios, pois reinou 7 anos em Hebrom e 33 anos em Jerusalém.

    • Eunice Dos Santos:

      Jonatas, Cristo teve o corpo físico glorificado, em corpo celeste, assim como acontecerá na ressurreição dos mortos na sua segunda vinda. Este foi o grande sacrifício, deixar toda a sua glória e se submeter a um corpo igual ao nosso para toda a eternidade, embora glorificado e vivo para todo o sempre. Ao ascender aos céus ele recebeu de volta todo o poder, honra e glória que tinha antes, contudo, o corpo continua físico, porém, não com a matéria da terra e sim com a matéria do céu, que não perece. A Ele toda a honra e glória! Esta foi a prova do seu grande amor pela humanidade.

  • Jonatas Almeida da Silva:

    Esse conflito não acaba… no passado, judeus e muçulmanos coexistiram em paz, porque será que é tão difícil hoje…

    • David Sousa:

      Hebreus e árabes guerreiam desde os tempos bíblicos.

    • Renata:

      Meio fora de contexto, fugindo do assunto do texto… mas eu sou novata no Site – com conta no Hypescience – e tenho algumas dúvidas… Alguem que está a mais tempo… Jonatas por exemplo que eu já vi alguns artigos e vários comentários, eu gostaria de saber como eu posso escrever textos para o site… Conheço muito puco do sistema ainda e gostaria, se possível de uma ajuda…

      Obrigada!

    • Evandro Oliveira:

      em que passado isso ocorreu?

    • Jonatas Almeida da Silva:

      em meados do século VI,
      judeus e árabes conviveram pacificamente na península Ibérica e também em colônias rurais no Oriente Médio, de maioria muçulmana.
      Não ´só conviveram em paz, mas ocupavam as mesmas cidades – comercializavam e interagiam, mesmo com crenças diferentes – visto que os conflitos de hoje são muito mais por razões políticas do que por diferenças étnicas.
      Mas ainda creio que o fim da paz entre eles se deu por um terceiro elemento, a perseguição religiosa do cristianismo, feito pelas cruzadas, mas não estou certo.

    • Samuel Neves Macedo:

      Politica, poder, ganancia, a vaidade humana que esta destruindo o Planeta.

  • lexscience:

    Na verdade encontraram o que SOBROU do palácio do Rei Davi né? kkkkkkkkk

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