Como um único adulto pode alterar o comportamento de uma criança

Por , em 16.10.2014

Como adultos, nós costumamos alterar o nosso comportamento na presença de pessoas com raiva. Isso é até bastante natural – dado que muitas vezes é um mecanismo de defesa quase que inconsciente.

Mas, ao contrário do que você pode pensar, isso não é uma coisa que aprendemos ao longo do tempo, com experiências traumatizantes. Como você vai ver no experimento a seguir, essa adaptação a uma presença hostil é algo que conseguimos fazer desde muito cedo.

O experimento

O novo estudo do Instituto de Ciências do Cérebro e Aprendizagem da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, revela que crianças a partir dos 15 meses já podem detectar raiva ao observar as interações sociais de outras pessoas – e também usar essa informação para guiar e moldar seu próprio comportamento. O que é absolutamente fascinante!

No vídeo a seguir, você pode ver durante o experimento como a criança regula seu comportamento para evitar conflitos com pessoas raivosas:

Os pesquisadores estudaram 150 crianças de 15 meses de idade usando uma amostra mista de meninas e meninos. Cada uma das crianças que participou do experimento estava sentada no colo de seus próprios pais e ficava de frente para a facilitadora da dinâmica, que demonstrou como usar alguns brinquedos diferentes.

Quando o ambiente estava “tranquilo”, com todos os presentes calmos e controlados, a criança interagiu com o brinquedo sem medo. Mas quando um adulto entrava em cena e falava em um tom raivoso, alto e agressivo, a história mudava de figura.

A criança não fazia nada, apenas observava.

Mas por quê?

No experimento, cada brinquedo tinha peças móveis que faziam sons. As crianças assistiram avidamente e muito interessadas toda a movimentação próxima a esses brinquedos, inclinado-se para a frente e, por vezes, apontando com entusiasmo.

Em seguida, uma segunda pessoa entrava na sala e sentava-se em uma cadeira perto da mesa. O pesquisador repetia a demonstração do brinquedo e essa pessoa reclamava em uma voz alta e irritada, chamando as ações do experimentador com os brinquedos de “agressivas” e “chatas”.

Depois dessas falas raivosas, as crianças tiveram a oportunidade de brincar com os brinquedos, mas em circunstâncias um pouco diferentes. Para alguns, o adulto que falou com raiva saiu da sala ou virou as costas para que não pudesse ver o que a criança estava fazendo. Nessas situações, as crianças ia sem medo para cima do brinquedo.

Mas quando o adulto que expressou raiva continuava na sala, mesmo que com uma expressão neutra, a coisa era um pouco diferente.

A maioria das crianças nessas circunstâncias hesitou antes de tocar o brinquedo, esperando cerca de quatro segundos, em média. E, quando finalmente tomavam coragem para tocar no brinquedo, as crianças eram menos propensas a imitar a ação que a experimentadora havia demonstrado antes.

E nasce o tal do autocontrole

Os resultados, então, mostraram que as crianças que ainda nem sequer falam já sabem interpretar pistas visuais e sociais e, principalmente, agir de acordo com essa interpretação. Elas já entendem as pessoas e isso é uma habilidade cognitiva bastante sofisticada para uma pessoa tão nova.

Curiosamente, o estudo também estabeleceu relações entre as tendências impulsivas das crianças com as tendências que as mesmas têm de ignorar a raiva das outras pessoas. Isto sugere um indicador precoce para as crianças que podem tornar-se menos dispostas a cumprir regras.

Como o observou o coautor desse estudo, Andrew Melzoff, níveis de autocontrole são uma das habilidades mais importantes que as crianças adquirem nos três primeiros anos de vida. No desenvolvimento do estudo, eles mediram as origens desse autocontrole e descobriram que a maioria das crianças foi capaz de regular seu comportamento. [io9]

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