Mcity: a cidade falsa construída para testar carro sem motorista

Por , em 25.07.2015

A vida não está muito fácil para os carros sem motorista. Recentemente, por exemplo, se soube que todos os acidentes envolvendo veículos autônomos do Google em fase de teste teriam sido causados por seres humanos. Esta é uma das razões para especialistas terem aberto um centro de testes em Michigan, nos Estados Unidos, que tenta recriar o caos das ruas construídas pelo homem em um ambiente controlado.

O projeto recebeu o nome de Mcity. Com custo de US$ 10 milhões, a área de 13 hectares simula ruas de uma cidade, estradas suburbanas e tudo mais. Ela foi concebida por um grupo de pesquisadores, agências governamentais e empresas de automóveis na cidade de Ann Arbor. Suas fachadas móveis tornam possível para os pesquisadores organizar qualquer tipo de condições imagináveis, de cantos cegos até cruzamentos esquisitos, tudo a serviço do desenvolvimento de veículos autônomos inteligentes. Estradas de cascalho? Na Mcity tem. Pavimentação de tijolos? Sem problemas. Sinais de auto-estrada, pichações, pistas de tráfego pesado – tudo é recriado para que os engenheiros e pesquisadores possam descobrir como veículos sem motorista vão reagir.

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Investimento na automação para carro sem motorista

A Mcity é o primeiro grande projeto de uma parceria acadêmica, governamental e comercial chamada Centro para Transformação da Mobilidade da Universidade de Michigan. Com investimentos de milhões de dólares de empresas como Nissan, Toyota, Ford, GM, Honda, State Farm, Verizon e Xerox, o objetivo é construir a infraestrutura de teste que vai tornar mais viáveis diferentes níveis de automação em carros.

Isso inclui carros sem motorista, com certeza, mas também inclui sistemas de testes com os quais a instituição já estava trabalhando, como a conectividade de veículo-para-veículo que permite que os carros “falem” uns com os outros e se organizem de acordo com isso.

Ensinar um veículo conectado ou sem condutor como é o mundo é surpreendentemente difícil, porque o mundo é imprevisível e computadores não lidam bem com surpresas. “Mesmo os detalhes aparentemente insignificantes que um veículo pode encontrar em áreas urbanas e suburbanas foram incorporados em Mcity, tais como sinais de trânsito desfigurados por grafite e sinalização desbotada na pista”, explica a universidade em um comunicado.

Exceção à regra

Essas excentricidades ambientais é que são realmente um desafio para a tecnologia de automóveis sem motorista. Claro, você pode ensinar um veículo autônomo a compreender a forma como a estrada deve ser 95% das vezes. Mas o que fazer quando algo inesperado acontece?

Não é só a Universidade de Michigan que está tentando descobrir como ensinar uma máquina a reagir com segurança à coisas imprevisíveis. No Google I/O, o “chefão” do Google X, Astro Teller, descreveu algumas das maneiras bizarras pelas quais a empresa está testando a sua frota de carros sem motorista. As técnicas incluem jogar bolas de praia nos carros, usar aves falsas para fazer voos rasantes em direção a eles e, talvez a mais divertida, alguém se esconder em um saco de lona no meio da rua e pular dele, ficando no meio do caminho.

Agora que a Mcity está aberta, temos boas chances de ouvir mais sobre testes de veículos autônomos em breve. [Gizmodo]

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