Cometas fedem e têm dunas como as da Terra

Por , em 29.10.2014

A sonda Rosetta continua nos surpreendendo com suas novas e incríveis fotos tiradas em sua perseguição do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Os cliques foram feitos a apenas 7,9 quilômetros da superfície do corpo celeste e revelam dunas similares àquelas que encontramos na Terra. Além disso, os cientistas também descobriram um dado bastante constrangedor para o pobre cometa: ele fede.

“O perfume do 67P/CG é bastante forte, como o odor de ovos podres (sulfureto de hidrogênio), fezes de ​​cavalo (amoníaco) e o odor pungente do formaldeído”, conta, Kathrin Altwegg, a principal pesquisadora do equipamento usado pela Agência Espacial Europeia (chamado de ROSINA, do inglês Rosetta Orbiter Spectrometer for Ion and Neutral Analysis) para analisar o cometa. “Isso está misturado com o aroma fraco, amargo e amendoado do cianeto de hidrogênio. Adicione um pouco de cheiro de álcool (metanol) a esta mistura, junto do aroma de vinagre do dióxido de enxofre e uma pitada do aroma doce do sulfureto de carbono e você terá o ‘perfume’ do nosso cometa”.

Não parece nada bom.

Quanto às dunas, uma ideia é de que elas tenham chegado ali devido às plumas de gás das falésias que as rodeiam – da mesma forma que montes e dunas perto de penhascos são criados aqui na Terra. A demarcação entre subsolo exposto [por estes ventos] e a camada de poeira é bastante acentuada. Esses montes de poeira podem ser o lugar para onde toda a poeira foi “soprada” e acumulada.

cometa 3

Claro, isso é apenas especulação neste momento, mas não deixa de ser algo a se levar em conta.

Colocando as quatro imagens juntas, numerosas depressões circulares podem ser vistas em direção ao centro da imagem, alguns com aros e superfícies lisas bem definidas. Enquanto algumas crateras e buracos no 67P/CG podem ser marcadores diretos de locais ativos, acredita-se também que a sublimação de produtos voláteis de baixo da superfície feita de poeira poderia induzir o colapso da zona superior, formando poços.

É claro que, com base nessas imagens apenas, interpretações alternativas não podem ser descartadas. Algumas depressões circulares podem ser evidência de eventos de impacto anteriores, geradores de crateras, ou talvez algum material refinado tenha preenchido algumas depressões existentes anteriormente, com o material circundante mais tarde erodido, dando a aparência de uma borda elevada.

A previsão é de que, no próximo dia 12 de novembro, o Philae, módulo de aterrissagem acoplado à Rosetta, pouse no Churyumov-Gerasimenko, nos dando muito mais detalhes sobre o astro e chegando mais perto do que nunca de um cometa.

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Assumindo os 7,9 km de distância, a escala da imagem é de cerca de 67 centímetros/pixel, de modo que cada quadro, divulgado com a resolução de 1024 x 1024 pixels, mede cerca 690 metros. [Sploid, ESA]

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