Drogas psicodélicas podem ser uma nova opção de tratamento para pessoas com depressão?

Por , em 26.11.2019

Um novo estudo da Universidade Virginia Commonwealth (EUA) está tentando desvendar as mudanças que as drogas psicodélicas produzem no cérebro a nível molecular e estrutural, para entender seus potenciais efeitos antidepressivos.

O estudo

Pesquisas anteriores já estabeleceram associações entre substâncias psicodélicas e depressão. Por exemplo, estudos americanos e europeus mostraram que uma dose de psilocibina, encontrada em “cogumelos mágicos”, tem efeitos antidepressivos de ação rápida (em até algumas horas).

Além de rápido, esse efeito pode ser duradouro. Segundo um dos autores do novo estudo, Javier González-Maeso, um experimento descobriu que 80% das pessoas diagnosticadas com câncer terminal e depressão que receberam uma dose de psilocibina continuaram a ver melhorias no humor por até seis meses.

Na pesquisa atual, González-Maeso e seu colega Mario de la Fuente Revenga estão se debruçando particularmente em um mecanismo que pode ser fundamental ao investigar as mudanças cerebrais causadas por psicodélicos: o processo de criar novas sinapses.

Sinapses e depressão

Sinapses são estruturas básicas que os neurônios utilizam para se comunicar. Pessoas com depressão frequentemente têm menos conexões sinápticas, especialmente em áreas do cérebro responsáveis por regular humor e cognição, como o córtex frontal.

Para confirmar isso, a dupla realizou experimentos com ratos e concluiu que aqueles que receberam uma dose de um composto psicoativo demonstraram menos comportamentos depressivos e um aumento no número de sinapses no córtex frontal.

Alternativa tão esperada

O objetivo final de González-Maeso e de la Fuente é desenvolver uma versão puramente clínica de drogas psicodélicas.

“Se entendermos em nível molecular como os psicodélicos induzem a atividade antidepressiva, poderíamos projetar medicamentos terapêuticos muito melhores do que temos atualmente. “A meta é encontrar drogas que tenham implicações antidepressivas sem induzir efeitos do tipo psicose”, explicou González-Maeso.

Atualmente, os tratamentos para depressão não são ideais porque envolvem geralmente tomar antidepressivos por semanas ou meses até começar a ver efeitos terapêuticos e, nesse período de tempo, o risco de suicídio pode aumentar.

Um longo caminho

Enquanto uma alternativa do tipo “dose única de psicodélico” seria muito bem-vinda, não será fácil que tal tratamento chegue ao mercado.

Psicodélicos são considerados substâncias tóxicas controladas com alto potencial para abuso e sem uso médico amplamente aceito. Como resultado, os pesquisadores precisarão reunir muitas evidências científicas (excelentes) antes de que eles possam ser utilizados em clínicas.

De qualquer forma, González-Maeso e de la Fuente já possuem patentes para dois compostos que eles planejam testar em pacientes em ensaios clínicos futuros.

“Os psicodélicos são um campo proibido há décadas. Agora, com uma atitude mais aberta, temos todos os avanços tecnológicos que acumulamos ao longo desse tempo para aplicar a um campo crescente que quase ninguém havia explorado antes. Do ponto de vista científico, é essencialmente a ‘terra prometida’ e esperançosamente produzirá resultados que farão uma diferença real na prática clínica”, argumentou de la Fuente. [MedicalXpress]

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