Quase nenhuma mulher se arrepende de ter um aborto 5 anos após o procedimento: estudo

Por , em 20.01.2020

Uma das maiores preocupações que cercam a questão da legalização do aborto é ter certeza se as mulheres não irão se arrepender de ter um depois.

No entanto, um novo estudo da Universidade da Califórnia e da Universidade Columbia (EUA), um dos maiores já feitos sobre o assunto, mostra que é bem pelo contrário: a maioria das mulheres sente na verdade alívio.

Metodologia

Os pesquisadores questionaram quase 1.000 mulheres que vivem em 21 estados americanos sobre sua experiência com o aborto, não somente logo após o procedimento, mas 11 vezes depois disso, sempre a cada seis meses, ou seja, até cinco anos depois da decisão.

A ideia era descobrir como elas se sentiam em relação ao que fizeram ao longo do tempo.

Resultados

Apenas 6% das mulheres expressaram sentimentos negativos por ter feito um aborto cinco anos após o procedimento. 84% tinham sentimentos positivos ou nenhuma emoção em relação a sua decisão, mesmo que não se sentissem assim no momento em que a tomaram.

Pouco mais da metade das mulheres disse que a escolha de abortar foi difícil (27% disseram que foi “muito difícil” e 27% disseram que foi “um pouco difícil”), enquanto 46% disseram que não foi uma decisão difícil.

Uma semana após o aborto, mais da metade delas expressou emoções principalmente positivas (51%), com 20% sentindo nenhuma/poucas emoções, 17% sentindo principalmente emoções negativas e 12% sentindo ambas emoções negativas e positivas.

Com o tempo, a porcentagem de mulheres que expressavam nenhuma ou poucas emoções negativas aumentou acentuadamente, para 45% em um ano e 63% em três anos.

Estigma versus alívio

Outro dado importante é que 70% das mulheres pensavam que seriam estigmatizadas se as pessoas soubessem que elas já tinham abortado.

As que tiveram mais dificuldade em tomar a decisão ou se sentiram mais estigmatizadas eram as mais propensas a reportar culpa, raiva ou tristeza logo após o aborto, mas, com o tempo, esses sentimentos diminuíram dramaticamente, conforme os dados mostraram.

A principal emoção que todos os grupos de mulheres sentiram, no entanto, foi alívio. Em todas as vezes que os pesquisadores perguntaram como elas estavam durante o estudo, as mulheres disseram estar aliviadas.

(Quase) sem culpa, com muito alívio

Esses resultados sugerem que as mulheres não se arrependem de fazer um aborto, mesmo que fiquem um pouco infelizes no momento do procedimento. A longo prazo, os sentimentos negativos tendem a desaparecer enquanto o alívio permanece.

“Todas as alegações de que emoções negativas surgirão ao longo do tempo [depois que uma mulher aborta], um mito que persiste por décadas sem nenhuma evidência para fundamentá-lo, simplesmente não são verdade”, disse uma das autoras do estudo, Corinne Rocca, epidemiologista e professora de obstetrícia, ginecologia e ciências da reprodução na Universidade da Califórnia.

Segundo Rocca, é na verdade surpreendente que, não importa como as mulheres se sintam em relação ao aborto, o que fica depois de cinco anos seja o alívio.

“Podia-se pensar que o alívio seria um sentimento de curto prazo que desapareceria após semanas, mas não desapareceu como os outros sentimentos. O alívio foi constante”, concluiu.

Um artigo sobre o estudo foi publicado na revista científica Social Science & Medicine. [CNN]

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (26 votos, média: 3,27 de 5)

3 comentários

  • Epicuro de Samos:

    Aborto é uma questão de saúde pública e direito inquestionável da mulher. Você pode ser a favor da descriminalização do aborto mas ser contra fazê-lo. Este é um país (mais ou menos) laico, onde as decisões do estado e da justiça devem (deveriam) passar ao largo de questões moralistas religiosas.

  • Marcia Amaro:

    Duvido da honestidade destes resultados. Sou psicóloga e o que tenho observado na prática, além de outros estudos, é que o aborto é uma experiência altamente traumática e mutilante para a mulher, que se aproxima inclusive do significado do suicídio. Não há benefícios ou alívio para mulheres que praticam um aborto, ao contrário do que as fundações internacionais milionárias que abrem clínicas de aborto, inclusive clandestinas, no mundo inteiro querem fazer a população crer, visando unicamente o aumento de seus lucros. Dinheiro maldito, que custa a vida de milhões de crianças e de mulheres.

    • Cesar Grossmann:

      O estudo foi feito nos Estados Unidos, que foi colonizado por protestantes. Talvez a experiência no Brasil, colonizado por católicos, seja diferente. Não dá, simplesmente, para rejeitar o estudo. Finalmente, abortar certamente dá menos lucro do que forçar a mulher a ter uma criança. Só em fraldas…

Deixe seu comentário!