Este homem sobreviveu a uma facada no cérebro

Por , em 19.08.2014

Em uma bela manhã de agosto, no último dia 7, Xiao Yunzhi, de 57 anos de idade, estava dando um passeio em sua cidade natal de Guangyuan, na província de Sichuan, China, quando sua cabeça ficou estranhamente pesada.

Quando chegou à tabacaria local, o atendente olhou para ele de queixo caído, e apontou para o topo de seu crânio: Xiao havia recebido uma facada no cérebro!

Ok, ele não exatamente recebeu uma facada: quando estava passando debaixo de um bloco de apartamentos, uma faca de cozinha de doze centímetros caiu de uma varanda do oitavo andar, encaixando-se no lado esquerdo de sua cabeça, sem perfurar seu crânio.

Assim que o problema havia sido apontado, a dor tomou conta do senhor Xiao, que sentou-se na rua enquanto chamavam uma ambulância.
Dias depois, Xiao ainda estava sendo tratado em uma unidade de terapia intensiva local, mas a faca já havia sido retirada – e o chinês havia sobrevivido.

Man Calmly Walks Into Hospital With Knife In Head

“Ele está estável, mas não totalmente fora de perigo”, disse a irmã de Xiao na segunda-feira passada (11), que não quis se identificar. “Ele não pode usar o telefone ainda, tem um efeito sobre sua condição”.

O dono da faca, um homem identificado apenas como Wu, disse que havia deixado o objeto em um vaso na varanda, sem pensar que poderia cair. “Eles disseram à polícia que o vento deve ter a derrubado. Eles já vieram visitar meu irmão no hospital e pagaram algumas de suas contas médicas”, contou a irmã. “Eu só espero que ele possa ficar melhor em breve”, acrescentou.

Vivo, mas não ileso

Sobreviver a uma faca na cabeça é possível, mas não sem algumas sequelas, explica o Dr. Richard Temes, diretor do Centro de Cuidados Neurocríticos do Hospital Universitário de North Shore, em Manhasset, Nova York (EUA).

A literatura científica conhece outros casos de pessoas que sobrevivem a ferimentos graves na cabeça, como o famoso exemplo histórico de Phineas Gage, um trabalhador ferroviário do século 19 que teve o crânio perfurado por ferro. Ele ficou cego em um olho, mas de resto parecia bem.

A palavra-chave aqui é “parecia”. “Mesmo nas situações em que você tem uma lesão devastadora e sobrevive, há mudanças neurológicas”, elucida Tames. “Pode não ser necessariamente incapacidade motora ou perda de habilidades funcionais, pode ser personalidade, memória, coisas que você não vê fisicamente”.

Poucos meses após o incidente, Gage começou a mudar de comportamento. Ele tinha dificuldade em lembrar rostos, e agia como se tivesse se tornado uma pessoa diferente. “Isso ocorreu porque a parte do cérebro que o [ferro] passou foi o lobo frontal, que é importante para julgamento, percepção, memória e personalidade global”, disse Temes.

Evidentemente, nem todas as lesões na cabeça afetam o lobo frontal. “Diferentes partes do cérebro controlam diferentes atividades. Há partes que são importantes para a fala, linguagem, compreensão, e ferimentos a estas partes do cérebro, por vezes, podem ser muito sutis, mas isso não significa que não são graves”, argumenta o médico.

Por exemplo, muitos jogadores de futebol americano profissional nos Estados Unidos passam por grandes traumas na cabeça ao longo das suas carreiras, e os efeitos dessas lesões são vistas somente a longo prazo. “Ferimentos na cabeça podem inclusive levar a doenças como demência ou depressão mesmo anos após a lesão”, comenta Tames.

No caso do homem atingido por uma faca na China, o neurologista crê ser improvável que o paciente saia do incidente com apenas uma cicatriz. “Qualquer pessoa com uma lesão cerebral penetrante, como um ferimento de faca, vai ter algumas alterações neurológicas”, opina. [Telegraph, LiveScience]

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