Nem um pouquinho: mulheres grávidas absolutamente não devem consumir álcool

Por , em 19.10.2015

De acordo com um novo relatório da Academia Americana de Pediatria, nenhuma quantidade de álcool é segura para beber durante qualquer trimestre da gravidez.

Existe um debate de longa data se faz mal para o feto que a mãe beba álcool durante a gravidez.

Enquanto alguns estudos recentes têm afirmado que pequenas quantidades são aceitáveis e seguras, o novo relatório do maior grupo de pediatras dos EUA diz que todas as formas de álcool – incluindo cerveja, vinho e licor – representam um risco semelhante ao feto em desenvolvimento, em qualquer quantidade.

Causa evitável de deficiências

Pesquisas sugerem que a maioria das mulheres corta completamente o álcool quando está esperando um filho, mas uma pequena percentagem admite que continua a beber.

De acordo com a Dra. Janet F. Williams, professora de pediatria na Universidade do Texas em San Antonio e uma das principais autoras do relatório, há mais evidências que apontam para os perigos do álcool na gravidez do que o contrário.

Mais de 30 anos de pesquisa ligam claramente o uso de álcool durante a gravidez com malformações congênitas.

Conforme os métodos de detecção se tornam mais sensíveis, descobertas têm revelado os efeitos sutis da exposição pré-natal ao álcool, “a principal causa evitável de defeitos de nascença e deficiências de desenvolvimento” em crianças, segundo a Dra. Williams.

TEAF x SAF

O relatório sugere que mães que consomem álcool durante a gravidez podem colocar o feto em risco de desenvolver transtornos do espectro alcoólico fetal, um termo genérico para um grupo de condições que podem causar problemas físicos, comportamentais e de aprendizagem em uma criança.

Transtornos do espectro alcoólico fetal (TEAF) são muito prevalentes, mas os médicos nem sempre podem diagnosticá-los – por exemplo, se uma criança apresenta um atraso no desenvolvimento, é possível que TEAF seja a raiz do problema.

Mais atenção tem sido dada a uma condição chamada síndrome do alcoolismo fetal (SAF), em que as crianças podem ter características físicas mais visíveis, juntamente com problemas de aprendizagem e comportamentais. Além de problemas de crescimento, três características faciais são comuns na síndrome: um lábio superior fino, um sulco entre o nariz e o lábio superior, e uma distância reduzida entre o canto interno e externo do olho.

A TEAF é mais difícil de detectar que a SAF, mas reconhecê-la precocemente pode melhorar o prognóstico a longo prazo de uma criança.

Zero álcool na gravidez é a única garantia

“As mulheres que estão esperando um bebê ou tentando engravidar devem se abster de beber álcool completamente, porque não existe um nível completamente seguro de consumo de álcool durante a gravidez”, resume a Dra. Williams.

Algumas gestantes podem racionalizar o seu consumo de álcool como seguro porque é baixo ou pouco frequente, mas a verdade é que exposição pré-natal ao álcool em qualquer quantidade pode produzir uma ampla gama de efeitos tóxicos que podem alterar a função cerebral do feto, resultando em uma criança ou adolescente com problemas de atenção, memória, julgamento e competências linguísticas.

No caso de uma gravidez não planejada, a melhor abordagem é que a mulher pare de beber assim que souber que está esperando um filho.
“O não consumo de álcool durante a gestação garante que os transtornos do espectro alcoólico fetal não ocorram”, afirma. [LiveScience]

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