Hubble revela milhares de galáxias escondidas em foto de cair o queixo

Por , em 15.09.2018

O Telescópio Espacial Hubble está estudando os confins mais distantes do universo através de alguns dos objetos mais massivos que existem: aglomerados de galáxias.

A incrível imagem acima ilustra, no centro, Abell 370, um aglomerado de algumas centenas de galáxias localizado a cerca de 4 bilhões de anos-luz da Terra.
Ao redor dele, finalmente podemos enxergar milhares de galáxias nunca antes vistas, localizadas ainda mais longe de nós, nas profundezas do espaço.

A razão pela qual podemos vê-las agora é Abell 370. O aglomerado e sua matéria escura associada criam um imenso campo de gravidade e, quando a luz por trás desse campo passa por ele, a força gravitacional é tão forte que a “dobra”. Isso cria um efeito de ampliação chamado de “lente gravitacional”, permitindo aos cientistas observar objetos que normalmente não estão ao seu alcance.

Por trás da lente

Qualquer objeto com massa significativa pode criar uma lente gravitacional com a qual os astrônomos podem trabalhar. Quanto maior a massa, mais poderosa é a lente.

No caso de Abell 370, o efeito é tão forte que pode revelar galáxias que nem os instrumentos mais sensíveis de longo alcance do Hubble são capazes de vislumbrar.

A nova campanha de observação BUFFALO (Beyond Ultra-deep Frontier Fields And Legacy Observations) do Hubble vai examinar mais profundamente seis regiões já vasculhadas, concentrando-se desta vez em aglomerados de galáxias para ver o que está por trás deles.

Por exemplo, na imagem produzida graças a Abell 370, as manchas mais brilhantes e pouco amareladas são galáxias enormes, contendo centenas de bilhões de estrelas. As mais azuis são galáxias espirais menores, como a Via Láctea, com populações mais jovens de estrelas. E as mais escuras e amareladas são mais antigas, com populações de estrelas envelhecidas.

A mais espetacular das galáxias recém-observadas, no canto inferior esquerdo do centro, é apelidada de Dragão (possivelmente por sua semelhança com um dragão chinês). É composta de cinco imagens da mesma galáxia espiral, ampliadas pela lente gravitacional.

Ampliando nosso conhecimento

Através dessas novas imagens, pesquisadores do Instituto Niels Bohr, na Dinamarca, e da Universidade de Durham, no Reino Unido, esperam aprender mais sobre quando as galáxias mais massivas e luminosas do universo se formaram, e como essa formação está ligada à matéria escura.

O objetivo é descobrir a rapidez com que as galáxias se formaram nos primeiros 800 milhões de anos após o Big Bang, e compreender mais profundamente a evolução dos aglomerados de galáxias e da matéria escura dentro deles.

O primeiro passo será mapear essa matéria escura. As lentes gravitacionais também podem ajudar com essa meta. Lentes fortes significam gravidade mais forte e, uma vez subtraída essa gravidade das galáxias, o que resta é a matéria escura.

“BUFFALO nos permitirá mapear com precisão a distribuição da matéria escura nesses aglomerados gigantescos e, assim, traçar sua história evolutiva, uma informação que falta nas teorias da evolução de hoje”, disse a astrofísica Mathilde Jauzac, da Universidade de Durham.

Vem muito mais por aí

BUFFALO está planejada para ocorrer ao longo de 101 órbitas do Hubble, totalizando cerca de 160 horas de observação com o telescópio.

O instrumento será capaz de detectar galáxias distantes cerca de dez vezes mais efetivamente do que sua observação anterior, a “Frontier Fields”, ampliando (literalmente) nosso entendimento da história do universo.

Você pode baixar a imagem em alta resolução aqui. [ScienceAlert]

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5 comentários

  • Alberto Carvalhal Campos:

    A bolha atmosférica do nosso sol é a maior coisa do nosso sistema solar. Esta bolha resultante de um aglomerado de galáxias, seria realmente grande.

  • Aparra:

    Será se com esta nova foto já seria possível determinar, aproximadamente, a quantidade de galáxias do universo?

    • Cesar Grossmann:

      Determinar, não. Estimar, sim. É só multiplicar o número de galáxias nesta imagem pelo número de imagens que você pode fazer cobrindo a esfera completa. Estou com preguiça agora, mas não deve ser muito difícil encontrar este número (tarefa para o leitor).
      😉

  • Alberto Carvalhal Campos:

    Observem que o efeito desta lentes gravitacionais. Elas estão a uma distancia bem maior do que se fossem gravitacionais. Suponho que seja desvios provocados pela enorme bolha atmosférica que envolve estes astros. Cuidado. Podemos estar sendo enganados.

    • Cesar Grossmann:

      Bolha atmosférica? Uma “bolha atmosférica” daquele tamanho teria tanta massa que ela se contrairia e formaria uma estrela. Supondo que não, então a tal “bolha atmosférica” causaria alterações no espectro luminoso das estrelas atrás, o suficiente para determinar sua composição, e ela não passaria desapercebida.

      Mas se você puder provar que é uma “bolha atmosférica”, publica o trabalho e vai pegar o teu Nobel.

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