Julgamos competência alheia com base no preço das roupas

Por , em 13.12.2019

Um grande estudo recém-publicado na revista Nature Human Behaviour  por pesquisadores da Princeton University (Reino Unido), revelou que as pessoas julgam a competência alheia com base em vestígios econômicos que vêm da vestimenta. Esses julgamentos acontecem em milissegundos e são difíceis de evitar.

Os pesquisadores conduziram nove estudos em que os participantes deram uma nota para a competência que julgavam que um desconhecido tinha, com base apenas em um flash de imagem do rosto e busto da pessoa. O observador podia ver a gola da camiseta, pólo, suéter ou jaqueta do observado.

De forma geral, as roupas avaliadas como mais caras pelo observador resultaram em uma avaliação melhor para a competência desse desconhecido. Os resultados sugerem que indivíduos com renda mais baixa podem ser vistos como menos competentes simplesmente por conta de suas roupas.

“Ao invés de respeito pela luta deles, as pessoas em situação de pobreza encaram um desrespeito e desprezo persistentes do resto da sociedade. Constatamos que este desrespeito  – claramente infundado, já que nesses estudos um rosto idêntico era visto como menos competente quando ele aparecia com roupas mais pobres – pode ter início no primeiro décimo de segundo em um encontro”, escreve o co-autor do estudo, Eldar Shafir.

Experimentos

Os experimentos começaram com imagens de 50 rostos, cada um usando roupas classificadas como mais rica ou mais pobre de acordo com um grupo de juízes independentes. Este grupo foi questionado: “quão rico ou pobre esta pessoa parece ser?”. Com base nesta classificação, os pesquisadores selecionaram 18 pares de rosto-roupa com indivíduos brancos e mais 18 pares com indivíduos negros. Estas imagens foram usadas nos nove experimentos.

Os participantes observavam metade das imagens que mostraram pessoas usando roupas classificadas como caras e metade com roupas classificadas como baratas. Eles davam notas para a impressão de competência que eles tinham das pessoas, em uma escala de 1 (nada competente) até 9 (extremamente competente).

O tempo de observação das imagens variou em estudos diferentes, indo de um segundo a aproximadamente 130 milissegundos. O tempo mais curto é suficiente apenas para uma pessoa perceber que está olhando para um rosto, explica Shafir.

Outra variação entre os experimentos foi a orientação que os participantes receberam. Em alguns, eles eram orientados a ignorar completamente a roupa. Em outros, recebiam informações fictícias sobre a renda e profissão dos desconhecidos. Independentemente dessas mudanças, os resultados permaneceram consistentes: os rostos eram julgados como significativamente mais competente quando a roupa era vista como mais cara. [Phys.org]

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